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Acredito que o caminho é claramente o da proximidade

– Entrevista com Luís Henriques, director geral da Airmet

A Airmet é hoje um grupo de gestão que tenta não só ter as melhores condições para as agências como acrescentar vários serviços que acreditamos serem vantajosos para as mesmas. Quem o afirma é Luís Henriques, director geral da Airmet, acrescentando que somos uma equipa jovem, pequena mas muito dinâmica e criativa tendo sempre como foco na melhoria do negócio dos nossos associados. Tentamos encontrar soluções alternativas e queremos continuar a inovar e a demonstrar que somos diferentes dos diferentes grupos de gestão.

A Airmet surge em Julho de 2006 pela mão do Miguel Quintas, após este compreender que esta seria a fórmula para desenvolver o mercado das agências de viagens em Portugal.

Com uma ligação forte à Airmet Espanha, o negócio desenvolveu-se com poucas agências inicialmente mas, posteriormente, conquistando o seu espaço de forma irreversível no mercado português.

Como é sabido, nem todas as redes têm um RNAVT. O Grupo Airmet/Portugal possui um RNAVT próprio, independentemente dos seus associados, onde se incluem as agências de viagens Airmet. Luís Henriques explica que embora não realizando vendas ao cliente final são, efectivamente, também uma agência de viagens. Só assim nos conseguimos propor a perceber as necessidades dos nossos associados.

– Tendo o RNAVT faz com que tenhamos alguma flexibilidade e possamos, no futuro, atingir novos patamares no apoio às agências.

Opção Turismo – Quais as razões que mais destaca para “cativar” uma agência de viagens a ser Airmet?

Luís Henriques – Há variadíssimos factores. Desde as ferramentas, o assessoramento prestado a todos os níveis (jurídico, contabilístico, administrativo e comercial) e contratos e protocolos disponibilizados há igualmente os pontos que nos parecem mais importantes: a proximidade, relacionamento e empatia que tentamos criar com as agências. Acreditamos que o caminho é claramente o da proximidade e sabemos que as agências vêm em nós um parceiro imprescindível para as exigências que o próprio negócio lhes coloca.

Opção Turismo – Certamente que uma agência para ser associada terá de respeitar as exigências da Airmet. Quais?

Luís Henriques – Queremos, cada vez mais, funcionar em rede criando sinergias entre as agências e apostar em projectos conjuntos.

O “Em cantos de Portugal” é um exemplo disso pois é uma marketplace onde as agências podem disponibilizar o seu produto próprio tendo como destinatário o cliente final. Ou seja, respeitando a identidade de cada agência é muito importante que se sintam parte desta família que é a Airmet e percebam que com o seu contributo e crítica construtiva, poderão ajudar a rede a ser cada vez mais forte e consequentemente o seu negócio a ser mais rentável, explica o director geral da Airmet.

Opção Turismo – Em seu entender a que mudanças vamos assistir no que concerne a agências de viagens e operadores?

Luís Henriques – Ao nível dos operadores acreditamos que o mercado ainda nós trará, neste período pós-pandemia, mais fusões e ‘joint ventures’ uma vez que este período fez com que a entreajuda e a parceira entre (outrora potenciais concorrentes) os operadores fosse vista como uma solução para unir esforços e enfrentar o mercado mais preparados.

Quanto às agências de viagens, o nosso entrevistado considera, inevitavelmente, terão de enveredar pelo caminho da especialização, uma vez que deixou de ser possível querer satisfazer todo o produto e todos os clientes uma vez que estes são cada vez mais informados e exigentes.

As agências terão de construir o seu caminho e perceber em qual dos produtos/destinos/nichos fazem realmente a diferença ao cliente. A Covid veio demonstrar que o papel dos agentes de viagens continua e será cada vez mais importante mas teremos, enquanto consultadores, de acrescentar muito valor ao cliente.

As maiores alterações serão a nível das exigências do consumidor

Opção Turismo – Considera que vai existir alterações no actual padrão dos negócios e da operação? Quais, por exemplo?

Luís Henriques – Como já referi anteriormente, julgo que as maiores alterações serão ao nível da exigência do consumidor.

Em termos estruturais não acredito, infelizmente, que ocorram grandes diferenças. A Covid deu-nos uma oportunidade para repensar o negócio mas foi algo que não aconteceu. É certo que vivemos num sistema de comércio livre, mas poderíamos ter, enquanto sector, caminhado num sentido de criar maior respeito e fortalecer as ligações entre os diferentes ‘players’.

Como também é do conhecimento geral, Luís Henriques, embora já há algum tempo, mudou de “camisola”. Ou seja, da Bestravel para a Airmet.

Opção Turismo – Quais foram as maiores diferenças que sentiu ao sair de uma rede de marca própria para um conjunto de agências de viagens cada uma com a sua marca?

Luís Henriques – Estive realmente 14 anos dedicado a uma rede de marca única. As diferenças são muito grandes, mas, ao mesmo tempo, muito desafiantes e motivadoras. A maior riqueza que temos é a heterogeneidade da nossa rede. Temos desde agência com elevada estrutura e volumes de facturação enormes até à agência em que temos o sócio-gerente a lutar pelo seu negócio. Temos agências de incoming, outgoing, lazer e corporate. Isso obriga-nos a pensar em soluções para todos estes segmentos e a compreender o negócio de forma diferente. Há, no entanto, algumas ideias/soluções que trouxe da minha experiência anterior como o desenvolvimento de campanhas utilizando o nosso departamento de marketing e dando, às agências, soluções a este nível. Sabemos que todos mantêm a sua identidade mas também sabemos que em conjunto, nalgumas campanhas, conseguiremos chegar a produtos e resultados diferentes.

