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Percorrer os passos de Bordalo Pinheiro nas Caldas da Rainha

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A pandemia da Covid-19 deixou-nos sem espaço para conhecer outros mundos, mas lembrou-nos que temos um Portugal inteiro para descobrir, um Portugal cheio de novas experiências. E por falar em experiências, nas Caldas da Rainha podemos descobrir ruas e ruelas, praças e recantos, indo ao encontro de Rafael Bordalo Pinheiro, numa mistura perfeita de tradição e criatividade.

Nas Caldas da Rainha, a herança de Bordalo Pinheiro está por toda a parte: da fábrica de faianças aos ceramistas, da Escola de Arte e Design ao Teatro, mas também nas ruas, onde se confundem as homenagens a este artista popular, com o cheiro das hortaliças e legumes que se cultivam nas redondezas, das flores, das maçãs de Alcobaça ou da pera-rocha do Bombarral. Cheiros esses que, a partir da Praça da Fruta, emanam por toda a cidade.

Mas Caldas da Rainha cheira também a legado desse artista maior que foi Rafael Bordalo Pinheiro. Viajar pela cidade é um exercício de regresso ao passado, mas também de descoberta da chamada Rota Bordaliana.

Por isso, talvez a melhor forma seja começar pela rota Bordaliana, um percurso cultural e artístico com mais de 20 figuras de cerâmica, construídas à escala humana, de 1,80 metros de comprimento.

Lá estão o zé-povinho, o padre-cura, a saloia, as rãs, sardões e caracóis, mais as folhas de couve em tom do tradicional ‘verde-caldas’, esta cor vibrante reproduzida também nas paredes revestidas em azulejo.

Desde o posto de informação turística, passando pelo Parque D. Carlos, uma espécie de floresta encanta que encerra todo o naturalismo e romantismo com que o arquitecto Rodrigo Berquó o desenhou, nos finais do século XIX, e que a pouco e deixa o seu estado de degradação para dar vida a um hotel, até às ruelas onde o comércio reiventa-se, com lojas e cafés tradicionais que, teimosamente resistem, vamos descobrindo o artista da terra, que também não deixou de estar presente nas ruas mais movimentadas e as principais praças da cidade, como são o do Câmara Municipal ou o Centro Cultural e de Congressos. Há figuras nas paredes e até penduradas em árvores.

Caldas da Rainha deve o seu nome à sua fundadora, a Rainha D. Leonor, que ali mandou erguer um hospital termal para que o povo pudesse usufruir das propriedades terapêuticas das suas águas, mas é sobretudo marcada pela história do renomeado artista, conhecido pelas suas obras de arte. Bordalo Pinheiro começou em 1884 a sua produção cerâmica na Fábrica de Faianças nas Caldas, tendo desenvolvido azulejos, painéis, potes, centros de mesa, jarros bustos, pratos, perfumadores, jarrões e animais agigantados, sem faltar a figura popular do Zé Povinho.´

Desenhado para ser feito a pé

Num investimento de 122 mil euros, o município desafiou a fábrica Bordalo Pinheiro, criada em 1884 pelo artista, e actualmente gerida pelo Grupo Visabeira, detentor da Vista Alegre, a construir e espalhar estas 20 figuras pela cidade termal, mas também artística.

Com esta rota, a autarquia quer não só homenagear o artista, como trazer às gerações mais novas as memórias e a história da cidade ligadas a Rafael Bordalo Pinheiro.

O percurso está desenhado para ser feito a pé e ao ritmo de cada turista a partir de orientações que podem seguir numa aplicação instalada no telemóvel e pode ser feito em cerca de duas horas (o mais longo) ou em apenas uma (o mais curto).

A rota termina na fábrica Bordalo Pinheiro, cuja loja ainda hoje vende réplicas construídas em cerâmica a partir dos moldes originais do artista.

O mais famoso de todas as artes populares portuguesas está em frente da Câmara Municipal e com o olhar dividido entre o Tribunal e a Igreja.

Outra figura popular é o Polícia. Está no pátio do posto de Turismo e de uma antiga esquadra. Ao lado tem um sardão. O Padre-cura também é muito conhecido. Está na traseira da igreja Nossa Senhora da Conceição. A base e o corpo estão articulados por um arame o que permite algum movimento. Esta técnica de Bordalo também foi aplicada na Ama das Caldas que está no cimo da escadaria do Centro Cultural e Congressos. A Saloia é outra mulher caricaturada e está próxima do parque D. Carlos I. Rafael Bordalo Pinheiro tinha uma predilecção por gatos e há dois em tamanho gigante que fazem parte deste roteiro. Um é o Gato a Caçar e está em pose de ataque. O outro é o Gato Assanhado e está todo hirto, com a cabeça, pernas e rabo levantado. Está numa rua pedonal mesmo em frente das calmas andorinhas que voam na parede do terminal rodoviário. Aqui vale a pena entrar na gare e ver os azulejos colocados na parede.

Deste roteiro fazem ainda parte uma vespa, um lobo a uivar, sardões, tartarugas, caracóis e cogumelos. Quase todas as obras de cerâmica reproduzem modelos antigos e alguns são de peças que estiveram na Exposição Universal de Paris em 1889.

Em todas as instalações do roteiro há um painel informativo. No Turismo pode-se também obter um roteiro. Uma das formas mais fáceis de fazer a visita e obter a informação contextualizada é com a aplicação para telemóvel.

Carolina Morgado



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