Início Opinião/Crónica Incógnitas do novo turismo após o Covid-19

Incógnitas do novo turismo após o Covid-19

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Com base na vasta série de entrevistas e conversas que o Opção Turismo teve com hoteleiros e agentes de viagens, podemos afirmar que existe um consenso crescente entre todos eles sobre como será a nova indústria do turismo após a contenção da pandemia de coronavírus.

Assim, podemos dizer que o futuro assenta em cinco incógnitas ou pontos os quais transformarão um novo sector, caracterizado por menos volume de clientes, menor quantidade de viagens, nova forma de apresentar o produto, menos activos e mais incertezas quotidianas sobre as receitas.

Ponto 1 – Menos volume de clientes: As companhias aéreas como, por exemplo, os grupos IAG e Lufthansa ou a easyJet, estão a reduzir as suas frotas, numa previsão de alguns anos com menos procura do que até agora.

Isso já é um facto e não uma hipótese, que resultará numa redução no volume.

Por outro lado, as companhias aéreas estão a planear reduzir os assentos de avião, o que se traduzirá certamente num aumento de tarifas – embora se diga que, nos primeiros tempos da recuperação isso não aconteça, como aliciante -, num provável momento contração na demanda devido à crise, o que levará as pessoas a fazer mais economia e menos despesas em consumo ou lazer.

Ponto 2 – Menos viagens de trabalho: O aumento (e hábito) das videoconferências, ditas também “webinares”, e do teletrabalho prevê uma redução nas viagens de negócios e no MICE, o que impactaria os hotéis urbanos e, nomeadamente, os especializados em congressos e eventos.

Por sua vez, a conjuntura da crise económica também ajudará as empresas a procurarem economia nas suas viagens corporativas e tornem mais atractivas as reuniões virtuais.

Ponto 3 – Nova forma do produto: as precauções e consciência quanto à proteção da saúde obriga a que os hotéis de férias devem implementar algumas modificações nos seus conceitos, como buffets de pequeno-almoço. Por outro lado, o cliente também pode preferir áreas mais espaçosas com a sua própria cozinha, como já existe nos hotéis de apartamentos.

Também o mercado para viajantes com mais de 60 anos – pessoas de risco – pode ficar mais reduzido, o que também teria um forte impacto nos cruzeiros, que aparece como um dos sectores mais afectados.

Ponto 4 – Menos activos: como é sabido muitas das redes de hotéis portugueses desfrutam normalmente de muitos activos, mas na sua maioria são imóveis e, em pequena quantidade, liquidez.

Os lucros dos anos anteriores, e disso não há muitas dúvidas, foram imediatamente gastos investindo na expansão e agora (possivelmente) os activos deverão ser vendidos para obter liquidez. Ou seja, terão que assumir que os preços dos activos não são iguais ao pico em que estavam há alguns meses atrás.

Ponto 5 – Incerteza permanente: os hotéis de férias, porque o Verão está a chegar, operam historicamente com um planeamento a longo prazo, graças ao modelo histórico dos operadores turísticos e companhias aéreas fretadas, programadas há meses.

Recorde-se que os OTA’s e as companhias de baixo custo estavam a reduzir essa tendência de vendas antecipadas. Todavia, mas a partir de agora é ainda mais difícil planear a previsão de ocupações e de preços com tanto tempo quanto até agora.

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