Início Opção Turismo Para ver em Lisboa: procissão do Corpus Christi em exposição na Graça

Para ver em Lisboa: procissão do Corpus Christi em exposição na Graça

Lisboa e os seus muitos bairros populares, descritos e cantados pelos mais diversos artistas, autores e compositores não só em Portugal, mas também pelo mundo fora, escondem recantos, ruelas e histórias, que valem a pena percorrer a pé e descobrir.

É o caso do bairro da Graça, com as suas típicas vilas e a Baixa a seus pés. Na mais alta das 7 colinas, neste bairro consegue-se ainda sentir a genuína atmosfera lisboeta e as suas gentes, que coabitam em perfeita harmonia com os moradores que mais recentemente se juntaram, incluindo muitos estrangeiros que se deixaram cativar por esta zona prestigiada de Lisboa. Hoje os turistas já são muito menos, mas os portugueses, residentes na capital, ou que venham de outros pontos do país, não devem perder as melhores vistas de Lisboa a partir dos miradouros da Graça.

Dizia alguém que Lisboa descobre-se a partir dos miradouros da Graça, do Castelo de São Jorge, ao relógio do arco da Rua Augusta, das Amoreiras ao Hotel Ritz, até chegar ao Sheraton Lisboa. Então o convite é descobrir estas encostas do sobe e desce, e conhecer os feitos de um dos seus mais ilustres moradores.

Entre 1944 e 1948, o empresário Diamantino Tojal concebeu 1587 figuras em miniatura, em barro não cozido, que retratam a procissão do Corpo de Deus (Corpus Christi) como seria no século XVIII, sob a regência do Rei D. João V. É esta exposição que pode ainda ver no Convento da Graça (Largo da Graça) até à próxima segunda-feira, dia 11 de Outubro. A entrada é gratuita entre as 10h00 e as 17h00.

Diamantino Tojal, um empresário de sucesso, que viveu numa das muitas vilas da Graça, neste casa na Vila Berta, e que, apesar de não ser particularmente religioso, tinha forte espírito bairrista, ligado que estava ao seu bairro. Apresentou a colecção pela primeira vez publicamente em 1948, no Palácio Galveias.

Esta exposição de miniaturas mostra, no seu percurso, pelas ruas de Lisboa, um desfilar de confrarias, irmandades e comunidades bem como a massa humana que acompanhava o cortejo.

As próprias figuras, simples e despreocupadas, têm valor sobretudo documental e constituem um contributo para a representação de costumes e tradições lisboetas, uma forma pessoal de ver a procissão do Corpo de Deus e não rigorosamente como terá sido, mas é o olhar de Diamantino Tojal.

Para percebermos bem esta exposição, conta a história que as  festividades  para  assinalar  a  Sagrada Eucaristia  (ou  Corpo  de  Deus) tiveram origem  na  Bélgica, no  século  XIII, por  iniciativa  de  Santa  Juliana  de  Cornillon  (n.  1191).

Autorizadas, pela primeira vez, na diocese de Liège  em  1246, comemorações  semelhantes surgiram  rapidamente  um  pouco  por  toda  a Europa e, pela bula Transiturus de hoc mundo, de  11  de Agosto  de  1264, o  Papa  Urbano  IV (c.  1195-1264)  inscreveu-as  no  calendário litúrgico  cristão,  na  quinta-feira  seguinte  ao primeiro domingo depois do Pentecostes.

Em 1316, durante o episcopado do Papa João XXII (1316-1334), com a inscrição das festividades na  lei  canónica  perante  a  adesão  crescente dos fiéis, decidiu-se adicionar uma procissão à liturgia, com a função de transportar a hóstia pelas ruas das dioceses ou paróquias.

Diamantino Tojal possuía o curso do Instituto Industrial de Lisboa e especializou-se depois na Alemanha. Teve larga actividade como construtor civil e foi responsável por diversas obras em todo o país, tais como o Instituto Português de Oncologia, em Lisboa, a Igreja de São João de Brito, o Hotel Ritz e os antigos Armazéns Grandela.

Faça uma visita descontraída pelo bairro da Graça, não deixe de conhecer a arquitectura da Vila Berta, tão peculiar, sem um centro, sem um infinito, descendo ou subindo, dependendo da forma como queremos ver Lisboa.

 



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