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Abriu esta semana no Parque das Nações, em Lisboa. o nome, L’Origine, pretende homenagear as origens dos menores, Chakall e Roberto Mezappelle, remetendo para a Itália e para a Argentina, países onde o tomate é rei. E assim nasceu um restaurante onde os sabores de três países se misturam e onde o pizzoilo Roberto faz “magia” na cozinha.

À chegada comece com um limoncello tónico. Uma bebida fresca e leve que pode, rapidamente, tornar-se “in” nos próximos tempos. E depois avance para a refeição propriamente dita. Num espaço agradável e algo rústico, com paredes em chapa, pilares a servir de biblioteca e grandes latas de tomate a servir de armazenamento para os talheres, é possível comer e conversar com relativa tranquilidade.

Todos os carpaccicio são servidos com uma cama de alface e rúcula. Comecemos pelo tradicional carpaccio de salmone. Nada a apontar. Uma excelente opção para quem é apreciador de salmão ou apreciador de sabores fortes. Mas a minha preferência incide quer no carpaccio bacalá, com bacalhau laminado, creme balsâmico de morango, azeite de laranja e limão e temperado com sal e pimenta. Por dois motivos: por ser diferente e invulgar, mas, principalmente por ser uma surpresa de sabores, onde a acidez do azeite contrasta com a ligeira doçura do peixe. Também muito bom (na verdade é difícil dizer qual o melhor) é o carpaccio di bresola, com carne de vaca aromatizada, azeite de trufas, parmesão, sal e pimenta. Uma combinação muito interessante, onde o queijo dá um “toque” extra.

Quem conhece o Refeitório do Abel (na Marvila) sabe que o Roberto gosta de arriscar e fazer coisas diferentes. Isso também se reflecte na carta do L’Origine. No caso das burratas, por exemplo, à tradicional, servida com pesto de manjericão, pinhões, manjericão, sal e pimenta – combinação que, quanto a mim, continua a ser a grande vencedora – é apresentada a burrata porcini. Uma combinação diferente – burrata, cogumelos porcini, alecrim, azeite, sal e pimenta – que inicialmente parece algo estranha. Não pelo sabor que até combina, mas mais pela textura. No entanto é uma boa opção para os fãs de cogumelos.

A carta tem igualmente bruschetas, saladas e pastas. Mas vamos aos pratos reis. As pizzas. Há as “tradicionais”, como a pizza com cogumelos. E depois… e depois há as “diferentes”. Aquelas que vale a pena pedir. Estou-me a referir às pizzas com massa preta de carvão vegetal. Uma dica? Opte pela due poli, servida com salmão, abacate, manga, rúcula, tomate semi-seco, mascarpone e nozes. Uma pizza que surpreende, em primeiro lugar, pelas cores, seja pela base preta ou pela explosão de cores dos ingredientes. E depois pelo sabor. Trata-se de uma pizza muito fresca e nada pesada. Quem gosta de picante também tem alternativas na carta. Um exemplo? Que tal a pizza meu Buenos Aires querido? Com molho de tomate, mozzarella, beringela, ricotta, salata e manjericão. Picante q.b. surpreende por ser muito equilibrada – o ser servida em massa fina ajuda imenso.

Para terminar não deixe de sair se provar uma sobremesa. É certo que em Itália o tiramusù tende a ser “a” sobremesa. Mas a minha sugestão vai para uma outra hipótese: a panna cotta de caramelo. Uma sobremesa capaz de agradar quer aos mais como aos menos gulosos.

por Alexandra Costa