Início B1 António Costa e Silva não esqueceu o turismo

António Costa e Silva não esqueceu o turismo

António Costa e Silva, convidado pelo Governo para estudar um plano de retoma económica para o período pós-pandemia, já apresentou as suas ideias ao Executivo e o turismo consta da lista do plano a executar.

Num documento com 119 páginas, sob o título ‘Visão estratégica para o plano de recuperação económica e social de Portugal 2020-2030’, o designado paraministro apresentou ao Governo os seus planos para a retoma.

No que toca à ferrovia, Costa e Silva considera importante concluir os projectos em curso e modernizar a rede portuguesa, apontando também para a construção de um eixo ferroviário de alta velocidade Porto-Lisboa para passageiros, começando com o troço Porto-Soure (onde existem mais constrangimentos de circulação).

O gestor tem também planos em relação às ligações aéreas: escreve que é importante construir um aeroporto para a Grande Lisboa, considerando que esta infra-estrutura será importante não só do ponto de vista do turismo, mas também em muitas outras fileiras económicas.

Apesar do destaque nas infraestruturas, Costa e Silva realça ainda, no seu plano que em relação ao turismo, o país deve promover um grande plano para captar a atenção dos mercados mais importantes com base nas valências que Portugal apresenta em termos da sua diversidade geográfica e paisagística.

– A oferta deve ser diversificada, explorando as diferentes partes do território e é importante apostar na qualidade e ter como indicadores não só o número de visitantes, mas também a rentabilidade por turista, escreve ainda Costa e Silva.

Para a recapitalização das empresas, Costa e Silva defende a criação de um fundo, de base pública, de capital e quase capital, aberto a fundos privados, para operações preferencialmente em coinvestimento, dirigido a empresas com orientação exportadora e potencialidades de exploração de escala.

Ao todo, são dezenas de propostas apresentados em traços gerais categorizados em dez pontos cruciais: ferrovia, reindustrialização,  reconversão industrial, recapitalização das empresas, Estado, turismo, transição energética, saúde a questão social.

No mesmo documento no qual detalha os seus planos para a recuperação económica e social de Portugal, o consultor deixa claro que o período que se avizinha não será fácil e apresenta uma previsão do PIB até 2 vezes mais pessimista do que a do Governo.

O consultor pede ao Governo que considere a possibilidade de aliviar a carga fiscal das pequenas e médias empresas que empregam mais de 75% das pessoas em Portugal.

– É crucial prestar atenção às pequenas e médias empresas (PME), porque representam mais de 95% do tecido empresarial português e empregam mais de 75% das pessoas. A saída da economia do estado de coma, a sua recuperação e a criação de condições para o crescimento económico, implica ter empresas mais saudáveis, ajudá-las a resolver problemas de financiamento e considerar a possibilidade de aliviar a sua carga fiscal, que é muito elevada e torna o país menos competitivo, defende António Costa Silva no documento.

Quanto ao Produto Interno Bruto português, mostra-se bem mais pessimista do que o Governo. O país pode vir a enfrentar uma das piores crises da sua história: a queda do PIB em 2020 pode chegar aos 12%; a queda do consumo aos 11%; a queda do investimento aos 26% e a taxa de desemprego aos 11,5%, estimou.

– A partir de Setembro de 2020, a situação de muitas empresas pode deteriorar-se significativamente e é fundamental existir no terreno um programa agressivo para evitar o colapso de empresas rentáveis, que são essenciais para o futuro da economia portuguesa, disse, acrescentando tratar-se de um desafio de ordem gigantesca que carece de resposta urgente.

– O espaço temporal que vai mediar entre a significativa deterioração da economia no segundo semestre de 2020 e a chegada da ajuda europeia em 2021 pode ser fatal para muitas empresas se não existirem respostas adequadas, alertou ainda.

Costa e Silva foi nomeado pelo Governo no início de Junho para desenhar o Programa de Recuperação Económica e Social 2020-2030.



Mais notícias em OPÇÃO TURISMO Siga-nos no FaceBook , Instabram ou no Twitter