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‘A World for Travel’ em Évora assume cinco compromissos para um melhor turismo

O turismo pode curar o planeta. O sector do turismo está fortemente comprometido para salvar o planeta, até porque não haverá turismo e viagens se não houver mundo, se não houver planeta. Com estas ideias, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, encerrou o ‘Évora Fórum – A World for Travel’, conferência dedicada ao turismo sustentável que decorreu na Universidade daquela cidade entre os dia 16 e 17 deste mês.

Este encontro internacional assumiu passar à acção no que diz respeito à adopção de comportamentos mais sustentáveis para o turismo.

Serão frases feitas diríamos, mas foram definidos cinco compromissos-chave e urgentes porque é preciso agir já não só ao nível ambiental, económico, mas também social, sempre em parceria entre os governos e o sector privado, com o foco em investimentos sustentáveis, sem esquecer o envolvimento das comunidades.

O objectivo destes cinco compromissos-chave para com a sustentabilidade no turismo é que estes sejam aplicados por empresas e organizações turísticas de todo o mundo para garantir um futuro mais sustentável para as viagens. Mas para isso, conforme disse Christiam Delom, secretário-geral da organização do evento, é necessário que o turismo altere já hoje o seu impacto. Por isso é que, quando esta conferência regressar a Évora, na sua segunda edição, quer ouvir os casos de sucesso e alinhavar os objectivos para o ano seguinte. Assim, o principal compromisso é que todos têm que por mãos à obra para que esta que, segundo o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo, já não é a indústria da paz, mas a indústria do planeta.

Prioridade a investimentos sustentáveis

Os cinco compromissos são oferecer opções/incentivos para compensação de emissões de carbono, a criação de um plano de redução de emissões de carbono para todos os sectores, dar prioridade a investimentos que desenvolvam o turismo sustentável, convidar as comunidades a participar na produção das soluções turísticas, bem como acelerar e fortalecer os ecossistemas/cadeias de fornecimento locais.

O ‘Évora Forum – A World for Travel’ contou com mais de mais de 140 oradores nacionais e internacionais, fosse de forma presencial ou via online, e segundo a organização (Eventiz Media Group em parceria com o Global Travel & Tourism Resilience Council e com o apoio do Turismo de Portugal, da Organização Mundial do Turismo (OMT) e do World Travel and Tourism Organisation (WTTC), foi seguida por quase 50 mil pessoas.

O propósito deste encontro de dois dias, que reuniu os principais stakeholders dos sectores públicos e privados da indústria turística, com vista a alertar para as transformações do sector, ou seja, um melhor turismo em detrimento de mais turismo, alertou para questões como variações do modelo económico, impacto climático, impacto ambiental do turismo, mudanças costeiras e marítimas, bem como políticas agrícolas e de neutralidade carbónica.

Seria impossível transcrever na íntegra as intervenções de todos os intervenientes no encontro. Por isso, fora um ou outro de relevância, abordaremos apenas as ideias-chave, até porque a pandemia acelerou a necessidade de passar à acção e transformar a indústria do turismo, em termos de sustentabilidade.

– Pensamos que é o momento para transformar o modelo da indústria do turismo e viagens, foi por isso que criámos este Fórum. É a primeira vez que a indústria do turismo se vê confrontada com esta transformação. O que a pandemia fez foi acelerar a necessidade de transformação e de evoluir, afirmou o secretário-geral da ‘A World for Travel’, reafirmando que está na hora de passar à acção no que diz respeito à adopção de comportamentos mais sustentáveis, bem como socialmente e economicamente mais responsáveis na indústria do turismo, uma vez que ainda se está no início da recuperação da pandemia da Covid-19, que afectou severamente o sector.

Turistas vão gastar mais em destinos responsáveis

As pessoas vão viajar menos, vão adoptar destinos de proximidade, mas vão passar mais tempo, e gastar mais em destinos mais responsáveis. No entanto, a tendência será mais senso e respeitando mais a sustentabilidade e o ambiente. A conferência concordou que serão os próprios turistas a pedir a transformação do sector. Não ficou dúvidas que as mudanças no comportamento dos consumidores estão a acontecer e que é preciso que a indústria saiba responder a esses novos movimentos, sem deixar ninguém para trás, pelo contrário, conforme admitiu o secretário-geral da Organização Mundial do Turismo (OMT), Zurab Pololikashvili, que falou via online.

