Início Opção Turismo AHRESP: restauração e alojamento não resistem sem medidas a fundo perdido

AHRESP: restauração e alojamento não resistem sem medidas a fundo perdido

A AHRESP apresentou esta quinta-feira ao Governo uma proposta de novas medidas que visam Proteger as Empresas e o Emprego nos próximos meses e que consiste no reforço dos apoios a fundo perdido para a liquidez das empresas, na maior protecção do emprego e na intensificação do apoio ao pagamento das rendas.

Esta proposta vem na sequência da implementação do Governo de uma nova fase de confinamento geral, desde as zero horas de hoje, e que impõe o encerramento legal das actividades da restauração e similares permitindo apenas o funcionamento em regime de take-away e entrega ao domicílio (delivery).

As restrições impostas no âmbito deste novo confinamento, com o dever de permanecer em casa, a obrigatoriedade do teletrabalho e o substancial aumento das coimas pelo não cumprimento das regras sanitárias “agravam a já muito debilitada situação financeira de toda a actividade turística”, diz a Associação, para acrescentar que, para além do encerramento legal da restauração e similares, também o alojamento turístico se vê obrigado a suspender a actividade, com consequências dramáticas para a sustentabilidade dos negócios e manutenção dos postos de trabalho.

Refira-se que dados do mais recente inquérito mensal da AHRESP, referente ao mês de Dezembro, realizado pela NIELSEN, empresa internacional de elevada reputação na execução de estudos de mercado e de opinião, com enorme experiência no Canal Horeca, indicam que 39% das empresas de restauração e similares ponderam avançar para a insolvência, dado que as receitas realizadas e previstas não permitirão suportar todos os encargos que decorrem do normal funcionamento da sua actividade.

Para as empresas inquiridas, a quebra de facturação do mês de Dezembro foi avassaladora: 56% das empresas registaram perdas acima dos 60%.

Como consequência da forte redução de facturação, cerca de 13% das empresas não conseguiram efectuar o pagamento dos salários em Dezembro e 18% só o fez parcialmente.

Perante esta realidade, 50% das empresas já efectuaram despedimentos desde o início da pandemia. Destas, 19% reduziram em mais de 50% os postos de trabalho a seu cargo, enquanto 20% das empresas assumem que não vão conseguir manter todos os postos de trabalho até ao final do primeiro trimestre de 2021.

Sobre as perspectivas de recuperação da actividade económica, o inquérito revelou que 43% das empresas referem que o sector só deverá começar a recuperar em 2022, e 35% indicam que será a partir do 2º semestre de 2021, com o início do Verão.

Quanto ao alojamento turístico, segundo o estudo, 20% das empresas indicam estar com a actividade suspensa. Das empresas com actividade em funcionamento, 43% indicaram uma ocupação máxima de 10% no mês de Dezembro, enquanto para Janeiro e Fevereiro, 40% estimam uma taxa de ocupação zero, e 36% perspectivam uma ocupação máxima de 10%. À data de preenchimento do inquérito, apenas 12% das empresas indicaram terem reservas para o período da Páscoa.

No mesmo inquérito, vale a pena ressalvar que 16% das empresas ponderam avançar para insolvência por não conseguirem suportar todos os normais encargos da sua actividade, num mês de Dezembro em que a quebra de facturação foi acima dos 80%.

“- Quando a tão desejada recuperação da actividade económica se iniciar e a procura se acentuar, teremos de garantir a necessária capacidade de oferta, protegendo e preservando as 120 mil empresas da restauração, similares e do alojamento turístico e os seus 400 mil postos de trabalho directos, realça o comunicado da AHRESP divulgado esta quinta-feira, aguardando “que as propostas agora apresentadas e que incidem sobre estas actividades, reconhecidamente mais afectadas pela pandemia, irão obter o devido acolhimento por parte do Governo, de forma ágil, célere e simplificada”.



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