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ANAC: voltará a haver constrangimentos no aeroporto de Lisboa

O presidente da Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC) avisa que voltará a haver constrangimentos em Lisboa porque nenhuma solução estará pronta em 2025. Chegaremos ao tráfego aéreo que tínhamos em 2019 e ainda não teremos nova capacidade aeroportuária instalada, alertou.

O aeroporto de Lisboa vai voltar a registar problemas quando o transporte aéreo atingir os níveis de 2019 – algo que a IATA antecipa que possa acontecer entre 2024 e 2025 – defendeu o regulador da aviação civil uma vez que, independentemente da solução encontrada para expandir a capacidade aeroportuária de Lisboa, esta não estará operacional em cerca de quatro anos.

Luís Miguel Ribeiro considerou esta terça-feira no Parlamento que com o ‘chumbo’ do regulador ao projecto do aeroporto do Montijo, na sequência dos pareceres negativos dos municípios da Moita e do Seixal, não voltamos à estaca zero neste processo, mas demos um passo atrás.

-Não voltamos à estaca zero porque à medida que vão sendo estudadas novas localizações temos consciência das limitações de cada localização e vamos adquirindo conhecimento relativamente a eles, disse o executivo.

– Voltaremos a ter problemas porque não parece que qualquer solução desenvolvida esteja pronta nessa data, disse o responsável, admitindo que voltaremos a ter problemas de constrangimentos no hub, não só na companhia que o faz, mas dos voos de ligação que alimentam o hub.

– Mesmo numa solução de aeroporto no Montijo apresentada pela ANA estamos a falar de anos de desenvolvimento e construção. O tempo de recuperação do tráfego será consumido pela construção, disse, para acrescentar que a falta de aumento da capacidade instalada será prejudicial para as companhias aéreas e para a indústria do turismo.

– Parece que temos uma dificuldade cultural de tomar uma decisão quando não existe apenas uma solução óptima, destacou Luís Miguel Ribeiro, acrescentando que parece um requisito nacional gerar consenso absoluto em matérias que não têm de gerar consensos absolutos.

Um dos principais problemas que o turismo e a aviação em Portugal atravessavam até à pandemia era a capacidade do aeroporto de Lisboa, que já tinha atingido o seu limite, e que condicionava a entrada de mais passageiros. Essa questão foi travada pela pandemia. Mas a necessidade de uma nova infra-estrutura aeroportuária mantêm-se.

O pedido da ANA — Aeroportos de Portugal para a construção na Base Aérea n.º 6, no Montijo, foi indeferido liminarmente pela ANAC, em Março último, uma vez que o projecto reuniu apenas dois pareceres positivos das cinco câmaras municipais afectadas, dois pareceres negativos e um inconclusivo.

A resposta do Governo chegou pouco depois: vai ser feita uma Avaliação Ambiental Estratégica a três possibilidades, duas com o Montijo e a Portela e a terceira apenas com Alcochete.

Pedro Nuno Santos indicou logo naquela altura que pretende alterar a lei para que os municípios não possam travar o desenvolvimento destas infra-estruturas de interesse nacional e estratégico. A ANA, na altura, reagiu mostrando-se confiante de que acredita que a avaliação vai demonstrar que a solução Montijo será a que melhor vai servir os interesses de Portugal.

 



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