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A última abertura na restauração lisboeta pretende prestar um tributo aquele que é considerado como sendo “o” ingrediente nacional: o bacalhau. Sob a mestria da chef Ana Moura saem receitas tradicionais “revisitadas” e outras inventadas, numa “fusão entre a tradição e a inovação”.

Tem o nome de Bacalhoaria Moderna e fica localizado na Rua de São Sebastião da Pedreira 150 e promete fazer jus ao lema “há 1001 receitas de bacalhau”. A começar logo pelas entradas.

Uma pequena nota antes de começar a descrever a ementa e a sugerir pratos. O Opção Turismo teve a vantagem de experimentar um menu de degustação. Quer isto dizer que provou quase todos os pratos existentes na ementa. Em versão mini, claro.

Esta experiência permitiu conhecer, a fundo, a carta elaborada pela chef Ana Moura. Isto apesar de a chef ter referido que está sempre a pensar em novas receitas pelo que é uma ementa em continua evolução.

Mas voltemos às entradas. Das quatro existentes só não provámos o polvo. Quer isto dizer que deu para experimentar o tártaro de bacalhau com vinagreta de mostarda; as línguas de bacalhau com gema de ovo; e as alcachofras com espargos brancos com romesco (prato vegetariano). A preferência incidiu para as alcachofras, não só pela surpresa do sabor, mas também pelo contraste de texturas auferido pelas sementes de sésamo. Em alternativa sugerimos o tártaro onde se notava toda a frescura do bacalhau.

O tradicional e bem conhecido bacalhau à braz não poderia faltar e é claramente um dos pratos mais bem-sucedidos da carta. No mesmo patamar podemos encontrar o bacalhau com couves de bruxelas, chalotas e molho de galinha assada. Quer um quer outro surpreendem pelos sabores usados. No segundo há também a utilização de vegetais não tradicionais que dão um toque algo “exótico”. Para quem aprecia um bom arroz malandrinho também tem uma opção na carta, assim como o tradicional bacalhau com grão e broa.

Para quem não consegue viver sem carne não desespere. Apesar de o bacalhau ser rei e senhor na Bacalhoaria não é o único ingrediente na carta. E a prova é que o leitão confitado com salada e bata frita é de comer e chorar por mais. A carne não só quase que se desfaz na boca como o molho ligeiramente adocicado dá um toque extra.

Para quem gosta da gastronomia alentejana saiba que tem ao seu dispor uma açorda de bacalhau e ainda migas, que podem ser de espargos verdes, ou com grelos e brocolini (recomendamos estas últimas, estavam deliciosas).

Se depois de tudo isto ainda tiver espaço para a sobremesa (se não tiver arranje porque as sobremesas valem mesmo a pena) pode optar por uma mousse de chocolate com chocolate branco e amendoim; por uma torta de laranja, moscatel e rum, e/ou por uma tarte de queijo e toffe. Quer a torta quer a tarte tem a vantagem de surpreender. Pela positiva. No caso da torta de laranja por saber mesmo a laranja (o que é muito raro). Seja como for são duas sobremesas que não são muito doces, o que permite satisfazer quer os muito gulosos quer os que simplesmente querem algo doce q.b.

Uma última dica. Ok, três. A primeira tem a ver com a necessidade de reservar mesa. O espaço é relativamente modesto apesar de não ser muito pequeno, o que aconselha à reserva da mesa. A segunda nota tem a ver com o estacionamento. A rua é de um único sentido e o estacionamento é limitado. É, por isso, aconselhável que utilize transporte ou que estacione num dos parques localizados nas redondezas. A terceira dica vai para o vinho. A carta de vinhos tem referências algo diferentes do habitual como vinhos de Trás-os-Montes. Aproveite e não deixe de experimentar e conjugar com a refeição.

por Alexandra Costa