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Alexandre Relvas: sector privado tem que criar produtos para o mercado interno

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Não há volta a dar, pelo menos este ano. A convicção do ex-secretário de Estado do Turismo, Alexandre Relvas, é que, para a recuperação do turismo em 2020, o sector privado tem que desenvolver produtos adaptados ao mercado interno.

– Não tivemos o mercado interno como mercado prioritário, pelo menos algumas empresas não tiveram, mas é importante dinamizarem produtos que sejam dirigidos e adaptados ao mercado interno, realçou o agora empresário, num webinar promovido pela ESHTE, com o tema ‘Covid-19 e turismo: e daqui em diante?’.

– O mercado prioritário para a recuperação do turismo é, sem dúvida, o mercado interno. Embora tenha representado 30% da ocupação do sector nos últimos anos, pode vir a representar 50 a 60% de ocupação não só na hotelaria, mas na generalidade das empresas do sector. É por isso importante a campanha que vem sendo desenvolvida pelas autoridades públicas, o sector privado tem que desenvolver produtos adaptados ao mercado interno, disse

Na sua intervenção, Alexandre Relvas abordou 4 questões essenciais: o tempo de recuperação e os factores decisivos para que tal aconteça; os mercados prioritários; políticas públicas; e mudanças estruturais no sector.

O gestor reconhece que é consensual que 2020 é um ano perdido, até porque a crise da pandemia afectou mais de 90% das empresas de turismo, para acrescentar que o nosso horizonte de esperança é o ano de 2021. Mas para que a recuperação possa iniciar-se nos próximos meses, e que 2021 possa ser um ano mais sólido para o sector, é fundamental o controlo da pandemia.

No entanto, tão importante quanto isto, é a nossa capacidade de comunicarmos Portugal como destino seguro, desafio quer para as autoridades públicas, quer para o sector privado. Sem esquecer que a recuperação do sector será afectada pela evolução do desemprego em Portugal e na Europa, prevendo-se afectar mais de 10% da população activa.

Para Alexandre Relvas, tanto a dinamização do mercado interno como do internacional, vai implicar a adopção de protocolos e procedimentos globais para ter bons selos de certificação, quer os propostos pelas autoridades nacionais, quer pelas internacionais, como o WTTC, UE, ou OMT. Mas para além desses procedimentos e novos protocolos para todos os sectores de actividade, a formação vai ser decisiva. É preciso adaptar a capacidade dos trabalhadores do sector ao novo ambiente e às novas exigências dos consumidores.

Na opinião do ex-secretário de Estado do Turismo, que participou neste ‘encontro’, é importante estar atento às oportunidades cridas pelas novas tecnologias que vão ao encontro dos consumidores: a digitalização quer em termos de actividade comercial, quer em termos da operação.

Em relação às políticas públicas, Alexandre Trindade realça como prioridades, o controlo da pandemia para o qual devem ser canalizados os investimentos, a definição com o sector privado de normas de segurança, mas também na nossa capacidade de transmitir uma imagem de destino seguro.

-É importante manter os apoios financeiros e o lay-off para as empresas do sector. Portugal tem uma fortíssima capacidade instalada no sector do turismo que não pode ser perdida. Esta crise não resulta da incapacidade do sector, mas por questões endógenas. Paralelamente, é importante que o Estado apoie empresas estruturais como a TAP, reconhece o empresário.

Aliás, esta questão dos apoios do Governo foi igualmente ressalvada no mesmo webinar por outro ex-secretário de Estado do Turismo, e administrador do Grupo PortoBay, Bernardo Trindade. Só no final de 2021, início de 2022 é que acho que podemos ter níveis semelhantes aos que tínhamos antes. Para o gestor, o ‘lay-off’ simplificado foi a medida mais importante para manter o emprego no sector. Muitas vezes, para os empresários, a primeira medida é despedir, reconheceu, salientando que esta medida ajudou as empresas e que no grupo PortoBay os últimos meses foram dedicados à formação.

Bernardo Trindade (SET entre 2005/2011) advertiu que a retoma depende essencialmente do transporte aéreo que, por si só, vai ser alvo de uma profunda reestruturação, existindo assim menos aviões e rotas mas um aumento da concorrência entre destinos. Contudo, Bernardo Trindade considera que a forma como Portugal geriu a situação pandémica, coloca o destino num bom ponto de partida.

No entanto, Alexandre Relvas destacou que as empresas de turismo terão uma nova preocupação: resiliência. E para isso, é preciso olhar para os custos de estrutura. Vai ser preciso reduzir os custos de estrutura para aumentar a capacidade de responder à situação de crise, frisou.

Finalmente, o empresário chama atenção para outra questão decorrente desta crise. Nos últimos anos, mas no âmbito desta crise, as questões do ambiente ganharam nova consciência. As empresas devem-se preparar para investir mais nesta área, não só porque há uma nova consciência dos consumidores, mas porque, no âmbito das políticas comunitárias, esta vai ser uma área de prioridade.

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