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Trabalhar numa ilha no Oceano Indico já é por si só um tema de romantismo e de muita imaginação para quem gosta de viagem melo-românticas e aventuras para recordar. Mas para um director de hotel pode ser uma das experiências mais duras e exigentes, numa operação de 4 para 5* de categoria e qualidade. E para chegar ou manter esses requisitos o desafio é enorme.

Pois bem, o nosso tema de hoje conta um pouco aquilo que é o pedaço de aventura que vivemos, no nosso trajecto de carreira internacional, quando trabalhamos fora de portas, como expatriados ou “Expacts”.

O Grupo Pestana, depois de ter iniciado a sua entrada em Moçambique em 1994, pelo Hotel Rovuma em Maputo, de imediato se lançou para as ilhas. Na Inhaca, em frente de Maputo, e na Ilha do Bazaruto.

O Arquipélago de Bazaruto, tem a ilha de Bazaruto como a ilha principal, que deu o nome ao arquipélago, e que tem um comprimento de 32,5 km e uma largura de cerca de 5 km. Esta fica a 15 Km do continente. O arquipélago inclui os corais que envolvem as ilhas, tornando-o na única zona marinha protegida de Moçambique. O Bazaruto alberga a última população de Dugongues da costa africana e dos três últimos refúgios destas chamadas “sereias do mar”. Com efeito, o chamado Parque Marinho de Bazaruto ou Parque Nacional de Bazaruto oferece nos seus 1.400 quilómetros quadrados uma importante reserva marinha, considerada como a maior de todo o Oceano Índico.

Em 1995, pegamos nas malas e voamos para a Ilha para desenvolver um projecto de serviço hoteleiro absolutamente colossal, no que respeita a logística, gestão administrativa e serviço hoteleiro de excelência e categoria superior.

A ilha tinha uma pequena pista com 900 metros de terra batida, irregular e com um montinho no meio desta que pelo que se tinha de ser muito bom piloto em “tecos-tecos” para o fazer.

A logística no que respeita a víveres e outros perecíveis vinha toda de Maputo, num voo de avião de cerca de hora e meia a duas horas. O combustível e mercearias vinha de Vilanculos, uns 15 Km de canal, ainda uma extensão do canal de Mombaça, que por vezes se transformavam numa travessia de aventuras, entre monções, barcos de pescadores mal assinalados e outros iminentes obstáculos no caminho.

Um dia normal começava às 4h30 da manhã para fornecer as caixas de pic-nic aos pescadores desportivos que saiam nas lanchas muito cedo. Refira.se que estes pescadores não eram gente qualquer. A maioria dos hóspedes vinha da África do Sul, onde eram empresários das minas de ouro e de outros grandes negócios. Alguns viajavam mesmo nos seus próprios iates até a ilha.

Toos eles, clientes exigentes, pois pagavam muito, com tudo incluído, mas muito compreensivos e assertivos. Ao meio dia voltavam para almoçar, com ou sem peixe, pois este tipo de cliente procurava somente os maiores peixes, o Marlim, o Peixe-espada, o Peixe veleiro, que muitas vezes numa semana, resultava em nada.

Depois destas necessárias informações, voltamos à história de hoje. Depois de um almoço de grelhados na praia, sempre de marisco, boa lagosta fresquinha (1 dólar USA a cada ao mergulhador), o saboroso camarão tigre de Moçambique e outros peixes pescados, voltavam ao mar. As 17h00, no fecho do dia, na maravilha daquele pôr-do-sol do Indico inesquecível, voltavam os senhores da pesca e, ou havia festa e pesagens de monstros do mar a bater recordes; ou havia a lenda do “Taxman”, também chamado de Cobrador de impostos da Ilha. Ou seja, o Tubarão tigre, o Tubarão martelo.

O “Taxman” era sempre o cobrador das quantidades de Marlim ou outros dos grandes que se tentava retirar do mar, que após batalhas que podiam durar 2 ou 3 horas, acabavam muitas vezes apenas se tinha a cabeça do “matulão” que tanto trabalho tinha dado a pescar. Isto porque o Cobrador tinha levado a parte dele.

No entanto, existiram sempre grandes pescarias, com alguns recordes a ultrapassar os 450 Kg e, claro, muitos “Taxman” que acabavam por também fazer parte dos recordes, eles mesmo pescados neste jogo e nesta luta desportiva. Ficavam as fotos a documentar a aventura para memória e não mais esquecer.

O dia acabava sempre depois do jantar, com os clientes a volta de uma mesa, a contar as suas façanhas do dia de pesca, e a bebericar de tudo e mais o que houvesse no bar, por vezes até altas horas da noite. Um longo dia para o Director da unidade, pois como anfitrião e supervisor, tinha de começar e acabar o dia com os “senhores da pesca”.

E no dia seguinte a aventura recomeçava de novo.

Emidio Baptista (ebconsultoria108@gmail.com)

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