Início Opinião/Crónica Barrados sim. Porquê? Somos alguns anjinhos?…

Barrados sim. Porquê? Somos alguns anjinhos?…

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O ministro dos Negócios Estrangeiros, face às restrições impostas aos portugueses que querem visitar alguns países da União Europeia e estão “proibidos” de fazer pelas autoridades desses mesmos países, não esteve para meias medidas e resolveu deitar “cá para fora”, o que lhe vai na sua alma portuguesa.

A covid tem sido motivo para muita coisa, muitas delas pouco edificantes e disso sabemos todos nós. Mas, há os que se calam e encolhem os ombros porque não é nada comigo, ou aqueles que reagem mais forte. E nesse lote está, entre outros, António Costa, o nosso primeiro, e Augusto Santos Silva, ministro dos Negócios Estrangeiros.

Das declarações do primeiro-ministro, o Opção Turismo já fez eco e talvez o António (este, claro!) vá mais à frente. O “orgulhosamente sós” já foi há muitos anos e bem nos lixámos!

Tal como toda a gente que trabalha no sector do Turismo, nomeadamente operadores turísticos e agências de viagens, o “barramento” da entrada de portugueses nestes países não é mais do que um pretexto de … concorrência.

Augusto Santos Silva é da mesma opinião e afirma que é legítimo pensar-se que a imposição de restrições aos voos entre países da União Europeia se deva a uma concorrência por mercados turísticos, dada a grave crise do sector em toda a UE.

Assim, é legítimo pensar que essa “proibição” é apenas uma concorrência para ver quem atrai mais turistas.

Claro que todos os países estão preocupados mas, ditar regras obsoletas quando utilizam apenas um indicador e um indicador inadequado?

Portugal pode orgulhar-se de os números apresentados pelas autoridades serem quase iguais à realidade.

Portugal não “acabou” com as mortes de um dia para o outros. Paff! e já está. O habitual meio milhar diário de infectados desapareceu.

E como o ministro diz não conta apenas o número de novos casos registados, conta também a taxa de incidência, isto é, a comparação entre os testes realizados e os casos positivos verificados.

Em Portugal a taxa de incidência é bastante baixa, apesar de o país ser o sexto país da UE que mais testes realiza por milhão de habitantes.

Mas vamos abordar a situação por outro prisma. Ou seja, pés assentes no chão porque o que conta é a capacidade que um país tem de poder tratar.

1º – Portugal tem indicadores de letalidade, isto é, mortos por infectados, dos mais baixos da UE.

2º – Portugal tem taxas de hospitalização e de internamento em unidades de cuidados intensivos bastante baixas. Ou seja, nunca houve insuficiência.

3º – Portugal nunca ultrapassou os dois terços da sua capacidade de resposta, mesmo no pico da pandemia.

Depois disto, confessem, não vos apetece fazer um “mangito”?

E quanto à credibilidade do País?

Que se saiba, o turista que cada vez mais se informa sobre o destino (neste caso, país) para onde vai terá sobretudo em atenção os comportamentos que existem no país escolhido para férias.

Em Portugal as normas são cumpridas e as regras de segurança são respeitadas e isso não deve ser posto em causa por se realizar uma manifestação ou por se organizar uma festa. E todos sabemos (infelizmente) que com o desconfinamento o risco de contágio sobe.

Sabemos que reabertura de fronteiras na Europa não é incondicional e que cada Estado-membro possa tomar as medidas que entender para garantir a máxima segurança em matéria sanitária dos seus cidadãos, residentes e visitantes. Mas, que isso se faça com critérios correctos.

No fundo, volto a repetir, por muito que nos tentem “atirar areia para os olhos”, para quem está e vive do Turismo, trata-se apenas de uma guerra de concorrência… de sobrevivência.

LM

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