Igualmente, a presidente e CEO da World Travel & Tourism Council (WTTC), Julia Simpson, presente em Évora realçou o compromisso da organização neste tema da sustentabilidade, com olhos postos também na economia, até porque defende uma colaboração entre os governos e os privados num sector que começa a recuperar e que representa mais de 10% do PIB mundial e que antes da pandemia, um em cada quatro empregos a nível global, eram no turismo, garantindo que, no último ano, o WTTC tem procurado provar que as viagens podem ser feitas em segurança.

A pandemia e respectivas restrições de viagem tiveram enormes efeitos sociais e económicos, que reverberaram através de países, destinos, comunidades e famílias em todo o mundo, disse Julia Simpson.

– E isso significa que, em 2019, havia mais de 330 milhões de postos de trabalho no nosso sector. Infelizmente, esta pandemia tem sido devastadora para nós, realçou a responsável.

– O WTTC irá lutar pela restauração de cada um dos 62 milhões de postos de trabalho perdidos em todo o mundo, sendo que Portugal já está a dar grandes passos neste sentido, argumentou Júlia Simpson.

Lembrando que este sector representa 10,4% do PIB a nível mundial, a presidente executiva do WTTC considerou importante que a indústria e os governos cooperem para reiniciar as viagens e construir a resiliência desta área para um futuro sustentável.

Actualmente, ainda existem partes do mundo que estão efectivamente fechadas, mas já se começam a ver alguns avanços, disse a responsável, dando como exemplos Portugal e o conjunto da Europa.

Ainda assim, sublinhou a presidente executiva da WTTC, organismo que representa mais de 200 empresas de todo o mundo das diferentes indústrias do sector das viagens e turismo, é necessária uma colaboração internacional mais forte para impulsionar uma recuperação económica global.

– Apelo, portanto, a todos os governos para que não olhem internamente, mas que respondam como líderes globais e coordenem soluções globais, frisou.

O encerramento de fronteiras e as restrições à mobilidade internacional não são as únicas questões em cima da mesa, há outros factores que são prejudiciais à recuperação do sector, disse.

Julia Simpson aludiu à natureza altamente fragmentada das viagens e do turismo, à falta de inclusão deste sector na tomada de decisões governamentais e à liderança limitada das instituições multilaterais.

No caso de Portugal, disse aplaudir a liderança do país na abertura de viagens e na valorização da contribuição do sector para o emprego, riqueza e bem-estar.

Uniformização de normas e regras

Também o ex-secretário da OMT, Taleb Rifai, enfatizou o conceito de colaboração, a única fórmula para se chegar a um turismo que envolva este sector, que considerou transversal, apelando à uniformização de normas e regras. É impossível andarmos para a frente quando, na própria União Europeia, existem três sistemas diferentes de controlo dos certificados de vacinação, disse.

Isto porque, o grande objectivo é contribuir para que exista uma voz única para as questões da sustentabilidade e que o turismo seja uma parte integrante e forte para a retoma de uma indústria fundamental a nível mundial.

Portugal também esteve presente para defender este tema da sustentabilidade, quer através do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira (de forma online), como pela secretária de Estado do Turismo, Rira Marques, e Luís Araújo, presidente do Turismo de Portugal.

O objectivo foi apresentar ao mundo uma das grandes bandeiras do turismo em Portugal, que dispõe de um arrojado plano para um turismo cada vez mais sustentável.

O ministro da Economia chamou atenção para o impacto do turismo na componente social, laboral e económica, referindo que a digitalização e as tecnologias terão um papel crucial no novo turismo.

Luís Araújo, no papel de presidente do European Travel Council (ETC) e do Turismo de Portugal, recordou que esta é uma indústria que tem soluções, mas que precisam de ser debatidas, de modo a definir um plano para o futuro, ou seja, a cadeia de valor terá de mudar, destacou.

Também a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, realçou, na sessão de encerramento que não há viagens sem planeta e, por isso, temos de avançar para a acção.

Negócio de pessoas para pessoas

Rita Marques fez questão de destacar que sendo este um negócio de pessoas para pessoas, sem pessoas não é possível ter turismo.

Todos os intervenientes portugueses sublinharam a liderança que Portugal quer atingir no turismo sustentável, seguindo os princípios da estratégia definida até 2027.

A própria presidente executiva da TAP, Christine Ourmieres-Widener, salientou a importância da indústria aérea apostar numa frota mais eficiente, com impacto directo na redução das emissões de carbono, se queremos sair mais fortes desta crise.

A presidente da TAP deixou expressa a relevância da companhia continuar a investir na área de sustentabilidade, tendo em conta as tendências de mercado.



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