Início B1 V Cimeira da CTP: Francisco Calheiros exige mais para o turismo

V Cimeira da CTP: Francisco Calheiros exige mais para o turismo

Registando quebras de mais de 80% em várias das actividades do turismo, o que coloca o sector num cenário preocupante de pré-encerramento de empresas e de aumento do desemprego, aliando-se ao impacto de inúmeras limitações de tráfego aéreo, da exclusão de Portugal em alguns corredores aéreos e das medidas de quarentena impostas a quem nos visita por parte de vários países, a CTP exige mais para esta actividade económica.

No seu discurso de abertura da V Cimeira do Turismo Português, que decorreu esta segunda-feira, em Lisboa, o presidente da CTP, realçou que o que sabemos hoje e agora é que o Turismo atravessa um momento muito difícil, que decorre de um período em que o sector paralisou por completo.

Lembrou que a quebra significativa na economia por mais tempo terá efeitos graves no desemprego, se as medidas do Programa de Estabilização Económica e Social não forem rápidas, ágeis, efectivas e plenamente executadas, se os apoios financeiros da União Europeia não chegarem rapidamente e se se mantiver o erro estratégico de se apostar num sucedâneo do lay off simplificado que pressupõe uma retoma rápida da economia.

Segundo Francisco Calheiros, no seu discurso reivindicativo, para muitos segmentos, a época baixa já é deficitária por natureza e os prejuízos costumam ser cobertos pela época alta, que este ano foi inexistente e, ao invés de uma almofada, trouxe prejuízos. O Governo esteve bem no início desta crise com o lançamento de medidas eficazes como o lay off simplificado, mas inexplicavelmente vai abandoná-lo. E não pode nem deve fazê-lo. É, em nossa opinião, um erro estratégico. Não podemos calibrar instrumentos de apoio à manutenção do emprego, alterando os vigentes, quando a crise ainda não terminou nem ninguém pode afirmar quando vai terminar. Mas, infelizmente, é o que estamos a fazer. 

Também não esqueceu de frisar que, actualmente, todos os recursos das empresas do Turismo estão canalizados para a sobrevivência da sua actividade, esperando que tal seja suficiente para prolongar pelo maior tempo possível a manutenção de postos de trabalho. Pela forma lenta como a economia está a reagir à crise e pela expectativa cada vez mais tardia de retoma económica, o foco das atenções do Governo e dos Parceiros Sociais deve centralizar-se cada vez mais num esforço conjunto para não se deixar mergulhar o país numa forte crise social e económica.

Retoma só em 2022

 Não obstante as medidas que estão a ser implementadas, reconheceu, é indissociável que vamos ter uma crise económica com reflexos no mercado de trabalho. E é preciso não esquecer que a actividade económica do Turismo sendo muito afectada arrasta consigo vários sectores que de si dependem, como os transportes, o comércio e os serviços, entre outros. Em síntese e do ponto de vista turístico, o ano de 2020 está perdido, o ano de 2021 poderá trazer alguma recuperação, mas seguramente que a retoma só se iniciará em 2022.

– Com todas as incertezas que ainda pairam no horizonte, o momento é de olhar para o futuro, e sobretudo de tentar encontrar nele o caminho para a recuperação do Turismo, conforme vincou Francisco Calheiros, para destacar que os desafios que se colocam à actividade são inúmeros, complexos e exigem um nível elevado de compromisso. Da parte do Governo, com mais diplomacia económica, com concertação de medidas de prevenção a nível europeu, com um quadro jurídico-laboral à medida das circunstâncias, com ferramentas de apoio como o lay off simplificado e sem burocracias excessivas.

Mas também da parte das empresas, com empenho e criatividade para sobreviver e manter a oferta que nos distingue, com segurança e confiança, com uma estratégia de comunicação eficaz. A todos se impõe uma reflexão estruturante, um rumo para o Turismo nacional, que contemple os necessários ajustes, correcções e respostas aos desafios. A todos se impõe fomentar a inovação no Turismo em Portugal e promover a transição da actividade para a economia digital.

O presidente da CTP terminou a sua intervenção com duas notas. A primeira sobre o aeroporto de Lisboa. Esta é uma infra-estrutura que há muito exigimos e é também aquela que não se faz num dia nem com base no presente. A margem para adiar este projecto já terminou. E agora que foi tomada uma decisão sobre a sua localização, não há mais tempo a perder. Precisamos de começar a trabalhar de imediato na construção do aeroporto do Montijo.

A segunda refere-se ao papel da Europa na recuperação da nossa economia. Muito se fala e negoceia em Bruxelas, mas a verdade é que se mantém um quadro de indefinição de quanto e quando chegará o apoio financeiro ao nosso país. Muitas das medidas que vários Estados Membros querem implementar dependem destes envelopes financeiros, mas, sobretudo, exigem um grande esforço conjunto, menos inércia por parte dos governantes europeus, maior capacidade de decisão, maior concertação de estratégicas de promoção turística e mais clareza e desburocratização nas regras. E, como já o referi várias vezes, impõe-se a criação de uma linha específica de apoio ao turismo, com dotação própria, como instrumento essencial à coesão territorial e social europeia, concluiu Francisco Calheiros.



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