Início B1 RENA contra taxa de carbono de 2 euros por passageiro

RENA contra taxa de carbono de 2 euros por passageiro

A Associação das companhias aéreas em Portugal (RENA) está contra a taxa de carbono de dois euros por passageiro sobre as viagens aéreas, marítimas ou fluviais, conforme aprovado no Orçamento de Estado para 2021.

A aviação é um sector descapitalizado e o mais devastado pela crise provocada pela Covid-19, aponta o director executivo da RENA, apelando a que no futuro haja mais coordenação e não se repitam os erros recentes, como foi a interdição de voos por seis meses. António Moura Portugal defendeu o cancelamento da taxa de carbono de dois euros por passageiro.

António Moura Portugal, que participou na semana passada num webinar sobre o futuro do transporte aéreo disse que é fundamental que haja futuramente uma maior coordenação do Governo com todos os intervenientes e operadores do mercado da aviação, pois considera que isso é essencial para a retoma do sector e da economia.

– “O ponto essencial é que não haja obstáculos para além daqueles que a situação já nos coloca e que haja aqui apoio e coordenação com todos os ‘stakeholders’ e ‘players’ da aviação nacional”, defendeu.

Há “exemplos a não repetir” naquela que foi a resposta à situação pandémica, defende António Moura Portugal. E aponta-os. “Ao longo da pandemia assistimos a alguma esquizofrenia, em que, por um lado Portugal defendia a não existência de quarentenas, mas, por outro lado, foi o único país que manteve durante seis meses a interdição de voos”. “Aqui houve claramente falta de competência”, lamentou. E explicou porquê: o Governo aplicou uma restrição cega interditando os voos e não os passageiros.

– “Custa-me entender que, por um lado, se diga que há prioridade e que há apoio e que queremos apoiar os ‘players’ do sector, mas, por outro lado, se onerem as companhias e os passageiros com esta medida, que não vai reverter um cêntimo para o sector e para a reconversão do sector”, afirmou. Na mesma sessão, conforme o Opção Turismo já deu conta, a oposição à taxa de carbono foi manifestada de forma veemente pelo presidente do conselho de administração da ANA, José Luís Arnaut, e pelo presidente da Ryanair, Michael O´Leary.

“Foi uma descoordenação total entre países, cada país decidiu por si, ignoraram-se as recomendações da União Europeia, diria até que a própria Comissão Europeia perdeu uma oportunidade, porque não teve a coragem necessária para ter assumido verdadeiramente uma liderança e coordenar”, argumentou.

O secretário de Estado Adjunto e das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, veio em defesa da taxa de carbono, lembrando que o sector da aviação beneficia de outros apoios, e que o Governo tem de olhar para os transportes de uma forma global e integrada, sublinhando a relevância da ferrovia, e do apoio público que estes precisam.

O governante sublinhou ainda a importância de reflectir sobre as “práticas predatórias” que algumas companhias têm ao nível de preços e das leis de trabalho que ameaçam o sector, e devem ser debatidas e definidas ao nível europeu.

Medidas para estimular o sector

Por outro lado, a Associação das Companhias Aéreas em Portugal (RENA) defendeu esta terça-feira que os apoios governamentais às companhias aéreas devem ser universais para não distorcer a concorrência e propôs medidas para estimular o sector, reiterando que taxa de carbono é preocupante.

– “Para apoiar uma retoma mais rápida, os apoios dos governos deverão ser universais, para assim não haver distorção da concorrência ao estarem disponíveis para todas as companhias aéreas. Além disso, aumenta a procura, beneficiando toda a cadeia de valor da aviação e, assim, os passageiros e as economias locais”, afirmou a associação, em comunicado.

– “Não faz sentido criar encargos domésticos, onerar companhias e passageiros nesta fase, para arrecadar receitas para a ferrovia ou para outros meios de transporte quando a indústria está a investir muito em soluções ambientalmente aceitáveis (ao nível das aeronaves, do combustível)”, apontou o presidente da RENA, Paulo Geisler, citado na mesma nota.

O responsável considerou que no caso concreto de Portugal, os apoios devem ser focados no sector e em medidas que, não perturbando a concorrência, potenciem a inversão do percurso: negociação de redução de taxas com a ANA, acesso a programas de incentivo por todos os agentes do setor e um rumo claro na política aeroportuária.

Assim, a RENA propõe que os governos ajudem a estimular o mercado através da suspensão de impostos, taxas aeroportuárias, taxas de vistos e taxas de testes, medidas estas que melhoram a acessibilidade de viagens e ajudam as companhias aéreas, pois custos ‘externos’ mais baixos aumentam a procura.

A associação propõe também a criação de subsídios de rotas, para garantir a acessibilidade através da subvenção de rotas domésticas e incentivos para voos/lugares, podendo até as companhias aéreas operar rotas que sejam inviáveis em termos comerciais.

Outras propostas são a criação de incentivos financeiros por passageiros, lugares ou com base na taxa de ocupação, ‘vouchers’ para compras antecipadas de bilhetes para fazer face às necessidades de liquidez e apoiar a sustentabilidade financeira e o lançamento de programas que subsidiem viagens, incluindo voos e alojamento.

O presidente da RENA insistiu, ainda na importância da implementação de testes rápidos para o novo coronavírus a realizar nos aeroportos, com os resultados conhecidos antes do embarque.



Mais notícias em OPÇÃO TURISMO Siga-nos no FaceBook , Instabram ou no Twitter