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Considerandos e o que foi dito…

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Vamos começar por falar em alguns números, porque é sempre algo desejável.

Isto, porque o congresso da APAVT – e a própria APAVT – tem, como não podia deixar de ser, até porque é saudável, alguns “inimigos”, por esta ou aquela razão. Curiosamente, alguns deles até poderiam estar presentes neste evento, que se realizou no Funchal.

Sem dúvida alguma, este 45º congresso foi, com a devida desculpa aos anteriores, um verdadeiro êxito. Senão vejamos:

– Mais de 739 congressistas e acompanhantes;

– As sessões de trabalho tiveram uma assistência média superior a 80-85% dos congressistas. Exceptuando-se a 3ª sessão, “Turismo: Opções Estratégicas” com o Professor Doutor Augusto Mateus, que ultrapassou os 100%.

– Quer na sessão de abertura, que na de encerramento, todos os congressistas responderam “presente”.

O silêncio de Marcelo e Costa

Infelizmente, desta feita, e apesar de ser o maior congresso de turismo que se realiza em Portugal e com os seus membros a gerarem uma riqueza incalculável para o País, nem o Presidente da República, nem o Primeiro Ministro, mandaram quaisquer mensagens. Corrijam-me se estiver errado, o que não me parece.

Todavia, entre outros, estiveram presentes a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, que tudo fez, entre muitas reuniões e afazeres oficiais, para estar presente nesta reunião magna da APAVT; o presidente do Governo Regional da Madeira, Miguel Albuquerque; o secretário Regional do Turismo e Cultura da Madeira, Eduardo Jesus, também presidente da Direcção da AP Madeira; e o presidente do Turismo de Portugal, Luís Araújo.

Apreensão quanto ao futuro – Pedro Costa Ferreira, na abertura

O presidente da APAVT, Pedro Costa Ferreira, no seu discurso de abertura do 45º Congresso Nacional que se realizou no Funchal, entre 14 e 17 de Novembro, subordinado ao tema “Turismo: Opções Estratégicas”, e aproveitando a presença da nova secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, mostrou-lhe a preocupação da associação quanto ao futuro.

Pedro Costa Ferreira considera que o sector das viagens continua “de pernas para o ar” quanto à segurança dos consumidores em caso de falência das companhias aéreas e quer regulação nesta legislatura, pelo que terá de haver um maior diálogo com o Governo nos próximos tempos.

O sector das viagens continua absolutamente virado de pernas para o ar, no que à gestão da segurança dos consumidores se refere. Por um lado, o sector das agências de viagens soube construir um edifício que se solidifica ano após ano, na defesa da segurança e da confiança dos nossos clientes. O Fundo que garante as viagens organizadas tem neste momento um valor de 6,5 milhões de euros, tendo crescido mais de 800.000 euros desde janeiro. Por outro lado, as apólices de seguro que foram construídas pela APAVT e pelos principais ‘players’ do mercado, mostram-se robustas e capazes de gerir riscos relevantes, a preços competitivos.

No que concerne às falências das companhias aéreas, o presidente da APAVT considerou o assunto preocupante tendo em conta que se terá a temer muito mais a falência de uma companhia aérea, do que qualquer outro incidente, nas viagens dos turistas, acrescentando que, nos últimos dois anos, faliram 36 companhias aéreas e que este problema não vai ficar por aqui, “quer pela agressividade das apostas comerciais, quer pelas estratégias de venda de rotas aéreas a destinos fragilizados e incapazes de atraírem procura de outra forma.

Continuando “as lembranças” a nova secretária de Estado do Turismo, Rita Marques – que pouco adiantou, refira-se, na sua intervenção, Pedro Costa Ferreira chamou a atenção para o facto do assunto ser discutido tanto na ECTAA, a confederação europeia das agências de viagens, como em Portugal, onde desenvolvemos um trabalho conjunto com o anterior secretário de Estado das Comunidades e com a DECO, com o objectivo de criação de um Fundo de proteção dos viajantes, que englobe a falência das companhias aéreas. A segurança do mercado exige que este assunto veja a luz do dia durante esta legislatura.

