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AHP acerta com a Booking sobre cancelamentos de reservas

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A AHP e a Booking.com em Portugal reuniram-se para acertar questões relacionadas com os casos de cancelamentos de reservas de hotéis por motivo de força maior.

Os representantes da Booking ficaram de apresentar as propostas da AHP à sede da empresa e responder no prazo máximo de 2 semanas.

Refira-se que vários empresários associados da AHP têm apresentado queixas relativas aos procedimentos seguidos pela plataforma de devolução imediata aos clientes dos montantes das tarifas não reembolsáveis, sem acautelar o prazo criado pela lei portuguesa (DL nº 17/2020, de 23 de Abril) e a emissão de vouchers, o que penaliza, e muito, os empresários da hotelaria.

A Associação sublinhou junto da Booking a premência de ser assegurado, sempre, que ao cliente seja aberta em primeiro lugar a hipótese de reagendar a estada ou de ser emitido um voucher pelo hotel.

Apenas e só quando a Booking não consiga obter uma dessas duas soluções, a AHP sugeriu a possibilidade de criar uma conta corrente com os hotéis/alojamentos parceiros, relativamente às devoluções que eles forem fazendo aos clientes e ir abatendo esse crédito aos alojamentos nas reservas/estadias futuras, ou quando tal não seja possível, alargar prazos para debitar as devoluções aos hoteleiros de 60/90 dias (que a booking diz ser o prazo médio actual) para 150/180 dias.

O presidente da AHP, considera que  uma das maiores preocupações prende-se com a tesouraria, porque esta crise chegou na pior altura do ano. A grande maioria dos hoteleiros saía da época baixa com a sua tesouraria no limite do esforço, que a época alta viria aliviar, e por isso terá muita dificuldade em fazer face às devoluções exigidas pela Booking e outras OTAs. E não nos esqueçamos que estamos perante tarifas não reembolsáveis, pelo que o dinheiro já tinha sido recebido e gasto.

Raul Martins realça que a hotelaria em Portugal não quer abrir uma guerra jurídica com a Booking, que em nada ajudará a encontrar uma solução favorável a todas as partes, até porque considera que o foco tem de estar na preservação da reputação da marca Portugal e de todo o goodwill que o turismo e os seus players ganharam ao longo dos últimos anos.

Na opinião do dirigente é que haja solidariedade entre todos os operadores, sob pena de, caso hoje se exija que os hotéis devolvam imediatamente estes montantes, estes entrarem em incumprimento e virem a ser insolventes.

A AHP refere que outras plataformas têm tido procedimentos semelhantes, pelo que está a procurar acompanhar todas as situações e tem, também, previstas reuniões com as suas congéneres em Espanha e França. Crê, no entanto, que o caminho a trilhar passa por encontrar um compromisso semelhante ao que foi proposto à Booking.

De recordar que o DL nº 17/2020 veio estabelecer medidas excepcionais e temporárias relativas ao cancelamento de viagens organizadas por agências de viagens e turismo, ao cancelamento de reservas em empreendimentos turísticos e estabelecimentos de alojamento local e às relações entre agências de viagens e turismo, operadores de animação turística e os empreendimentos turísticos ou alojamento local.

 

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