Início B4 «Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si!»

«Há sempre um Portugal desconhecido que espera por si!»

Cinquenta e um anos depois do seu lançamento, eis um slogan que permanece atual. Segundo o que pesquisei, foi em 1969 que o então diretor geral do Turismo, Álvaro Roquette, apresentou esta campanha destinada à promoção do turismo interno, exatamente quando a atividade turística passou a ser enquadrada, no então Plano de Fomento, como «sector estratégico do crescimento económico».

Quem haveria, então, de imaginar que meio século decorrido estaríamos a viver uma explosão de turismo interno, embora pelas piores razões. Este ano, particularmente neste verão, foram muitos os Portugueses que descobriram partes deste Portugal tão desconhecido quanto encantador. Esta é uma das consequências da crise pandémica da Covid19; é quase como quem, no meio de uma floresta ardida, consegue encontrar um pequeno rebento de árvore a despontar entre a cinza. Infelizmente, a floresta turística continua a arder, para infelicidade de todos, e os bombeiros tardam em chegar, mas o rebento vai sobreviver.

Desta feita, não precisámos de qualquer campanha para que este crescimento do turismo interno tenha tido lugar. Seja pelas limitações impostas pelos destinos, ou simplesmente com receio de saírem das nossas fronteiras, os Portugueses que mantiveram a capacidade de fazer férias não tiveram outro remédio se não partirem à descoberta do seu próprio País. Tal como o fizeram os britânicos, alemães ou chineses, o fenómeno do turismo interno é global.

Acredito que esta será uma das consequências desta pandemia, e tanto mais assim será, quanto melhor a oferta turística nacional, desde os alojamentos, os transportes, a restauração, a animação turística, os operadores e as agências de viagens, souberem cativar e dar resposta ao que, sendo hoje uma necessidade, amanhã terá de ser, necessariamente, uma simples opção.

Acredito, claro, que vamos voltar a viajar para destinos mais ou menos longínquos, mas também acredito que, uma vez despertado o interesse por uma oferta de qualidade dentro de portas, saberemos todos repartir as nossas férias, o nosso tempo, entre uns e outros.

Compete também esta missão às regiões de turismo e às próprias autarquias. O esforço tem de ser conjunto, numa parceria sólida e construtiva. Acima de tudo, tem de ser estratégico e não oportunista. Não só a oferta turística, de um modo geral, registou maior procura, como esta foi também mais diversificada, beneficiando até regiões até agora mais afastadas do mainstream da procura, como o interior do País.

Uma vez passada esta crise, sim, porque há de passar, aí teremos todos de voltar a promover este fantástico produto no mercado interno. Talvez na ocasião já tenhamos a vida facilitada pelo conhecimento do País que estes meses nos têm trazido, mas não poderemos facilitar. Basta pensarmos que muitos dos nossos turistas estrangeiros vão também fazer o mesmo nos seus países de origem, vale a pena pensar que vai provavelmente demorar tempo até voltarmos a ter a conectividade que tínhamos antes da Covid19, vale mesmo a pena pensar que o turista nacional está aqui à mão e, deixemo-nos de saloiices, é tão bom ou melhor que muitos dos que nos visitam.

Além do tradicional «ici on parle français», ou dos «rooms, chambres, zimmer», espero que possamos ver, cada vez mais, simpáticas e genuínas mensagens de boas-vindas na língua de Camões, porque o Turismo é feito de todos para todos, embora cada um com as suas especificidades. Tal como nos devemos preparar especialmente para acolher turistas alemães, ou chineses, há infelizmente quem pareça não se ter preparado para receber turistas nacionais. Mas sejamos positivos.

Portugal é, a todos os títulos, fantástico. É tão fantástico que atraiu no ano passado mais de 16 milhões de turistas estrangeiros. São números grandes de mais para sequer suspeitar que estavam enganados. Vieram cativados por esta diversidade de paisagens, gastronomia, cultura, esta luz e esta natureza, este Povo que sabe, como mais ninguém, acolher quem nos visita. Eu próprio, confesso, tenho vindo a descobrir lugares mágicos que depressa se transformam em momentos inesquecíveis, cantos e recantos que nos surpreendem a cada passo. Portugal é isto mesmo. Um não acabar de experiências, um mundo por descobrir, e redescobrir. O slogan estava certo, continua certo. Meio século depois.

Paulo Brehm
Consultor



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