Início B1 CEO da Ryanair: “estoirar 3 mil milhões na TAP é dinheiro perdido”

CEO da Ryanair: “estoirar 3 mil milhões na TAP é dinheiro perdido”

O CEO da Ryanair, Michael O’Leary, durante o webinar “Haverá retoma sem transporte aéreo?”, disse que Portugal vai estoirar 3 mil milhões de euros para subsidiar a TAP, que, com a maior probabilidade, será dinheiro perdido.

Se aplicassem antes esse dinheiro a desenvolver a capacidade dos aeroportos portugueses e baixassem as taxas aplicadas à operação aeroportuária, como incentivo para estimular a retoma durante o Verão de 2021, provavelmente todas as companhias aéreas e todos os visitantes que querem ir a Portugal, poderia tirar partido dessas melhorias,comentou, Michael O’Leary.

Por outro lado, o sempre crítico gestor da transportadora aérea low cost su blinhou que gostaria que a TAP não continuasse sentada em cima dos slots que controla no aeroporto de Lisboa. Pelos meus cálculos, a TAP reduziu a sua operação em cerca de 20%, o que significa que no próximo Verão haverá slots disponíveis para um aumento de actividade por parte de outras companhias.
Libertem esses slots para Ryanair e para outras companhias que precisam de ter mais slots para aumentarem a sua actividade em Lisboa. Isso aumentaria a concorrência e a capacidade e traria mais visitantes, mais turistas a Lisboa.

Ao decidiram subsidiar a TAP com três mil milhões de euros, não vão voltar a ver esse dinheiro, e isso não servirá de nada para estimular a retoma dos fluxos turísticos captados para o mercado português, nem ajudará a dinamizar a economia portuguesa, referiu O’Leary.

Deveriam seguir a tendência em voga nos mercados europeus, que é descer as taxas cobradas aos turistas que vão entrar em cada país, pelo menos durante o Verão de 2021. Isso sim aumentaria a velocidade da recuperação da economia portuguesa. Nesse sentido, temos continuado a negociar com a ANA, juntamente com outras companhias aéreas, para tentarmos descer algumas taxas de operação que nos são cobradas nos aeroportos portugueses, disse o CEO da Ryanair.

Sobre o novo aeroporto do Montijo, o executivo disse: Abram lá esse aeroporto, porque isso é uma questão mesmo urgente, e nós, na Ryanair voaremos para lá. Estamos à espera de receber uma encomenda de 120 novos aviões, para começarem a voar nos verões de 2021 e 2022 e por isso queremos colocar uns 20 ou 30 aviões desses a voar para Portugal.

Há cinco anos que aguardamos novidades sobre essas obras e não há forma de vermos o dia em que o novo aeroporto do Montijo possa abrir, apesar de já haver lá um aeroporto, comentou.

Abram lá esse aeroporto, porque isso é uma questão mesmo urgente, e nós, na Ryanair voaremos para lá, garantiu Michael O’Leary, explicando que estamos à espera de receber uma encomenda de 120 novos aviões, para começarem a voar nos verões de 2021 e 2022 e por isso queremos colocar uns 20 ou 30 aviões desses a voar para Portugal, mas neste momento não temos aeroporto para aterrar perto de Lisboa, porque a TAP continua agarrada a esse mercado.

No conjunto das propostas que dirigiu ao mercado português, Michael O’Leary pediu aos responsáveis portugueses que desçam as taxas aeroportuárias, abram o aeroporto do Montijo, retirem à TAP os slots que essa companhia não vai utilizar e redistribuam esses slots às companhias aéreas que precisam deles, poupem os três mil milhões que vão enfiar na TAP e todos nós, companhias de aviação, todos unidos, conseguiremos promover uma retoma muito vigorosa do tráfego aéreo para Portugal no verão e no inverno de 2021, de forma a que o mercado português possa liderar a retoma do transporte aéreo de passageiros na Europa, deixando para trás a crise da Covid-19.

O secretário de Estado adjunto das Infraestruturas, Hugo Santos Mendes, respondeu-lhe dizendo que isso não vai acontecer. Sei que a Ryanair gostava de ter todos os slots da TAP em Lisboa, mas a TAP não vai ceder os slots, afirmou o governante, que também participou na conferência.

O presidente da Ryanair apelou à existência de leis laborais mais flexíveis em Portugal e criticou a actuação e os raides de inspecção da ACT, apelidando-os de irritantes. A Ryanair tem sido duramente criticada pelos sindicatos e trabalhadores por não respeitar as leis locais. Recentemente foi acusada de estar a fazer um despedimento colectivo ilegal de tripulantes na base do Porto.

Numa resposta muito curta e seca, o secretário de Estado disse que, ao contrário do que a O´Leary defende, a ACT não vai deixar de fazer o seu trabalho.



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