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Turismo em Lisboa e a TAP discutidos pela CTP e 2 ex-secretários de Estado

O presidente da CTP, Francisco Calheiros, e dois ex-secretários de Estado do Turismo, Adolfo Mesquita Nunes, e Bernardo Trindade, com a moderação do empresário da área do turismo, Miguel Quintas, discutiram a noite passada a problemática do turismo na capital portuguesa, com o foco na retoma do sector, mas também olhando para o novo aeroporto complementar a Lisboa, e muito fundamentalmente para o futuro da TAP.

As hipóteses colocadas na mesa sobre a TAP passaram pela nacionalização, privatização total ou até a criação de uma nova empresa. O certo é que ficou bem evidente que o pacote de 1,2 milhões de euros é insuficiente para uma empresa que já vinha a acumular prejuízos.

Também ficou claro que a actividade turística está seriamente comprometida, não devendo dar sinais positivos entre dois a três anos, uma vez que não há nenhum indicador que mostre o contrário.

Numa web conferência organizada pela Iniciativa Liberal, cujo maior responsável, João Cotrim Figueiredo, foi também homem de turismo, uma vez que já ocupou o cargo de presidente do Turismo de Portugal, Francisco Calheiros centrou a sua intervenção na necessidade de se avançar já com o novo aeroporto no Montijo, uma obra que demorará 4 anos a estar pronta, por isso terá de começar já porque quando a pandemia terminar, Lisboa não terá capacidade para acompanhar o crescimento do turismo.

Calheiros defendeu também o hub de Lisboa que tem tido capacidade de distribuir turistas para todo o país, bem como a necessidade de uma TAP forte- a TAP é necessária para o país – companhia que consegue trazer a Lisboa e ao país grande parte dos turistas, tendo em conta que 90% dos turistas que chegam a Portugal é por via aérea e grande parte chega pela nossa companhia de bandeira, principalmente através da sua nova estratégia apostada no Brasil e nos Estados Unidos, que trouxe ao país mais pernoitas e mais gastos. A TAP tem sido muito maltratada, reconheceu.

Mas o presidente da CTP alertou, pese embora as medidas de apoio às empresas do sector tenham sido bem acolhidas, alertou que estão ultrapassadas ao fim de 7 meses. As empresas não aguentam mais. Ou há novas medidas urgentes ou os trabalhadores vão todos para o fundo de desemprego pelo menos 3 anos.

Francisco Calheiros realçou que sendo Portugal um país periférico tem de contar com a aviação comercial, mas adianta que o hub de Lisboa não pode ser o único na distribuição de turistas no país, sem esquecer, no entanto, o papel importante da TAP junto dos principais mercados para Portugal.

Para o agora empresário Bernardo Trindade a ajuda financeira que virá da União Europeia será determinante para as empresas do turismo, até porque o Covid-19 é uma pandemia que não é responsabilidade de Portugal e muito menos do turismo, que continua a manter a sua oferta intacta e os seus activos operacionais.

Bernardo Trindade é também defensor de um aeroporto complementar ao Humberto Delgado que em 2019 atingiu quase 30 milhões de passageiros, por isso, em sua opinião, Portugal não pode perder mais tempo em relação a esta nova infra-estrutura aeroportuária, com consequências ao nível das operações turísticas no futuro.

Sobre a TAP, empresa com 75 anos de existência, lembrou que não é apenas um problema da companhia aérea portuguesa, mas sim de mobilidade tanto a nível europeu como internacionalmente, avançando que esta primeira leva de ajudas da União Europeia não é suficiente para aquilo que as empresas aéreas estão a enfrentar. Vai ser preciso discutir uma segunda leva, disse.

O mais céptico no debate, principalmente em relação à TAP foi Adolfo Mesquita Nunes. Na opinião do ex-secretário de Estado do Turismo mais vale o Estado português gastar recursos para salvar outras empresas do turismo do que na TAP.

Segundo Mesquita Nunes, o turismo não pode ser só aviação, lembrando a forma como o sector já a fazer na Madeira para controlar a pandemia. A razão do turismo são os empresários e são as empresas que devem ser preservadas.

Francisco Calheiros não concordou com Adolfo Mesquita Nunes, ressalvando que a TAP é uma companhia aérea que os portugueses se orgulham. Aguentou-se sempre, tem aguentado muito. É determinante para Lisboa e para o país, até porque sem aviação não há turismo em Portugal.



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