Uma rede dentro de outra rede

Aproveite-se a ocasião para lembrar que ainda na rede Airmet, existe a rede Q’Viagem. Trata-se de um projecto que já tem alguns anos e que não teve o crescimento desejado. No entanto, Luís Henriques frisa que estamos apostados a fazer desta rede um sucesso e temos trabalhado muito com esse objectivo.

O director geral do grupo Airmet, embora confessando que é um optimista por natureza, acredita turismo irá atingir em 2022 valores iguais aos de 2019.

Uma das rezões para esta afirmação reside no facto de que, quando as restrições devido à Covid foram levantadas, os consumidores começaram a comprar, viajar e aderiram muito bem à oferta existente no mercado.

Este ano foi um reflexo disso mesmo uma vez que verificámos que em determinados períodos a oferta que o mercado disponibilizou foi pequena para tanta demanda, aponta Luís Henriques, fazendo votos para que se cumpram as suas expectactivas e que o arrefecimento da economia em geral não seja tão elevado como alguns analistas prevêm. Temos, no entanto, que trabalhar com vista a estar preparados para os tempos que se avizinham, conclui.

Quanto a futuras novidades a serem apresentadas aos seus associados, apenas comente que 2022 será um ano de muitas novidades para a rede Airmet em todas as áreas, explicando que só na convenção nacional, que se realizará em fevereiro de 2022, serão reveladas a maioria das novas medidas que visam o crescimento da rede Airmet e o fortalecimento do negócio das agências associadas.

Quem “ganhou” com a Lei dos Vouchers?

Opção Turismo – Com a ‘Lei dos Vouchers’, defendeu-se muito os operadores turísticos e elogiou-se a sua postura em que a maior parte cumpriu as suas obrigações mesmo antes da ‘Lei dos Vouchers’ o obrigar a fazer apenas em Janeiro do próximo ano. As agências conseguiram com esta antecipação ganhar “créditos perante o seu cliente”?

Luís Henriques – Eu diria que o ganho de crédito foi durante todo o período de Covid. As agências conseguiram provar aos clientes as diferenças que têm para como as OTA e as companhias aéreas, por exemplo.

Estivemos sempre do lado dos clientes, comunicando, transmitindo confiança, mas principalmente prestando serviços de forma gratuita para proteger o investimento que estes realizaram para usufruírem das suas férias ou viagens de negócios. Estivemos sempre lá, discretamente, mas de forma muito profissional.

Aliás, refira-se, prova disso é que mesmo com a aprovação de uma lei que adiava quase 20 meses o pagamento dos seus adiantamentos não houve grande contestação por parte dos clientes o que demonstra bem a confiança que estes têm (e continuarão a ter) nas agências de viagens. Neste momento a grande maioria das agências já liquidou os ‘vouchers’ e tem este processo bastante resolvido.

É certo que há ainda alguns problemas a resolver (existem alguns operadores e companhias aéreas que ainda não devolveram os valores devidos) o que cria sempre constrangimentos mas a nossa esperança é que, com a gradual retoma do mercado, este problema seja resolvido rapidamente, destaca o nosso interlocutor apontando que o que nos preocupa é perceber que alguns operadores e agências aderiam ao financiamento dos ‘vouchers’.

Embora acreditemos na solidez financeira do mercado os próximos anos serão ainda mais difíceis devido a este esforço adicional. Quem está mais afastado deste mercado não faz ideia dos esforços e da dificuldade que tem sido para o nosso sector o último ano e meio…

Opção Turismo – A haver créditos ganhos, podemos dizer que se deveria valorizar o operador turístico e a sua relação com a agência. No entanto, a Airmet coloca agora o “Book & Go”. Acha que os operadores turísticos não conseguem dar valias suficientes e que o agente seja obrigado a continuar a fazer produto próprio?

Luís Henriques – As agências dão (e darão sempre) preferência aos operadores até porque, desta forma, estão mais protegidos no que à responsabilidade do cliente diz respeito. No entanto devido, em grande parte, à maior exigência dos clientes e a sua procura por produtos exclusivos e específicos faz com que as agências cumpram a sua função produtora e encontrem, assim, soluções que não conseguem ter no mercado.

O Book&Go da Airmet

Falando do Book&Go, que é uma plataforma de comparação de hotéis que tem tido grande sucesso na rede, acho que o seu aparecimento favorece os operadores em vez de os prejudicar. É certo que o mesmo faz uma comparação de preço mas nem só de preço é feita a decisão no momento da compra do hotel por parte da agência. Posso dizer-lhe que grande parte das vezes a agência não opta pelo preço mais baixo mas da sua avaliação entre preço/serviço/confiança/apoio por parte do operador que está a comprar. No limite o que fazemos é valorar esses factores ajudando na tomada de decisão das agências.

A finalizar esta entrevista, que terá o seu resumo no canal vídeo do Opção Turismo, Luís Henriques, director geral da Aimet, reafirma que a relação da Airmet com os fornecedores é optima e continuará a ser cada vez mais fomentada. Só assim se compreende que, por exemplo, no projecto “Hotéis aconselhados Airmet” a inclusão de algumas unidades na nossa lista só foi possível devido a essa parceria o que fez que com que, inclusivamente, tenhamos aumentado as vendas nesses operadores.

Luís de Magalhães



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