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A França pediu recentemente à Comissão Europeia para que seja criado um imposto sobre a aviação, para que a Europa reduza a sua dependência desse meio de transporte altamente poluidor.

Por sua vez, o presidente da Lufthansa e também agora chairman da IATA, Carsten Spohr, pediu um adiamento porque a aviação está a crescer exageradamente.

Refira-se ainda que todos os candidatos a presidente da Comissão Europeia apoiam o pedido da França.

Recorde-se que a Holanda aprovou um imposto que se aplicaria se e somente a União Europeia nada fizer.

E a isto, junte-se ainda a subida dos verdes que se tornaram mais fortes com o aumento da sua presença no parlamento europeu.

Conclusão: já se pode imaginar o que irá acontecer e é bom que se comece a habituar a essa ideia.

No entanto, saliente-se, que por trás de tudo isso há um cinismo evidente, a saber:

– Macron, que agora quer taxar os aviões, anunciou um aumento nos “gasóleos”, mas recuou porque, embora eles  também sejam poluidores, afectam os agricultores e os camionistas franceses;

– A Holanda aprovou um imposto que afecta todos os passageiros que descolam da Holanda, mas não aqueles que chegam de outros países, mudam de avião e voam novamente. Porquê? Porque estes últimos são o centro dos negócios da KLM e a Holanda é muito ecológica, mas atente-se que a sua companhia aérea de bandeira não está em perigo;

– A oposição francesa exige que Macron proíba voos de avião em paralelo com as rotas dos comboios de alta velocidade, mas o governo francês não quer tocar nesse assunto.

– Por sua vez, o ministro do Meio Ambiente que se diz ecologista, afirma que isso não pode ser feito porque significaria o acabar praticamente com a aviação dentro da França. Mas, na verdade, o que ele quer dizer é que isso significaria acabar com a Air France, porque as viagens da empresa semipública são aquelas que se sobrepõem ao TGV.

Ou seja, são todos mega ecológicos se e somente se não forem afectados seriamente.

Mas, a “coisa”, é que a aviação de ultra-curta distância tem os dias contados, como se costuma dizer.

Luís de Magalhães

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