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Portugal volta a ser ‘chumbado’ pelo Reino Unido

O Reino Unido mantém Portugal fora da lista de países que os britânicos podem visitar sem precisarem de cumprir quarentena no regresso. A decisão foi anunciada, esta sexta-feira, pelo secretário de Estado britânico dos Transportes, Grant Shapps, dia em que a lista foi actualizada.

Se esta quinta-feira se adiantava que o Reino Unido estava preparado para levantar as restrições às viagens de avião para Portugal, a decisão desta sexta-feira do Governo britânico vem deitar por terra essa ideia.

Ao todo são 74 países e territórios para os quais os britânicos podem viajar sem no regresso terem de fazer quarentena obrigatória. Eslovénia, Eslováquia, Letónia, Estónia e St. Vincents e Granadinas, nas Caraíbas, são as mais recentes adições aos corredores aéreos, depois de rever as avaliações de risco mais recentes. Portugal voltou a ser excluído, ou seja, quem entre no território vindo de Portugal está obrigado a uma quarentena.

Inicialmente, a decisão britânica de colocar Portugal na ‘lista negra’ de restrições às viagens gerou muita polémica. Os governantes portugueses defendiam que a situação no nosso país estava sob controlo e que, por isso, era seguro os turistas britânicos viajarem para Portugal. A situação é principalmente preocupante para o Algarve, que depende muito destes turistas.

Entretanto, o jornal britânico The Telegraph escreve que Espanha continua na lista, apesar de, como Portugal, estar a lidar com um aumento do número de surtos, o que forçou as autoridades espanholas regionais a reintroduzir restrições a nível local.

As mudanças, que entrarão em vigor a partir de terça-feira, 28 de Julho, acontecem numa altura em que o governo britânico pede aos passageiros que continuem a proteger-se ao considerar viajar para o exterior, garantindo que estejam actualizados com as informações mais recentes, tanto no país como no destino.

O Executivo adianta que todos os viajantes, inclusive os de destinos isentos de quarentena, deverão preencher um formulário de localização de passageiros na chegada ao Reino Unido.

E acrescenta que a ‘lista verde’ pode ser alterada ao longo do tempo em função da situação epidemiológica de cada país. Estamos preparados para responder rapidamente se a situação de saúde de um país se deteriorar, refere o governante britânico, para acrescentar que as medidas sanitárias nas fronteiras permanecem sujeitas a revisão a cada 28 dias.

Reacções portuguesas à decisão britânica

As negociações diplomáticas pareciam bem encaminhadas, mas Portugal teve outra vez cartão vermelho do governo britânico para viagens sem quarentena. Madeira e Açores tinham a expectativa de ter corredores regionais, e o Algarve diz estar a sofrer injustamente por causa de Lisboa, frisando que o ano já está perdido.

Para a Madeira e os Açores, a expectativa era que passassem a ser oficialmente integrados na ponte aérea com o Reino Unido com esta revisão, no mínimo através de corredores regionais, tendo em conta que a situação epidemiológica está controlada nestes arquipélagos, e que são feitos testes de rastreio aos passageiros ao chegar ao destino.

Os governos regionais da Madeira e dos Açores estão ainda a aguardar esclarecimentos sobre a sua inclusão ou não na lista dos destinos considerados seguros para corredores aéreos com o Reino Unido sem os cidadãos britânicos terem de fazer quarentenas no regresso.

As duas regiões autónomas portuguesas já tinham manifestado querer ver esta situação melhor esclarecida pelas autoridades britânicas, no sentido de apurar se os viajantes ingleses que chegassem à Madeira ou aos Açores por voos directos ou charters, sem terem de passar por outros aeroportos como Lisboa ou Porto, ficavam isentos de quarentenas no regresso ao Reino Unido, o que, afinal, não se concretizou.

Para o Algarve, onde o turismo britânico representa cerca de um terço do total e é responsável por 50% dos passageiros no aeroporto de Faro, as perspectivas são desanimadoras.

– É mais do que um ano perdido, disse Elidérico Viegas, presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, demonstrando desilusão com esta decisão britânica, para referir ainda que a região está a ser fortemente prejudicada por critérios que não levam em consideração outras realidades.

Elidérico Viegas sublinha que, mesmo assim, há alguns ingleses a chegar ao Algarve, mas alertou que muita gente que tinha marcado viagem ao Algarve cancelou, muitos já não vieram e foram para outros destinos.

As negociações pareciam bem encaminhadas, mas Portugal voltou a receber cartão vermelho do governo britânico para as viagens sem quarentena. Não foram capazes de explicar os fundamentos científicos e técnicos da decisão tomada, reagiu o ministro dos Negócios Estrangeiros, acrescentando que o Governo português aguardará que as autoridades britânicas evoluam.

O chefe da diplomacia portuguesa adiantou que cumpriu o combinado com o homólogo britânico, nomeadamente o respeito de cinco critérios em que a situação epidemiológica portuguesa é muito positiva: capacidade de testagem, taxa de letalidade, índice de reprodução, capacidade de resposta do sistema de saúde e número de casos por 100 mil habitantes.

Entretanto, o embaixador do Reino Unido em Portugal, Chris Sainty, justificou a decisão do seu país sobre esta matéria, destacando que o primeiro dever de qualquer Governo é proteger a sua população, e recusou que a decisão seja uma jogada política.
Segundo o diplomata, estas decisões são inteiramente orientadas por considerações de saúde pública, para minimizar o risco para os passageiros do Reino Unido e o risco de importar novos casos de Covid-19 para o Reino Unido.



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