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Numa altura em que cada vez mais se fala dos desafios do turismo, dos destinos sobrelotados, da fricção entre turistas e residentes, entre muitos outros temas, nada como ouvir especialistas de várias áreas para chegar a um consenso (ou algo aproximado) em como conseguir ter um turismo sustentável. E/ou encontrar alternativas ao chamado turismo de massas.

Esse foi o mote de dois dias de debate na Academia das Ciências de Lisboa. O Congresso Ciência, Cultura e Turismo Sustentável, evento organizado Museu Nacional de História Natural e da Ciências, da Universidade de Lisboa (MUHNAC-ULisboa), reuniu 95 apresentações sobre património, indústrias criativas, turismo gastronómico, rotas culturais, desenvolvimento local, educação e divulgação do património, turismo de natureza e museologia científica. Assente numa combinação de visões académicas e práticas enquadra-se no presente Ano Europeu do Património Cultural, que visa dar visibilidade à importância e transversalidade da cultura e do património em todos os setores da sociedade.

E este debate é tanto mais importante dada a importância do turismo na economia portuguesa. No ano passado, e segundo dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) registaram-se 57,5 milhões de dormidas em Portugal e 20,6 milhões de hóspedes. Valores que se traduziram em 15,2 mil milhões de euros em receita turística. Uma subida acentuada, dado que em 2009 o número se fixou nos 9.250 milhões de euros. Feitas as contas, os dados do INE indicam que, entre 2013 e 2017, houve um aumento de 13,1%.

No entanto os últimos números indiciam uma tendência de desacelaramento. Nos primeiros nove meses do ano já se registaram 16,5 milhões de hóspedes, representando 46,1 milhões de dormidas. É certo que houve uma ligeira queda da procura por parte de turistas oriundos do estrangeiro, no entanto esse facto foi compensado pelo aumento da procura por parte dos residentes no país. O que significa que é tempo de começar a pensar em alternativas.

No encerramento do congresso esteve presente Ana Mendes Godinho, Secretária de Estado do Turismo, que já efectuou já intervenções sobre o tema e onde tem focado a necessidade de se apostar em nichos de mercado e em produtos diferenciados.