Início Opção Turismo União Europeia alerta turismo para possível 2ª vaga de contaminação

União Europeia alerta turismo para possível 2ª vaga de contaminação

O recuo do turismo devido à pandemia pode pôr em causa ainda este ano até 11,7 milhões de postos de trabalho na União Europeia, caso as fronteiras voltem a fechar com uma chamada segunda vaga de infecções pelo vírus da Covid-19, segundo um estudo que acaba de ser publicado pelo Centro de Investigação Comum da Comissão Europeia.

Portugal não surge, no todo nacional, como um dos países mais afectados, mas sofre um dos maiores impactos regionais no Algarve.

As previsões do centro de investigação de Bruxelas são, ainda assim, menos penalizadoras que as já avançadas pela Organização Mundial do Turismo, que pressupõe recuos num intervalo de 58% a 78% ao longo deste ano.

Segundo o estudo, a retracção da actividade turística vai ter um forte impacto no emprego com entre 6,6 milhões e 11,7 milhões de postos de trabalho em risco (seja de despedimentos, não renovação de contratos ou redução do trabalho com maior adopção de part-time) nos 27 países da União Europeia.

Na análise por país, Croácia, Chipre, Malta, Grécia, Eslovénia, Espanha e Áustria deverão ser os países mais afectados. Mas o estudo aborda também impactos regionais diferenciados, mais fortes nas regiões com maior concentração de empregos no turismo, com economias menos diversificadas e mais dependentes do turismo internacional. É o caso do Algarve, onde o emprego na hotelaria tem um peso de 11,9% (o do turismo, em geral, supera os 30%), nos dados citados e relativos a 2018.

O estudo destaca a maior vulnerabilidade das regiões onde o peso do emprego no sector de alojamento é superior a 8%, e onde se destacam, na Grécia, o Egeu Meridional, as Ilhas Jónicas e Creta, com percentagens entre os 12,2% e os 29,1%, assim como o Norte de Itália (10,3%), o Tirol austríaco (9,4%) e, em Espanha, as Ilhas Baleares (8,8%).

Ainda em Portugal, com uma concentração menor de emprego no alojamento turístico (apenas 6%), a Madeira surge também entre as regiões de maior risco.

O estudo assinala sobretudo o potencial de perturbação no mercado de trabalho por via do sector da hotelaria, onde cada emprego criado, nas estimativas feitas, desdobra-se em até 6,7 outros no conjunto da economia, através das cadeias de valor.

Ainda assim, os autores assinalam que os efeitos no emprego poderão ainda ser mitigados face às perdas de resultados registadas pelas empresas do sector. Lembram que despedir pessoas com contratos permanentes também tem custos e consideram que, sendo o pessoal central no sector turístico, as empresas tentarão tanto quanto possível proteger e conservar o capital humano.

No entanto, as pessoas com baixos níveis de qualificações e contratos a prazo poderão ser as mais afectadas pela crise.



Mais notícias em OPÇÃO TURISMO Siga-nos no FaceBook , Instabram ou no Twitter