A Liberdade está a chegar! Fazemos a esperança acontecer

Acreditemos nas previsões dos analistas e dos fazedores de opiniões; acreditemos nas opiniões fundamentadas dos cientistas. Acreditemos que eles fazem a esperança acontecer.

A esperança de viajar sem limitações, sair sem restrições, abraçar e beijar sem travões.

Enquanto essa esperança não acontece em toda a plenitude, vamos recebendo bem o turista originário do chamado mercado de proximidade – mercado ibérico – que, de telemóvel em punho capta as imagens mais sedutoras e motivadoras. Com as imagens inicia-se a conversa do tipo “como fazeis aqui…na minha terra é assim…”.

Por causa da pandemia o turista transforma os destinos e dita as suas preferências através da forma de viajar, do seu comportamento de independência e da absorção dos valores e das energias que certos meios ambientais transmitem.

Temos um turista mais consciente, mas por outro lado mais dependente das tecnologias que a pandemia acelerou como forma de alcançar um ou mais objectivos: conhecer minimamente a zona, definir os trajectos, reservar alojamento, restaurantes, museus, espaços públicos – coisa que já se previa na década de 80 do século passado.

É um turista mais formado e informado, que procura que o dinheiro que gasta contribua para o bem-estar da comunidade que visita.

As comunidades não querem o que se convencionou chamar o “turista dos copos” como em Barcelona nem o chamado “turismo de massas” que está na base de manifestações em alguns países receptivos do tipo “Tourists Go Home”.

Se é certo que as movimentações turísticas contribuem para a saúde económica de uma terra, também é certo que provoca impactos negativos:

Nesta última década houve, em terras do interior – cada vez mais procuradas por turistas – redução de 7 a 10% da população. Diminuiu a quantidade de casas para arrendamento porque se transformaram em AL’s; maior automatismo causou mais desemprego e mais incerteza quanto ao futuro; a natalidade reduziu. Um professor, médico ou técnico que seja colocado numa dessas terras em comissão de serviço de 1, 2 ou 3 anos, não encontra habitação disponível a preço atractivo.

Nós, a comunidade que os acolhe, devemos zelar pela saúde do planeta, praticando a urbanidade, a cidadania, deixando a Natureza seguir o seu caminho, para vivermos bem.

É que, se nós gostarmos da terra onde vivemos, também o turista gosta, visita, respeita-a.

Luís Gonçalves