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São constantes as lamentações de empresários e de gestores hoteleiros da escassez de mão-de-obra para garantir os serviços que os empreendimentos turísticos, hoteleiros e de restauração têm de prestar aos hóspedes e clientes.

Quanto a isso, começo por não concordar com o vocábulo “mão-de-obra” que sugere um alheamento total do valor dos Recursos Humanos.

Queixam-se alguns que já nem sequer procuram recursos humanos especializados; não encontram, sequer, pessoas para trabalhar no sector.

Se dividíssemos o dia em três partes iguais, cada uma com a sua cor, teríamos: oito horas vermelho para o sono, oito horas azul para o trabalho e oito horas verde para o ócio.

Mesmo noutras áreas de actividade, estas cores deixaram de ser um guião para a felicidade humana a troco de um telemóvel, de um computador, de um automóvel. As pessoas deixaram de ter tempo para usufruírem a vida, passando a estar permanente ligadas através das modernas tecnologias.

As cores do dia misturam-se. Ficam castanhas, escuras, deprimentes.

A hotelaria está cada vez mais desumanizada devido ao uso excessivo das tecnologias, tendo sido criado modelos que retiram a clientes a capacidade de se consciencializarem de  que as coisas não aparecem feitas automaticamente, bastando carregar num botão, que há uma forte intensa intervenção humana.

Quem trabalha em hotelaria tem que estar ciente de que é uma actividade de imprevistos, e, que por isso, pode ser chamado a responder de picos de trabalho pontualmente, que não é um emprego nine-to-five. Mas percepcionamos, especialmente na área de restauração, uma quase desorganizada politica de gestão de recursos humanos, e um menosprezo pelo seu direito a vida pessoal para além de trabalhar e de dormir. Os picos transformam-se em situações diárias a que uma equipa preparada para 50 presta diariamente serviço a 100, fora-de-horas, sem direito a retribuição extra e, na maior parte das vezes, com direito ao descanso apenas no dia do encerramento semanal do estabelecimento.

Esta prática desencoraja qualquer um a trabalhar no sector, que deveria ser prestigiante e uma oportunidade para produzir e absorver cultura, e de estabelecer relações sociais saudáveis. A forma como o trabalho é organizado expressa os valores da sociedade a que pertencemos.

Luis Gonçalves



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