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Carlos Moedas não acredita em apoio específico da UE ao sector do turismo

O ex-comissário europeu Carlos Moedas é peremptório e não acredita que as instituições europeias criem um programa de apoio específico para o sector do turismo, até porque alguns países da UE não querem.

Carlos Moedas, que falava esta terça-feira na terceira web conferência promovida pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP), no âmbito da V Cimeira do Turismo Português, que visa assinalar o Dia Mundial do Turismo, defendeu que os projectos portugueses candidatos a apoios europeus devem apostar no digital e no ambiente.

O actualmente administrador da Fundação Calouste Gulbenkian, considerou que a Europa continua a comunicar muito mal com as populações e que devia comunicar mais directamente com as pessoas, até porque os Estados-membros, normalmente os intermediários da informação, anunciam os apoios como se fossem deles.

O antigo comissário europeu para a Investigação, Ciência e Inovação, falou ainda sobre a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit): Parece que a probabilidade de sair sem acordo é maior do que sair com acordo. Vivemos um período muito difícil, disse, para acrescentar que sem acordo, a Europa vai ter de impor tarifas e quotas, e o Reino Unido vai reagir também com quotas e tarifas, o que considerou “um regresso ao passado.

O Governo britânico rejeitou o ultimato da União Europeia (UE) para retirar uma proposta de lei que invalida algumas cláusulas do Acordo de Saída da UE e do Protocolo relativo à Irlanda do Norte. Neste sentido, a Comissão Europeia ameaçou o Reino Unido com uma acção judicial, avisando que a violação dos termos do Acordo de Saída violaria o direito internacional, minaria a confiança e poria em risco as futuras negociações em curso sobre as relações.

Ainda assim, Carlos Moedas está confiante num acordo favorável para as duas partes. Penso que a Europa vai resvalar os prazos mas se o Reino Unido aprovar a lei, o acordo vai complicar-se, defendeu.

Na mesma web conferência, o presidente da CTP, Francisco Calheiros apontou que, em relação do turismo, a Europa não tem qualquer directiva que facilitaria a vida a toda a gente, sustentando mesmo que a decisão de criar uma moeda única terá sido o último grande passo tomado pelos responsáveis europeus. Em resposta, Carlos Moedas sustentou que a Europa se tornou o continente dos intermediários, destacando que, nesta crise, deveria ter sido a própria Europa a oferecer ajuda monetária às pequenas e médias empresas, em vez dos países se tornarem intermediários de Bruxelas.

Em relação do Brexit, Calheiros demonstrou preocupação. Se não haver qualquer acordo é como deixar de ter céu aberto, uma vez que Portugal depende do turismo britânico para sobreviver, especialmente o turismo algarvio. Caso encerrem as fronteiras aéreas com o Reino Unido, os ingleses deixam de vir a Portugal, relembrou.

– Temos de ter calma e pensar como, bilateralmente, cada país pode começar a preparar-se para as negociações com o Reino Unido, e penso que Portugal pode começar a fazê-lo sem ultrapassar a União Europeia, alertou o ex-comissário europeu, acrescentando adicionalmente que o turismo, a ciência e o comércio são três pilares importantes de trocas entre Portugal e o Reino Unido.



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