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ADHP quer criar a Ordem dos Directores de Hotel

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Entrevista com  Raúl Ribeiro Ferreira, presidente da Associação dos Directores de Hotéis de Portugal (ADHP)

Face à desregulamentação da carreira de gestor hoteleiro, há mais de seis anos, e o facto de não ter conseguido até ao momento ganhar essa batalha, a Associação dos Directores de Hotéis de Portugal (ADHP), fala de uma possível criação da Ordem dos Directores de Hotel, assunto que está a ser trabalhado por advogados e juristas.

Em entrevista ao Opção Turismo, Raúl Ribeiro Ferreira, presidente da ADHP, não tem dúvidas em afirmar que esta é a sua principal preocupação, e sublinha que, numa altura em que o sector tem um grave problema de falta de mão-de-obra, qualificada e desqualificada, é necessário reconhecer as competências dos profissionais.

– Quais são as principais preocupações neste momento da ADHP?

A carreira dos directores de hotel será sempre a base da nossa preocupação porque queremos promover a qualidade de serviço desses responsáveis enquanto função, enquanto desempenho e como responsáveis máximos das unidades hoteleiras.

Todas as preocupações da Associação partem dessa base, ou seja, a necessidade do seu reconhecimento público.

Por outro lado, temos a questão dos Recursos Humanos. Enquanto responsáveis de equipas, queremos que as elas tenham condições para trabalhar. Para nós é importante ter pessoas formadas e o objectivo não é importar mão-de-obra a qualquer preço e de qualquer maneira. Esse não pode ser o futuro, mas é esse o discurso que começa a proliferar no sector.

– É por isso também que a ADHP tem desempenhado também um papel importante na formação?

Colaboramos com as várias escolas com formação em gestão hoteleira, e achamos que devemos fazer a diferença nesses contactos, levando até elas a necessidade que o mercado tem de formação. É por isso também que temos lugar nos conselhos gerais, nos conselhos consultivos de escolas, e nos júris dos mestrados e dos especialistas, no sentido de levarmos à formação aquilo que é a preocupação do mercado de trabalho, e para que os alunos saiam com o maior número de qualificações para responder hoje às necessidades de um mercado altamente exigente e que se tem modernizado. Pelo ganho de produtividade que tem tido, exige cada vez mais às pessoas.

– Nunca conseguiram ganhar a guerra da desregulamentação da carreira do gestor da hotelaria. O que é que a Associação tem feito pelo menos para minimizar a situação?

Não conseguimos inverter essa marcha até ao momento. Assim, entendemos fazer outro caminho, não deixando de chamar a atenção de que foi um erro crasso, e que se devia voltar atrás.

Neste sentido criámos na Associação uma própria certificação do director do hotel, no caminho do reconhecimento da profissão, que algumas unidades e grupos hoteleiros já aderiram. Queremos tornar essa certificação cada vez mais visível.

Para além disso, estamos a trabalhar na criação possível criação da Ordem dos Directores de Hotel, que ajudaria a Associação em alguma regulamentação da profissão, não de acesso ao mercado, pois este continuaria a ser livre, pois o contrário só seria possível através de uma alteração legislativa, mas quando uma pessoa contrata um director de hotel saberia que aquele profissional reuniria uma série de condições, estaria sob um código deontológico, teria uma série de pressupostos e que garantiria ao empresário a rentabilidade do negócio.

– Em que pé está a questão?

Está a ser trabalhada por advogados e juristas para que possa avançar. É uma matéria que não cabe só a nós. Exige um trabalho jurídico grande, e está a ser feito. O assunto já foi abordado com vários membros do Governo, mas é um caminho que se está a trilhar.

Também temos sensibilizado os directores de hotel e os empresários de que não é objectivo criar uma classe elitista, mas uma classe preocupada com a garantia da qualidade dos serviços e da rentabilização.

Não percebo como é que um empresário gasta milhões de euros numa unidade hoteleira e pode pôr qualquer pessoa a geri-la.

– São esses assuntos que estarão na agenda dos debates no próximo congresso da ADHP, em Évora, de 2 a 4 de Abril, com o tema ‘Hotel 4.0- o futuro começa agora’?

São essas preocupações que vamos levar ao congresso, fazendo a ponte com as informações que existem, isto porque o crescimento do número de turistas foi ‘comido’ pelo número de novas unidades hoteleiras que abriram.

Há novos desafios e queremos dar aos directores de hotel sinais e caminhos que possam ter para o seu futuro e para a rentabilidade das unidades que dirigem. Também vamos falar de inovação e sustentabilidade económica, social e ambiental.

 

 

 



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