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Hotelaria em Portugal pode perder mais de 3,5 mil milhões de euros este ano

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O sector hoteleiro em Portugal poderá perder até 3,6 mil milhões de euros este ano, isto comparado com os resultados de 2019, e sem contabilizar aquilo que podia ser o crescimento do turismo em Portugal em 2020.

Esta estimativa é da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP), apresentada esta quinta-feira (4) à Imprensa, que fala de um ano perdido para o sector.

A AHP desenhou dois cenários, com base nas projecções de perda de receitas dos seus associados. Em 2019, o total das receitas turísticas em Portugal foi de 18,5 mil milhões de euros, dos quais 24% correspondem à hotelaria, o equivalente a 4,48 mil milhões de euros.

Para a AHP, que revelou os resultados de um inquérito efectuado junto dos seus associados, entre 15 e 29 de Maio, o cenário menos pessimista aponta para quebras de receitas de 2,2 mil milhões de euros, enquanto o mais pessimista fala em 3,6 mil milhões de euros no total do ano.

A maior parte dos inquiridos pela AHP estima que, no conjunto do ano, a queda das receitas oscile entre os 60% e os 90% face ao ano passado, com o primeiro semestre a ser o período mais crítico para os empresários. Mesmo assim, Cristina Siza Vieira, CEO da Associação da Hotelaria de Portugal acredita que os feriados de Junho poderão ajudar a mitigar algum pessimismo.

Mesmo assim, Cristina Siza Vieira, disse que já existem reservas na hotelaria, nomeadamente dos mercados português, do Reino Unidos e de Espanha, bem como alguma coisa de França e Alemanha, com a Bélgica, Suíça e Itália ainda muito tímidos. No entanto, ressalvou que muitas têm a ver os adiamentos, após vouchers emitidos tanto a clientes directamente, como a operadores.

A CEO da AHP não tem dúvidas de que este será um ano perdido para a hotelaria, e que a retoma mais séria não acontecerá antes de 2021. – Isto não significa, porém, que não haja reservas e movimento. Mas não nos iludamos, não teremos nada este ano que nos permita pensar numa retoma efectiva. Haverá alguns balões de oxigénio, como a retoma de algum turismo de negócios, se tudo correr de feição, que poderá acontecer no último trimestre.

Para o total do ano, a maior parte dos inquiridos aposta numa queda da taxa de ocupação entre os 50% a 80%, enquanto o primeiro semestre deverá registar quebras na ocupação entre 60% a 90%. Quanto à perda de dormidas, o cenário mais optimista da AHP aponta para uma descida de 60%, que equivale a 34,8 milhões de dormidas. A projecção mais pessimista admite uma perda de 46,4 milhões de dormidas na hotelaria nacional este ano, menos 80% face a 2019.

A CEO da AHP indicou ainda que a perda de receitas não se deve apenas à baixa ocupação, mas também ao facto de a maior parte dos inquiridos se estar a preparar para funcionar com uma capacidade muito reduzida. Em Junho, disse, 73% dos hotéis nacionais já deverão reabrir portas, mas 38% vai reduzir a capacidade até 50%, enquanto 17% contam trabalhar com a capacidade reduzida até 80%. Haverá zero estabelecimentos a funcional com a capacidade total.

A perspectiva sobre a ocupação em reservas não ultrapassa, na maior parte dos casos, os 20% até ao final do ano. Só em Setembro é que pouco mais de metade dos inquiridos conta ter uma taxa de ocupação superior a 20%. Segundo Cristina Siza Vieira, o sector não deve esperar uma ocupação média superior a 30% até ao final do ano.

Das reservas que estavam feitas para o período de 13 de Março a 30 de Setembro, mais de 50% dos clientes optaram por reagendar a estadia ou pedir a emissão de um voucher, uma possibilidade criada pelo Governo em Abril. Houve ainda 46% dos clientes que pediram a devolução do dinheiro.

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