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Podia começar por um ‘Era uma vez’, mas seria despropositado. Há muitos anos atrás, parece-me melhor. Que assim seja!

Há muitos anos atrás, recordam-se, os destinos turísticos guerreavam-se para ter uma presença forte (ou menos forte, na razão directa do investimento) nos diferentes mercados. O objectivo era seduzir e atrair os viajantes oferecendo-lhes algo original, marcante e simpático.

Hoje, com os chamados voos de baixo custo – e cada vez a baixarem mais, eliminando a gratuitidade de certos “extras” – os clientes são como formigas de tal modo que até as cidades e os territórios mais feios podem contar sempre com alguns turistas. Direi até, muitos turistas. E isto porque os mais belos ou interessantes estão ou começam a estar saturados, incapazes de satisfazer a procura como. Por exemplo, Amesterdão, Veneza, Paris e muitas outras cidades ou regiões de interesse.

Foram muitos os vários anos em que os aumentos de visitantes vindos de todas as partes mundo cresciam entre um e cinco por cento ao ano, o que nos primórdios era invejável. Hoje, quando há um desastre de qualquer natureza, podemos ter certeza de que há um turista lá, pelo menos.

‘Turista’ é uma fauna especial que aparece em todo o mundo. Nos lugares mais estranhos e longínquos… Tanto assim que a Bielorrússia pretende transformar-se agora numa potência turística mundial, já que, todos os anos, o número de turistas aumenta naquele país do Leste Europeu, sem saída para o mar, cuja capital, Minsk, ‘albergou’ em tempos idos, a monumental sede da KGB da então União Soviética, hoje, Agência da Segurança do Estado da República de Bielorrússia (KGB sigla em bielorrusso).

Se há uns 20 ou 30 anos me perguntassem sobre esta possibilidade teria sorrido, sem dúvida. Consideraria que era algo muito complicado pelo regime político de então, pela dificuldade em lá se chegar e porque a Bielorrússia pouco podia oferecer em atractivos turísticos.

Francamente, eu que já visitei Minsk há alguns anos, não acho que seja um país muito interessante, mas não importa. Bastavam que uma ou outra low cost começasse a voar, por exemplo, para Minsk, para que o destino começasse a ser badalado e a ser alvo dos operadores turísticos. O resto, viria depois.

Recorde-se que o volume de turistas que procuram algo diferente é tal que o estranho é não ter sucesso. E isso já aconteceu com outros, países, territórios e cidades como a Roménia, Moldávia ou Azerbaijão, só para citar alguns exemplos.

Hoje é difícil encontrar um destino ou uma companhia aérea que tenha crescido zero por ano. Ou mesmo entre zero e cinco por cento.

Todos os anos, a companhia aérea low cost Ryanair cresce em dois dígitos.  Refira-se que e em boa verdade, parte disso, é feito às custas de outros.

Contudo, deve ter-se em conta que não há indústria que aumente seu volume de negócios e actividade, como o Turismo. É um fenómeno.

Luís de Magalhães