Angola apareceu em 2008 por um determinado acaso sem que eu estivesse à espera, através de um convite que me foi dirigido pessoalmente de um alto quadro superior de um banco angolano, para gerir uma agência de viagens que tinha sido comprada por um banco angolano e que pretendiam ser a maior agência de viagens de Angola e expandirem-se para Portugal e Brasil. Quem o diz é José Luís Fonseca, director e sócio maioritário (90%) da agência de viagens Megatours, sedeada em Luanda, Angola.
Depois de algumas conversações e bastante resistência à proposta, nomeadamente porque a família estava em Portugal, foi convidado por ele a visitar Angola. Queriam falar comigo pessoalmente a fim de me exporem as suas pretensões e para eu analisar a proposta que tinham para me fazer. E lá fui.
– Na verdade, as expectativas eram boas, o projecto interessante e uma proposta irrecusável. E assim, teve início a minha vida em Angola.
Em meados de 2008, José Luís Fonseca apercebeu-se nãpo só que havia problemas na Administração do banco, pela saída de alguns quadros superiores como também que o projecto da agência de viagens e tour operador já não era de um interesse tão relevante como me tinha sido falado inicialmente.
Conclusão, acabou por sair do projecto, num processo muito cordial e amigável.
E assim nasceu a Megatours
– Nesse mesmo ano, em conjunto com uma administradora que também pediu demissão, formamos a Megatours com o capital social de 50%-50%, com o propósito de abrir as aéreas de Outgoing e de Incoming e paralelamente um departamento de grupos vocacionados ao turismo religioso do qual somos líderes de mercado desde então até à presente data.
Tempo mais tarde, a sócia angolana, por razões de saúde, teve que abandonar Angola por um período largo de tempo.
Face a essa situação, José Luís Fonseca adquire os 50% da sua sócia passando a deter todo o capital.
– Mais tarde, decidi ceder 10% do capital ao meu colaborador, Lugigilo Vangue, que ainda se mantém comigo.
Quem é José Luís Fonseca, hoje director geral da Megatours?
José Luís Fonseca continua a ser o profissional que iniciou a sua actividade na Paneuropa em 1971, tendo passado alguns anos depois para a Abreu.
Mais tarde, em 1990, fundou a sua própria agência, a Brotur. E 10 anos depois vende a agência à Star, onde esteve durante três anos como director geral.
“E, após essa decisão encerrei um capítulo da minha vida como agente de viagens em Portugal”.
Depois foi até ao Brasil, mais propriamente a São Salvador da Bahia, onde fundou a Travelmaster, vocacionada em 90% ao Incoming e 10% ao Outgoing, tendo feito algum tempo depois uma parceria com a Master Turismo localizada em Belo Horizonte.
“Como tinha a família em Portugal e a minha adaptação ao Brasil não foi fácil, decidi vender a empresa e regressar a Portugal”, diz José Luís Fonseca acrescentando que a sua intenção era mesmo encerrar a sua carreira na área do turismo.
– “Mas, como já referi, apareceu o convite de Angola e assim continuei a minha carreira no turismo, sabe-se lá até quando”.
– Tem a Megatours alguma parceria com operadores ou agências de viagens em Portugal?
– Sim existe uma parceria com a Lusanova que assenta sobretudo nos circuitos. Isto, porque a Megatours tem um departamento de Turismo Religioso muito forte, realizando vários grupos que têm destinos como: Portugal, Portugal & Espanha, Circuito Italiano, Lourdes, entre outros. Para Israel, operamos directamente.
– O que distingue a Megatours das outras agências de viagens em Angola?
– A única e forte diferença que posso apontar é o facto de sermos a única agência de viagens que organiza grupos de turismo religioso. Desde há muitos anos que temos excelente relação com as várias entidades religiosas em Angola e também com a Rádio Ecclesia onde regularmente fazemos um programa sobre destinos turísticos.
Todavia, não é só no Turismo Religioso que a Megatours se sobressai.
– Somos também bastante fortes no ‘business’, prestando um serviço diferenciado ao cliente, para além de muitas outras facilidades, incluindo a programação própria e à medida.
– Como foi o ano de 2020?
– 2020 estava projectado ser o nosso melhor ano a todos os níveis. Mas, infelizmente, devido à crise da pandemia da covid-19, que atingiu o mundo, ficamos mesmo muito longe dos objectivos traçados por antecipação no nosso planeamento, afirma o nosso entrevistado, destacando que também a depreciação da moeda angolana (Kwanza) e as constantes oscilações cambiais, a par da não só grande dificuldade em conseguir-se comprar divisas na banca como também a dificuldade nas transferências bancárias para o exterior, podem também ajudar a justificar o facto de a Megatours não ter alcançado os seus propósitos.
– Acrescento que nem mesmo foram totalmente alcançadas as metas rectificadas que fizemos como alternativas.
A terminar esta troca de impressões e abordando a experiência como agente de viagens do nosso entrevistado, perguntámos que diferenças mais notou entre o trabalhar em Portugal e em Angola.
– Desde logo e em primeiro lugar, a diferença cultural existente entre os povos, o que é absolutamente natural, destaca José Luís Fonseca explicando que também os conceitos e maneira de trabalhar em Angola são diferentes aos da Europa.
– Por outro lado, temos a questão relacionada com a insegurança que é sempre de ter rem conta, a par do custo de vida que é muito elevado. Angola é um dos países mais caros do mundo.


Mais tarde, em 1990, fundou a sua própria agência, a Brotur. E 10 anos depois vende a agência à Star, onde esteve durante três anos como director geral.