Início B1 Presidente da AHP estima alguma recuperação só em 2022

Presidente da AHP estima alguma recuperação só em 2022

A AHP estima que no princípio do ano estarão encerrados cerca de 75% dos hotéis em Portugal, com perdas de cerca de 80% das receitas habituais do turismo e da hoteleira em geral.

Em entrevista ao jornal Dinheiro Vivo, Raul Martins refere que são perdas que demoram muito tempo a recuperar. “Não podemos pensar que para o ano, ou em dois anos, recuperamos estas perdas”, realçando que 2021 será a meio gás e que 2022 já poderá ser de recuperação – mas longe dos valores de 2019.

“Em 2022 ainda não chegaremos aos níveis de 2019. O que quero dizer com isto é que 2021 vai ser ainda um ano de resultados negativos para a hotelaria em geral. Mas 2022 será positivo”, destacou.

Mas “é muito duro passar, como passámos, quase oito meses sem clientes e sabemos que temos mais alguns meses pela frente com muito poucos clientes também”, disse o presidente da AHP, para lembrar que há dificuldades de viagem em termos sanitários seguros; há eventos que se organizavam e que este ano não aconteceram e para o ano vão organizar-se menos. A aviação prevê que só em 2024 se chegue próximo dos níveis de 2019. “Em Portugal, que depende em mais de 90% do transporte aéreo, temos de olhar para o que a aviação pensa para podermos pensar parecido. Os analistas mundiais pensam que 2022 já vai ser um ano positivo. Mas acredito que só em 2024 é que estaremos ao nível de 2019.

Raul Martins assegurou que “não está em causa a sobrevivência de muitas unidades hoteleiras na medida em que, o Governo, na primeira vaga foi lesto e teve medidas muito concretas. No entanto, a segunda vaga veio e o Governo agora trouxe novas medidas, tarde. Algumas unidades vão ficar pelo caminho certamente, mas não terá um impacto se as medidas que estão para ser publicadas, o seu desenho for correspondente às necessidades”.

O presidente da AHP avançou ainda que “estamos todos muito interessados em manter os postos de trabalho – tanto o Governo como a hotelaria – porque são funcionários que têm formação. Todos queremos guardar as pessoas para quando houver retoma. Se tivermos apoio de tesouraria, garantido pelo Estado, só quem não quiser é que não o utiliza”.

Raul Martins avaliou ainda o plano de reestruturação da TAP. A propósito referiu que “quando se olha para a TAP tem de se olhar como qualquer empresário olha para uma empresa: são para serem rentáveis, que é para poderem ter um resultado positivo. Aquelas que não sejam rentáveis têm de cumprir uma função pública e são subsidiadas. O que é importante é olhar para a TAP nessa perspectiva e não numa situação mais ou menos megalómana, com alguns objectivos que mais tarde virão a ser encontrados porque é que a TAP cresceu tanto. Temos ideias concretas sobre isso”, para acrescentar que uma companhia aérea pública tem de servir mais os interesses e tem de ir a todos os aeroportos. “Não é aceitável que a TAP não tenha mais transporte aéreo para o Porto e para o Algarve”.



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