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Selo do Turismo de Portugal é fundamental para a imagem que se quer passar do País

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Entrevista com Raul Ribeiro Ferreira, presidente da ADHP

A Associação dos Directores de Hotéis de Portugal (ADHP) salienta que e em seu entender, que vão existir dois momentos que serão simultâneos no retomar da actividade hoteleira.

O primeiro momento, terá de haver com o retomar da confiança por parte dos consumidores e dos funcionários nas condições de segurança que o sector tem para fazer face à pandemia, sendo mais claro, é fundamental que os funcionários do sector sintam confiantes para que possam transmitir essa confiança aos clientes e aqui entramos no segundo ponto, que é a sustentabilidade económica das unidades, explica Raul Ribeiro Ferreira, presidente da ADHP, acrescentando que em cada dia se depara com uma realidade diferente. Ou seja, o que hoje é verdade, amanhã pode deixar de o ser, por isso não é altura de fazer grandes acções de Marketing, porque de repente podemos estar a promover uma coisa diferente do que o que está a acontecer.

No entanto, temos todos consciência que há algumas coisas que não vão mudar e por isso poderemos aproveitar para as promover. Por exemplo: o espaço amplo do interior do país, várias zonas de praias amplas, a nossa qualidade de serviço, o nosso clima, a qualidade das unidades hoteleiras, a animação complementar, a segurança, entre tantas outras coisas.

Para o presidente da ADHP, se não houver grandes alterações ao número de mortes e hospitalizados, mais perto do Verão também se poderá utilizar o bom comportamento e o cumprimento das normas que todos os portugueses tiveram para que os turistas se sintam seguros quando escolhem o destino Portugal.

Medidas como o selo do Turismo de Portugal (Cleans&Safe), é fundamental para a imagem que queremos passar do País.

Opção Turismo  Grandes crises trazem grandes aprendizagens. O que a ADHP absorveu com este momento?

Raul Ribeiro Ferreira – A principal lição que todos nós devemos tirar desta crise, é como não se pode gerir uma empresa a contar só com os bons resultados e não prever dificuldades inesperadas. Claro que depois da crise acontecer, é fácil dizermos que devíamos estar preparados para a evitar.

Opção Turismo  Várias unidades hoteleiras mantiveram-se abertas nesta crise. Acredita que hotéis/redes que continuam abertas terão alguma vantagem no pós-crise?

Raul Ribeiro Ferreira – Acredito que as unidades que se mantiveram abertas, durante a crise, se vierem a ter alguma vantagem, será de consolidação da confiança, em primeiro lugar dos seus colaboradores e de alguns clientes, que podem ver nisso a confiança de saber que determinada unidade se esforçou para manter os serviços para quem necessitou deles. No entanto, o mercado compreendeu que era inevitável o encerramento de grande parte do sector, se isso não tivesse acontecido e como se pode verificar, grande parte das empresas, não tinham forma de sobreviver.

Como é sabido, a ADHP é uma Associação profissional, sendo por isso o seu papel principal dar aos directores ferramentas para melhor poderem tomar decisões. E é isso que tem feito, disponibilizando documentação, retransmitindo ou participando em webinar, ou fazendo chegar as preocupações da operação ao Governo, entre outros.

MICE: Uma apostas para continuar

Opção Turismo  O segmento MICE é um mercado importante, nomeadamente para hotéis de 4 e 5 estrelas. Havendo talvez uma propensão para as conferências online e consequente diminuição de congressos, seminários e colóquios, qual o mercado alternativo que os directores de hotéis de 4 e 5 estrelas deveria tentar conquistar?

Raul Ribeiro Ferreira – Acreditamos que alguma correção nesse segmento irá acontecer essencialmente até ao fim do Verão, caso não haja uma segunda crise pandémica.

É verdade que ultimamente assistimos a um aumento das conferências ‘online’ derivado às restrições de circulação que todos nós conhecemos. No entanto, também se sente de uma forma cada vez mais evidente que a troca de ideias, através do modelo não presencial, faz perder uma parte fundamental que está na base das reuniões e encontros de trabalho, que é o contacto e o convívio entre  as pessoas.

Ainda sobre este tema, o nosso entrevistado comenta que se pode aproveitar algumas coisas boas desta experiência.

Raul Ribeiro Ferreira – Por exemplo, poderemos convidar especialistas de uma determinada área da empresa ou do conhecimento para uma reunião em que ele possa contribuir com a sua opinião, sem precisar de estar no local onde o encontro está a decorrer.

Daí acharmos, que a aposta neste segmento, é para continuar.

