A operação Timor tem vindo a correr bem. Pode dizer-se mesmo que tem estado a correr muito bem e dentro das nossas perspectivas. Quem o diz é José Manuel Antunes, director-geral da Sonhando que, juntamente com a companhia aérea euroAtlantic airways (EAA), estão a ligar Portugal a Timor e este país do sudoeste asiático ao mundo.

Há dias aconteceu o nosso 6º voo para aquele destino e nele estiveram passageiros que vieram da Índia para Portugal para depois seguirem para Timor no avião da EAA, destaca o nosso interlocutor frisando que têm tido não só passageiros de países europeus como também do Oriente e das Américas, como é o caso de Cuba, Brasil e Colômbia, entre outros.

A operação não tem sido fácil, mas a intensificar esse esforço está também a parte humanitária e social e até emocional,  por via de uma forte e duradoura  ligação de amizade entre José Manuel Antunes, Luís Represas e o falecido Presidente da República Jorge Sampaio.

A operação Timor é sempre um grande desafio para o agente de viagens nomeadamente quando se pode ligar o profissionalismo da nossa profissão a uma causa social.

Claro que para esta operação tanto a Sonhando como a euroAtlantic têm de pensar, e bem, na rentabilidade económica de cada voo, como é evidente.

É certo que temos vindo sempre a ganhar, mas tudo depende do número de passageiros que transportamos. É um risco. Um risco enorme, porque em cada voo estão em risco algumas centenas de milhar de euros, muito perto do meio milhão de euros, adianta o director-geral da Sonhando salientando que não existe qualquer tipo de ajuda para o desencadear da operação. Para atenuar, digamos assim, o avião tem transportado alguma carga, sobretudo diplomática, mas residual.

No entanto, os últimos dois voos da EAA, a aeronave levou também 25 mil vacinas e 135 mil vacinas covid-19, respectivamente, oferta do Governo português a Timor, uma vez que o avião da EAA tem uma grande capacidade para transporte de carga. Algo que não poderia acontecer em voos regulares que levam três dias a chegar a Timor. Isto é outra coisa que nos incentiva a manter esta ligação a Timor, já que se tem levado também muito material escolar, equipamento e material para laboratórios, etc.

Até funerais, digamos, temos feito. Ou transportando a urna ou esta e alguns familiares do defunto. E não são assim tão poucos como se possa imaginar.

Uma nódoa surreal

Mas, porque há sempre um, “mas”. E, no caso das ligações Lisboa-Dili-Lisboa, também aconteceu algo de surrealista.

A Escola Portuguesa de Timor (EPT), que vive essencialmente para não dizer a 100%, de subsídios do Governo português, através do Ministério da Educação e do Instituto Camões. Para José Manuel Antunes, a EPT tomou uma decisão unilateral e muito estranha de “retirar” à Sonhando e, consequentemente, à EAA, o habitual, embora sazonal, transporte de professores portugueses para Timor.

Aliás, diga-se em abono da Verdade, que nós tínhamos feito um acordo com a escola para fazer coincidir o voo com o início do ano escolar. Apesar disso, o director da EPT tomou uma decisão totalmente bizarra e absurda de ‘revanche’, explica José Manuel Antunes revelando que a entidade comentou com terceiros que estavam à espera de um desconto.

Uma história mal contada, mesmo muito mal contada, baseada numa troca de palavras com o comandante do nosso avião e administrador da euroAtlantic, comandante Mário Alvim.

O que é certo é que os 74 professores foram para Timor de uma maneira que se pode considerar de desumana, via Istambul e Amesterdão, numa viagem que demorou três dias e apenas com direito a 23 kg de bagagem, para estarem perto de 10 meses em Timor.

Acrescente-se ainda que a bagagem chegou apenas mais de uma semana depois da chegada do grupo, e não deveria estar em muito bom estado.

A bagagem, para além de ter ficado retida uns dias em Kuala Lumpur e só depois seguiu para Jacarta. Da capital da Indonésia, por terra e mar, percorrendo uma distância de mais de 3.100 km, chegou finalmente a Timor.

É simplesmente absurdo, e repito, desumano, o que fez a EPT a estes professores!

José Manuel Antunes chama ainda atenção para o facto de o valor económico da viagem ter sido dado a uma empresa estrangeira que nem sequer faz parte da Comunidade Económica.

Acresce ainda o enorme incomodo e risco sanitário de duas escalas, em comparação com o voo da EAA, que é directo, pois faz apenas uma breve escala no Dubai, para reabastecimento.

Em vez das viagens terem sido compradas a nós, empresas portuguesas que arriscam na operação, foram adquiridas a companhia aérea estrangeiras, ressalva o José Manuel Antunes, frisando que temos tido as melhores relações com o Ministério da Educação, Juventude e Desporto de Timor Leste, sobretudo com o Projecto CAFE (Centros de Aprendizagem e Formação Escolar), com um diálogo permanente e constructivo.

Á conquista dos voos regulares para Timor

– Transformar esta grande operação em voos regulares é, para ser franco, a nossa intenção, diz o nosso entrevistado, explicando que ainda não se sabe quando isso possa vir a acontecer ou, até mesmo, o número de frequências. Tudo depende da dimensão do mercado.

Pensando bem as coisas, o voo para/de Timor já está a ser regular, uma vez que tem vindo a acontecer quase de dois em dois meses. Ou seja, no espaço de 16 meses fizemos seis voos e daqui a dois meses faremos o sétimo e iremos fazer um outro em Fevereiro, mais propriamente no dia 13.

Tudo depende do fluxo de passageiros, segundo o director-geral da Sonhando, relembrando que a operação se iniciou, sobretudo, com o transporte de professores.

O certo é que mesmo sem os professores o nosso último voo correu muito bem. Tivemos passageiros de 17 nacionalidades diferentes, o que é altamente relevante.

Ainda em relação ao último voo da dupla Sonhando e euroAtlantic airways, chegaram passageiros de todo o mundo que vieram a Lisboa para o voo com destino a Dili.

Para terminar, apenas mais uma nota: quando o nosso interlocutor diz com certa vaidade, de todo o mundo, apontem-se passageiros da Colômbia, Venezuela, India, Sri Lanka, Bolívia, de vários países europeus, nomeadamente, Itália, França e Espanha. A estes, junta-se também um grupo de médicos de Cuba e Brasil que vieram a Lisboa apanhar o avião para Timor.

Luís de Magalhães



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