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Miguel Frasquilho admite: TAP vai ter que encolher

O presidente do Conselho de Administração da TAP, Miguel Frasquilho, admitiu esta segunda-feira, que no plano de reestruturação, a companhia aérea vai ter que encolher, mas assegurou que ela precisa de uma dimensão mínima para continuar a defender os interesses do país.

Numa conversa ‘online’ com o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, para debater os transportes e as acessibilidades em tempos de pandemia da Covid-19, no âmbito da V Cimeira do Turismo Português – ‘Turismo pós-covid’ promovida pela CTP para assinalar o Dia Mundial do Turismo, Miguel Frasquilho, frisou, no entanto que a intenção não é que a TAP seja uma TAPzinha.

É natural que a TAP vá encolher, mas nós não queremos que essa dimensão seja impeditiva que a TAP continue a servir os interesses do país, acrescentou Miguel Frasquilho, sublinhando que há um nível a partir do qual não é possível reduzir a frota, sem pôr em causa aquele serviço. A ideia, disse, é repor a dimensão da frota à medida que as perspectivas de retoma forem melhorando.

Sendo um parceiro importante para o turismo, o executivo garantiu que a companhia aérea portuguesa vai manter a sua aposta nos Estados Unidos, embora com menos rotas, e no Brasil, acrescentando o destino Maceió como estava previsto, lembrando sempre, durante a conversa, que só em 2024 a actividade aérea voltará aos patamares em que se encontrava em 2019.

O presidente do Conselho de Administração da TAP assegurou também ao sector do turismo que o hub de Lisboa é para manter, e que os restantes aeroportos do país (Porto, Faro, Açores e Madeira) não serão esquecidos, sobretudo a região Norte, a mais empreendedora, apesar dos mais entendidos.

Em defesa contra as acusações da Associação Comercial do Porto, esclarece que, para o período entre Outubro de 2020 e Março de 2021, a empresa tem apenas 2 novas rotas, uma com partida de Lisboa, e outra à saída do Porto.

Frasquilho sublinhou que o aeroporto do Porto estava, aliás, nas previsões de grandes apostas da TAP para 2020, não fosse a chegada da pandemia. Em relação ao Algarve, embora não tenha adiantado muito em relação a ligações directas para outros países, nomeadamente europeus, o executivo assumiu que o hub de Lisboa vai proporcionar melhor serviço aos passageiros vindos e chegados da região, com menor tempo de conexão.

O Conselho de Administração da TAP assegura que a companhia continua a colaborar com todos os agentes económicos, nomeadamente associações empresariais e entidades regionais de turismo, para viabilizar o maior número de oportunidades, adicionar e ajustar os planos de rota, por forma a procurar ter um serviço ainda melhor e mais próximo, a partir de todos os aeroportos nacionais onde a TAP opera.

Salvaguardar postos de trabalho

Quanto aos trabalhadores, Miguel Frasquilho reiterou que a salvaguarda do emprego é uma preocupação muito grande da empresa, mas admitiu não estar ainda em condições para avançar com números da redução de trabalhadores, que poderá ocorrer por via da perda de dimensão. Infelizmente, diria que os sacrifícios vão continuar. A forma desses sacrifícios, ainda estamos a trabalhar nisso. Já não vai demorar muito tempo, assegurou, referindo que o plano de reestruturação estará certamente pronto até ao fim de Outubro.

Recorde-se que o Conselho de Ministros aprovou em 17 de Julho a concessão de um empréstimo de até 1,2 milhões de euros à TAP, em conformidade com a decisão da Comissão Europeia. Neste âmbito, o Estado português passa a deter uma participação social total de 72,5% e os correspondentes direitos económicos na TAP SGPS, pelo montante de 55 milhões de euros.

A CTP refere que, no âmbito destas web conferências, a primeira que contou com a intervenção de Paulo Portas, vice-presidente da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa foi um sucesso, tendo contado com mais de 700 participantes.

A V Cimeira do Turismo Português – ‘Turismo pós-covid’ terá ainda uma sessão online no próximo dia 22, culminando no dia 28 de Setembro, segunda-feira, com uma conferência presencial, na Fundação Calouste Gunbenkian, em Lisboa.



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