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Turismo de longa distância em Portugal bate recordes

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Nos primeiros seis meses de 2019, o sector do turismo registou um crescimento em Portugal, com base sobretudo no turismo de longa distância, apesar da conjuntura de abrandamento da economia a nível mundial, e em particular europeu.

É neste contexto que se realiza no Pestana Palace Hotel, em Lisboa,, amanhã, terça-feira, dia 10 de dezembro, a 2 ª Summit Shopping Tourism & Economy Lisboa.

O turismo em Portugal tem crescido mais de 10% ao ano desde 2014 e o seu peso na economia nacional passou de cerca de 4% do PIB antes da crise para mais de 8% em 2018, o que representa um crescimento a um ritmo muito superior ao do conjunto da economia.

Em 2021, deverá chegar aos 9,3%, tendo em conta a previsão do Banco de Portugal, podendo ultrapassar a fasquia dos 20 mil milhões de euros. Caso se confirme, significa que os gastos de turistas estrangeiros irão triplicar entre 2009 e 2021.

Segundo o WTTC – World Travel & Tourism Council, Portugal é o país da Europa que tem registado o maior crescimento no sector do turismo, prevendo-se que esta tendência de aumento se mantenha nos próximos anos. Para 2019, o WTTC estima para Portugal um aumento turístico bastante acima da média europeia, que é de 2,5%, realçando que o destino está a ter um forte crescimento de mercados não tradicionais, de fora da Europa.

As previsões do Turismo de Portugal são de que 2019 encerre ultrapassando a barreira dos 24 milhões de turistas. Recorde-se que em 2018, segundo as contas do INE, o país recebeu um total de 22,8 milhões de turistas, o que colocou Portugal no 17º lugar no ranking dos países com maior número de turistas a nível mundial, de acordo com a OMT – Organização Mundial de Turismo.

Apesar de o número de visitantes que o nosso país recebe anualmente ter vindo a crescer acima do número de cidadãos do mundo que efectuam viagens internacionais, a quota de turistas de países de longa distância, com classes médias emergentes, pode apoiar ainda mais esse crescimento.

No primeiro semestre deste ano, o número de hóspedes que chegaram a Portugal ascendeu a 12,1 milhões, o que representa um crescimento na ordem dos 7,6%, enquanto as receitas totais ascenderam a 7.308 milhões de euros, significando um aumento de 6,8% face ao período homólogo de 2018.

No período de janeiro a junho de 2019, segundo os dados provisórios do INE, registou-se novamente um forte aumento de hóspedes não europeus a Portugal, particularmente dos E.U.A (+19,5%), da China (+18,5%), do Brasil (+12,2) e da Coreia do Sul (+24%).

Receitas turísticas em Portugal

Em 2018, o total de receitas do turismo em Portugal ascendeu a 16,7 mil milhões de euros, sendo a grande fatia proveniente de turistas residentes em países do continente europeu: apesar da perda de quota do mercado europeu de 0,4% face a 2017, estes turistas representaram no ano passado 80,6% das receitas, o que significa um aumento de 7,7% face ao ano anterior.

Os países do continente americano contribuíram com 12,3% das receitas, significando um aumento de 16%, enquanto a contribuição dos países africanos foi de 4%, representando um decréscimo nas receitas de 10,7%, e dos asiáticos, 3%.

Em 2018, chegaram a Portugal mais de 22 milhões de turistas, sendo que apenas 15,9% são oriundos de países não europeus, de longa distância. No entanto, os seus gastos representam mais de 20% do total das receitas.

Também no ano passado, estima-se que o turismo de compras tenha movimentado em Portugal entre 400 e 500 milhões de euros, valor gasto pelos turistas residentes em países fora da União Europeia. Segundo dados da Global Blue, em termos globais, os turistas angolanos ocupam o primeiro lugar, com 33% das compras realizadas, mas em termos individuais, os turistas chineses são os que mais compram. De facto, os turistas chineses têm vindo a crescer, representando já 15% das compras feitas, o que significa um impacto de 7,2% nos negócios nacionais —, tendo já ultrapassado os brasileiros, cujo impacto nos negócios ronda os 6,1%.