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TAP somou prejuízos de 1,2 mil milhões em 2020

Os prejuízos da TAP SA ascenderam a 1.230,3 milhões de euros em 2020, ano marcado pela pandemia da Covid-19, um agravamento superior em 12 vezes às perdas de 95,6 milhões de 2019.

De acordo com um comunicado enviado esta quinta-feira pela empresa à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o resultado líquido do ano passado foi negativo em 1.230,3 milhões de euros, um agravamento dos prejuízos de quase 1.300% face aos 95,6 milhões de euros de 2019.

A companhia aérea lembra que tal como em todo o sector da aviação a operação e os resultados de 2020 foram severamente impactados pela quebra de actividade em resultado da pandemia da covid-19.

No mesmo período, o número de passageiros transportados pela companhia aérea nacional caiu 72,7%, para 4,6 milhões, quando em 2019 tinha sido de 17 milhões, as receitas de passagens desceram 70,9% para 848,4 milhões de euros, quando no ano anterior tinham atingido mais de 2,9 mil milhões, e o índice de ocupação ficou nos 64,6% (tinha sido de 80,1% em 2019), tendo diminuído em 15,4 pontos percentuais, de acordo com o comunicado.

Os gastos operacionais da companhia ascenderam no ano passado a 2.024,9 milhões de euros no ano de 2020, um decréscimo de 1.226,6 milhões de euros (ou 37,7%) face ao período homólogo do ano anterior, maioritariamente explicado pela redução significativa dos custos variáveis indexados ao decréscimo da operação, em função da rápida decisão da empresa em ajustar a capacidade e das negociações havidas com fornecedores e lessors, assim como a redução dos custos com pessoal.

Nesta rubrica, os custos com pessoal diminuíram 38,2%, de 678,6 milhões para 419,7 milhões de euros – ou seja, menos 258,9 milhões – em resultado da menor actividade da empresa e, através da redução do quadro de trabalhadores pela não renovação de contratos a termo, da aplicação da medida de lay-off simplificado e, mais recentemente, da aplicação do regime de apoio extraordinário à retoma progressiva de actividade.

Já os custos com combustível para aeronaves tiveram uma redução de 67%, ou seja, de 529,2 milhões de euros face a 2019, enquanto os custos operacionais de tráfego sofreram uma redução de 456,6 milhões de euros (ou seja 56,6%), em resultado da queda da actividade a partir de Março de 2020.

A empresa aérea recorda que negociou já um acordo com a Airbus que permitiu reduzir o investimento nos anos de 2020-22 em cerca de 1.000 milhões de dólares, que alterou os contratos de aquisição de aeronaves das famílias A320neo e A330neo.

Por outro lado, a TAP afirma que as medidas tomadas perante os primeiros sinais da pandemia permitiram manter liquidez suficiente até à formalização do auxílio de Estado, de 1.200 milhões de euros, cuja primeira tranche foi recebida em 17 de Julho de 2020. As tranches subsequentes deste financiamento foram recebidas até 31 de Dezembro de 2020, o que levou a companhia a terminar o ano de 2020 com uma posição de liquidez de 518,8 milhões de euros, pode ler-se no comunicado.

A empresa aérea fechou o ano de 2020 com uma frota operacional de 96 aviões, um decréscimo líquido de nove aviões quando comparado com o final do ano de 2019, tendo entrado sete novos aparelhos Airbus ao serviço e saído 16, sendo que dois A332 foram convertidos para carga.

Resultado operacional equilibrado até 2023

Segundo a empresa, o plano de reestruturação ainda em avaliação pela Comissão Europeia assegura a sustentabilidade da companhia, prevendo que atinja um resultado operacional equilibrado até 2023.

– O negócio do Grupo TAP em 2021, e do sector aéreo em geral, irá naturalmente depender da evolução da pandemia e do plano de vacinação que ditará a velocidade da recuperação económica doméstica e internacional, principalmente nos países que são os principais mercados da TAP, destaca o comunicado.

Recorde-se que no início de Março, o Governo apresentou à Comissão Europeia uma notificação para a concessão de um auxílio intercalar à TAP de até 463 milhões de euros que permitirá à companhia aérea garantir liquidez até à aprovação do plano de reestruturação, solução que foi aceite.

Em 2020, a TAP voltou ao controlo do Estado, que passou a deter 72,5% do seu capital, depois de a companhia ter sido severamente afectada pela pandemia da Covid-19 e de a Comissão Europeia ter autorizado um auxílio estatal de até 1,2 mil milhões de euros à transportadora aérea de bandeira portuguesa.

Na apresentação dos resultados de 2020, a TAP faz notar que de acordo com os dados da IATA, o resultado líquido no sector da aviação em 2020 diminuiu significativamente, sendo esperados resultados negativos em todas as regiões num total de 118,5 mil milhões de dólares, valor que compara com 26,4 mil milhões de dólares em 2019.

Refira-se que, nesta senda de prejuízos, a TAP não está isolada na Europa. O comportamento da transportadora aérea portuguesa foi em linha com as suas congéneres europeias. A gigante alemã Lufthansa apresentou um prejuízo de 6,7 mil milhões de euros, a Air France/KLM de 7,1 mil milhões e a IAG (British Airways/Ibéria) de 6,9 mil milhões.

 



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