COMPARTILHE

Aquando da sessão de abertura do XV Congresso da ADHP, a decorrer pela primeira vez em Viseu, Raul Ribeiro Ferreira, presidente da Associação de Directores de Hotéis de Portugal (ADHP), abordou o tema das taxas turísticas, que começa a ser aplicada um pouco por todo o país. E não se trata apenas de adicionar um ou dois euros à conta do alojamento. Porque, relembra o executivo, há situações em que se discute com o operador a subida/descida de cêntimos ao valor, quando se fala de uma taxa de um ou dois euros “isso faz uma diferença grande”. Para o presidente da ADHP “há aqui uma hipocrisia na discussão porque se coloca o foco no turista – não custa nada pagar um euros” quando, o problema é que, muitas vezes “o turista não paga para estar num hotel quando mais pagar taxas turísticas”. O que leva a que Raul Ribeiro Ferreira defenda que este é um tema que deve voltar a ser revisto. ”Se tem ou não vantagens para todos nós”.

Um outro tema que causa algum desconforto à associação prende-se com a necessidade de regulamentação da profissão, algo pelo qual a associação se bate. “Continua sem haver nenhum tipo de regulamentação e sem nenhum tipo de protecção aos profissionais que trabalham neste sector”, lamentou-se o executivo.

Mas há um outro problema premente. É o caso da falta de mão de obra. Situação que tende a piorar. “Neste momento não se fala sequer da falta de mão de obra qualificada. Já não há mão de obra”, afirmou Raul Ribeiro Ferreira, acrescentando que isso deveria ser motivo de reflexão do porquê isso acontecer, assim como os motivos que dificultam a fixação de pessoas na hotelaria. Para o presidente da ADHP este é um tema que continuará a ser extremamente importante nos próximos anos. “A verdade é que temos formação profissional desde 1997 e as pessoas não fixam-se nesta área”.

Raul Ribeiro Ferreira aproveitou para relembrar que a associação, desde o ano passado, dá cursos de formação. No entanto estes, na opinião do presidente, têm de alargar o seu âmbito. Nomeadamente no que toca à valorização das equipas e na qualidade do serviço prestado.

O presidente aproveitou para anunciar que, a partir deste mandato, a ADHP vai reabilitar a sua secção júnior, que entrará em funcionamento em Maio. Uma secção que fará a ligação entre as escolas e o mercado de trabalho.

E a formação é importante tanto mais que hoje um director de hotel tem de saber lidar com tudo relacionado com as unidades hoteleiras. Uma espécie de super-homens e super-mulheres.

No que concerne ao perfil do director de hotel em Portugal são profissionais com mais de 50 anos. 77% são homens e 23% são mulheres. Com uma média de 28 anos de trabalho e mais de 85% trabalham sem contracto a termo. O que significa, para Raul Ribeiro Ferreira, que “temos uma classe com experiência, que sabe o que está a fazer, uma classe que, todos os dias, traz mais valias aos empreendimentos, que todos os dias traz mais qualidade à oferta hotelaria em Portugal”.

por Alexandra Costa

1 COMENTÁRIO

  1. Falta de mão de obra?! Não! Infelizmente os que têm formação, NÃO vão ao setor hoteleiro trabalhar porque são, mal tratados, humilhados, explorados e mal pagos. Estes 4 palavras dizem tudo.

Comments are closed.