Início Opção Turismo Dilema de ser sócio gerente de agência de viagens em tempos de...

Dilema de ser sócio gerente de agência de viagens em tempos de pandemia

Vivemos momentos difíceis, sem precedentes, que fazem levantar muitas questões. Afinal qual é o papel do sócio gerente de agência de viagens, o que representa, quais são as suas angústias, os seus medos? São vistos como assalariados VIP, com um nome “pomposo”, donos de uma empresa que lhes confere um estatuto superior, mas será isso mesmo? Claro que não, na verdade são apenas trabalhadores que vivem do seu salário, são donos de micro empresas com a enorme responsabilidade de as gerir, que vendem para sobreviver, e sobretudo que lutam para se manter no mercado contra todas as adversidades que vão surgindo no seu caminho…

E são bastantes, os obstáculos surgem de todo o lado para “atrapalhar” a sobrevivência da sua empresa: voos cancelados, reservas anuladas, clientes a reclamar os seus reembolsos, dores de cabeça sem fim, a concorrência desleal entre colegas que parece que estão num campeonato onde quem vende mais é o vencedor e não quem mais ganha; sim, o volume de facturação não é compatível com o lucro, vender a preços a pouco mais que o net e obter ganhos irrisórios não é sustentável a longo prazo e prejudica toda a cadeia do mercado em si …

Sentem na pele a postura rígida, egoísta e controladora da Hotelaria ignorando os agentes de viagens que ajudam a promover os seus estabelecimentos famintos de conseguir faturar por pouco que seja para aliviar a pressão dos seus custos, sem a menor consideração pelo seu esforço e dedicação e nem em momentos difíceis como este é capaz de se solidarizar …

Ninguém tem culpa do “bicho” aparecer e teimar em ficar, mas tem culpa de não reunirem esforços na entre ajuda. O “salve-se quem puder“ tem efeitos imediatos mas não dura sempre …

É triste … muito triste este cenário de descredibilização das suas empresas.

As agências de viagens são uma instituição que existe há 180 anos para servir os seus clientes, aconselhá-los e facilitar a organização das sua viagens, e tão bem que tem cumprido a sua função sempre com o máximo empenho e zelo.

Neste momento de profunda crise e desespero em que colegas encerram balcões, trabalham em part-time, mudam de actividade ou fazem salgados e bolos para fora, o coração sofre e a alma, essa está ferida na sua dignidade.

Famílias inteiras têm nas viagens o seu sustento, sócios gerentes endividaram-se, abandonaram os seus empregos e focaram na sua pequena empresa o seu objectivo de vida.

Como lhe vamos explicar que tem de mudar de rumo? Como lhe vamos explicar que têm de cair para mais tarde se levantarem? É cruel neste momento ser sócio gerente de uma agência de viagens.

Este é o seu retrato, desesperados, desorientados, sem perspectivas de futuro, sempre resilientes mas com as forças a esgotarem-se num meio de hipocrisia, lobbies e jogos de poder onde importa “quem mais tem“ e não “quem mais precisa“.

Mas são audazes, corajosos e persistem na sua luta difícil, tumultuosa e desconcertante, olhando o passado com “saudade”, o presente com “agonia”, mas sempre, sempre com o futuro esperançoso no horizonte …

Porque são sócios gerentes de agências de viagens, porque adoram o que fazem e, sobretudo, porque adoram servir os seus clientes.

Elsa Santos
Sócia Gerente da Grandes Passeatas



Mais notícias em OPÇÃO TURISMO Siga-nos no FaceBook , Instabram ou no Twitter