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Turismo do Algarve dividido quanto às medidas de retoma

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A secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, reuniu-se esta terça-feira (28) com empresários e associações do sector turístico do Algarve, que se mantém dividido quanto às medidas que visam a retoma desta actividade tão importante e fundamental para a região.

Rita Marques reuniu-se com as forças vivas do sector turístico para lhes anunciar medidas importantes, aprovadas em Conselho de Ministros, tendentes à preservação e manutenção de postos de trabalho, segundo revelou aos jornalistas, no final da sessão.

No entanto, segundo a imprensa regional, este anúncio não encheu as medidas dos empresários, que esperavam que a governante trouxesse na pasta apoios a pensar nas especificidades da região.

Assim, Elidérico Viegas, presidente da Asssciação dos Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve (AHETA), após a reunião, afirmou que se esperava é que pudesse haver medidas de discriminação positiva para a região que está a ser muito mais afectada que o resto do país, tendo em conta a sua grande dependência de um único sector de actividade, o turismo, para acrescentar que sabemos que o Governo anunciou um plano específico para a recuperação do turismo do Algarve. Aguardamos com alguma ansiedade esse plano.

Rita Marques disse aos empresários algarvios que, em Conselho de Ministros, foi aprovado um programa específico, não para o turismo, mas para as empresas que têm uma quebra abrupta da facturação, na ordem dos 40%. E, depois, dentro do pacote de medidas, foi identificada uma majoração, um apoio adicional, para as empresas com queda de facturação superior ou igual a 75%. Apesar de não haver aqui uma referência explícita ao turismo, esta medida tem, de facto, como objectivo último, assegurar os postos de trabalho neste sector.

O presidente da AHETA  acredita que, mesmo com os apoios anunciados, o desemprego, a partir do mês de Outubro, continuará a aumentar exponencialmente. Esperávamos que tivessem sido contempladas medidas como o lay-off simplificado e a formação de activos nas empresas durante a estação baixa, mas, infelizmente, isso não aconteceu, revelou.

– A questão começa logo pela definição de retoma. No caso do Algarve, não existe retoma progressiva, nem sequer retoma. A existir alguma recuperação da economia, ela só vai acontecer a partir da Páscoa do ano que vem, defendeu Elidérico Viegas, acrescentando que estas medidas poderão ajustar-se às necessidades e exigências de outros sectores de actividade no país, mas não satisfazem, naturalmente, a situação do Algarve, concluiu.

A secretária de Estado do Turismo lembrou que as medidas de retoma progressiva estão ligadas ao Orçamento Suplementar e que a avaliação contínua das medidas permitirá manter em cima da mesa a possibilidade de prolongar apoios no arranque de 2021.

– Nós não fechamos a porta a nada, sendo certo que cada decisão tem o seu ‘timing’ certo. Tendo em conta que temos um Orçamento Suplementar recentemente aprovado, entendemos por bem garantir aqui apoios até ao final do ano. Vamos ver como a pandemia evolui também, referiu Rita Marques.

Também, uma delegação do Sindicato de Hotelaria do Algarve reuniu com a secretária de Estado do Turismo, e serviu para o  apresentar as medidas aprovadas para fazer face à crise, tendo o Governo apresentado apenas a nova versão do lay-off como um instrumento de combate ao desemprego.

O Sindicato da Hotelaria do Algarve considera a medida desadequada e desajustada para o objectivo pretendido, pois a enorme subida do desemprego na região comprova isso mesmo.

Para o Sindicato, o que é necessário e urgente é a proibição de todos os despedimentos e a reversão dos despedimentos efectuados desde o dia 1 de Março, como forma de proteger o emprego e os salários dos trabalhadores, com vista a garantir a subsistência das suas famílias.

Ao mesmo tempo o Sindicato considera que o Governo deve avançar urgentemente para a criação de um Fundo Especial, financiado pelo Orçamento do Estado, para assegurar o pagamento a 100% dos salários aos trabalhadores das empresas que comprovem estar verdadeiramente em dificuldades.

A crise no turismo do Algarve já está traduzida em números: o desemprego subiu mais de 230% e a taxa de ocupação hoteleira não ultrapassa os 40%.



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