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Cabo Verde Airlines não vai conseguir sobreviver sem intervenção estatal

A Cabo Verde Airlines , privatizada em Março de 2019, não vai conseguir sobreviver sem a intervenção do Estado cabo-verdiano, alertou o vice primeiro-ministro do país, Olavo Correia, mas disse que esse apoio será em função da responsabilidade que detém no capital social da companhia.

– Sem o Estado a intervir na empresa, como accionista, a empresa desaparecerá, temos de ser claros nessa matéria. É assim em Cabo Verde, é assim em Portugal, é assim na Alemanha, é assim na Inglaterra e é assim na maior parte dos países, afirmou Olavo Correia, que é também ministro das Finanças, ao intervir no parlamento, no debate anual sobre o estado da Nação, conforme noticiou a Lusa.

Em causa está uma companhia privatizada em Março do ano passado, liderada desde então por investidores islandeses, em que o Estado ainda detém uma participação no capital social de 39%, mas que está parada há mais de 4 meses devido à pandemia da Covid-19, com a suspensão de todos os voos internacionais para o arquipélago.

– O Estado é ainda accionista da empresa. Aliás, a nossa estratégia inicial era privatizar 100% da empresa, mas é óbvio que neste contexto será de todo impossível privatizarmos a empresa a 100%, afirmou Olavo Correia.

Há várias semanas que são conhecidas negociações entre o Governo e a administração da CVA sobre o apoio estatal à companhia, ainda sem entendimento, numa altura em que a retoma dos voos internacionais em Cabo Verde é perspectivada para Agosto.

Contudo, o vice-primeiro-ministro deixou o aviso: O Estado só intervirá na medida que é a sua responsabilidade no capital social da empresa. E isso é uma obrigação do accionista, acrescentando que é necessário encontrar no curto prazo uma solução para viabilizar a empresa, até que o mercado da aviação internacional se recomponha.

O governo cabo-verdiano concluiu este ano a venda de 10% das acções da CVA a trabalhadores e emigrantes, mas os 39% restantes, que deveriam ser alienados em bolsa, a investidores privados, vão para já ficar no domínio do Estado, decisão anunciada pelo executivo devido aos efeitos da pandemia. No curto prazo, tendo em conta as implicações da Covid-19 na aviação civil, o Estado não pode sair da empresa. Pelo contrário, o Estado tem de assumir o seu compromisso com Cabo Verde Airlines para a poder transformar numa empresa saudável financeiramente e colocá-la ao serviço da economia cabo-verdiana, sublinhou Olavo Correia.

Explicou que a solução para a CVA terá de permitir a sua transformação numa empresa sustentável e ancorada na ligação à diáspora e aos principais destinos na Europa e em África.

Entretanto, a administração da CVA esclareceu no fim-de-semana que a recente aprovação de uma garantia estatal de 12 milhões de dólares foi uma formalidade de um empréstimo anterior e que a companhia necessita de nova injecção financeira para melhorar a liquidez.

Questionado pela Lusa sobre o aval aprovado pelo Governo cabo-verdiano ao empréstimo, o conselho de administração explicou que essa garantia não faz parte da discussão futura de financiamento em andamento entre os accionistas”.

Contudo, a administração assume que aguarda com expectativa de que outras acções sejam tomadas pelos accionistas da companhia aérea, a fim de melhorar a liquidez actual da empresa em benefício de seus funcionários, credores e todas as demais partes interessadas.

Antes da crise provocada pela pandemia, a administração da CVA já tinha apontado que a companhia necessitava com urgência de um empréstimo de longo prazo para garantir a sua operacionalidade.

A CVA transportou quase 345 mil passageiros no primeiro ano após a privatização (1 de Março de 2019 a 28 de Fevereiro de 2020).



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