A retoma do sector

Opção Turismo  Como sairá o sector desta crise?

Raul Ribeiro Ferreira – O sector, na minha opinião, sairá reforçado porque percebeu o que hoje é verdade, amanhã pode ter desaparecido. Acredito que vamos fazer investimentos mais ponderados e com maior sustentabilidade.

Já em relação aos destinos que vão sair mais rapidamente da crise, considera que serão as zonas de lazer, que estarão em condições de receber a procura referente a férias, porque se espera uma retoma do mercado de férias e lazer, tanto nacional como de alguns destinos estrangeiros, já a partir do presente mês.

Opção Turismo  Quando a pandemia passar, quais serão as primeiras medidas a adoptar pela ADHP?

Raul Ribeiro Ferreira – Não é fácil responder a esta pergunta, porque entendemos que não vai haver a hora zero, mas sim, uma precessão do mercado que à medida que o tempo vai passando, deverá ir ganhando confiança e por isso não podemos dizer o que faremos numa certa altura, no entanto, acredito que retomaremos as antigas preocupações que o sector vinha demonstrando ao longo dos últimos anos, com o principal foco nos Recursos Humanos e agora com a sustentabilidade e rentabilidade das unidades.

E após a crise, como se comportará a hotelaria

Opção Turismo  Como perspectiva a rentabilidade resultante da sub-ocupação de espaços que poderá decorrer de eventuais normas de distanciamento entre clientes. Qual será o rátio quarto/empregado que a ADHP prevê?

Raul Ribeiro Ferreira – Não podemos esquecer, que a rentabilidade das empresas é que ditam a sua forma de actuação. Todos nós aceitamos as medidas orientadoras da DGS, até ao momento que elas ponham em causa a rentabilidade da operação.

Temos também de distinguir entre o que é dito que não corresponde à verdade nalguns órgãos da comunicação social, também o que dito por alguns parceiros do sector, que também poupam na verdade, com aquilo que vem nas orientações da DGS e principalmente com aquilo que o Governo, transforma em Lei.

Não prevejo alterações no rátio quarto/empregado.

Raul Ribeiro Ferreira considera que os principais desafios, para a hotelaria e para o director, é a confiança dos funcionários e clientes e a sustentabilidade das unidades a médio e longo prazo.

Em seu entender, o presidente da ADHP acredita que, quando “isto” passar a hotelaria nacional continuará a ser a mesma.

Raul Ribeiro Ferreira – Acredito que sim, que sairemos reforçados e espero que todos tenham aprendido, que ter boas equipas e bem geridas, pode fazer a diferença.

Tarifas e confiança

Opção Turismo  Muitos especialistas mostram-se preocupados com uma possível guerra tarifária na hotelaria após a pandemia passar. Quando esse momento chegar, será isso que fará a diferença?

Raul Ribeiro Ferreira – Não acredito numa guerra tarifária, após a pandemia, mas sim corremos algum risco durante a pandemia, com principal foco, durante os próximos meses. Principalmente, enquanto não forem retomadas as ligações aéreas em a confiança dos consumidores.

Acho que se cedermos à tentação do preço em vez de nos preocuparmos em arranjarmos outras formas de satisfazer o mercado esta época, pagaremos um preço alto no futuro.

Opção Turismo  Em seu entendimento, o que será mais crítico para um director de hotel nesse período inicial de retoma?

Raul Ribeiro Ferreira – O período mais critico para o director de hotel, no período inicial da retoma, passa pelos dois pontos já referidos atrás, não conseguir transmitir a confiança aos funcionários e clientes e não conseguir ajudar a Administração, a criar condições financeiras para a sobrevivência da unidade.

Ordem dos Directores e Congresso

Embora não seja novidade, o facto é que a ADHP continua com a intenção de criar uma Ordem para os directores de hotel. Mas o que pretende a ADHP com isso?

Raul Ribeiro Ferreira – Em relação ao assunto da Ordem, estamos a trabalhar afincadamente nessa matéria, continuamos a acreditar, que este sector merece os melhores profissionais, com o melhor conhecimento, que o mercado lhes possa dar, de forma a que as empresas possam exigir de nós o que precisam, para continuar a transformar a hotelaria, num sector mais rentável e mais atractivo, tanto para funcionários como para investidores, mas esta matéria, dava uma nova entrevista.

Quanto ao próximo Congresso, Raul Ribeiro Ferreira informa que o Congresso já foi remarcado.

Raul Ribeiro Ferreira –  O nosso Congresso está agora marcado para os dias de 15 a 17 de outubro, em Évora. E faremos tudo o que estiver ao nosso alcance para o poder realizar.

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