Um congresso bem-vindo em altura de quebra de turistas – Eduardo Jesus

O secretário regional do Turismo e Cultura da Madeira, Eduardo Jesus, disse hoje que a realização do 45.º Congresso da Associação Portuguesa das Agências de Viagens e Turismo (APAVT) no Funchal foi particularmente importante para a Região Autónoma da Madeira.

Eduardo Jesus recordou que esta foi a 5.ª vez que a Madeira acolheu um congresso da APAVT, mas, infelizmente, ao contrário de outros anos, a região é a única a registar quebra de dormidas de turistas este ano.

Por isso, a presente edição deste congresso, com o tema ‘Turismo: Opções Estratégicas’, reveste-se de uma enorme oportunidade para o turismo da Madeira. Sobretudo quando a actividade turística em Portugal registou em setembro aumentos das dormidas em todas as regiões, com excepção da Madeira que revelou um recuo de 4,1%. No acumulado dos primeiros nove meses do ano, esta queda é de 3,4%.

O secretário regional do Turismo e Cultura madeirense sustentou que uma acção determinada é imprescindível numa altura em que o turismo atravessa uma fase de abrandamento e regista perdas por causa da falência de 14 companhias aéreas, nove das quais operavam para o arquipélago da Madeira.

O governante também destacou o aumento do apoio à Associação de Promoção da Madeira, assim como a aposta na consolidação dos mercados emissores tradicionais (Reino Unido e Alemanha) e na procura de novos, como o norte-americano, sobre o qual está em curso um estudo económico, frisando ser necessário aumentar a oferta de ligações aéreas, fortalecendo a economia regional.

Eduardo Jesus recordou que este sector representa 25% a 30% do Produto Interno Bruto e é originador de 20 mil postos de trabalho (16%) no arquipélago.

“A César o que é de César”, ou seja, dar ao Turismo o que ele  criou e merece – Francisco Calheiros

Francisco Calheiros, presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP) no âmbito da sua intervenção, “exigiu” que o Governo deve retribuir ao turismo o que o sector tem feito pelo País, chamando a atenção para algumas das reivindicações ao nível fiscal.

Sem turismo forte e competitivo não vamos ter crescimento económico, não vai haver redução do desemprego e não há criação de riqueza como tivemos nestes últimos quatro anos com a grande participação do turismo.

O presidente da CTP relembrou que pelo facto de o turismo ter sido o motor da economia nos últimos anos, o Governo deve retribuir ao turismo aquilo que ele tem feito por Portugal.

Por duas razões muito simples: a primeira, porque o turismo merece e a segunda, porque o país agradece. Disse ainda que Portugal vive uma fadiga fiscal no geral, mas no turismo existem algumas questões muito específicas como a dedutibilidade do IVA. Como exemplo, referiu que um evento em Vigo custa menos 23% do quem Elvas.

Depois há a questão do IVA no golfe. Não são os portugueses que pagam esse IVA, são os estrangeiros que escolhem e temos defendido muito uma fiscalidade mais ‘friendly’ do turismo, frisou Francisco Calheiros.

Um sistema fiscal mais justo – Rita Marques

Curiosamente e durante a sessão de abertura do congresso, a secretária de Estado do Turismo, Rita Marques, disse que um desafio do sector que tutela é a capacidade de investimento, admitindo que as empresas agudizam a nível fiscal e garantindo que obter um sistema mais justo será agarrado com assertividade.

Um grande desafio prende-se com a capacidade de investimento. Falamos das empresas, das parcerias público-privadas, mas é mais do que notório que as empresas agudizam a nível fiscal, salientou Rita Marques, relembrando que o ministro da Economia tem referido a necessidade, que está no Programa do Governo, de procedermos ao alívio fiscal.

Isto é especialmente importante quer para as famílias, quer para os empresários, termos um sistema fiscal mais justo que possa potenciar maior investimento também no Turismo, disse a secretária de Estado do Turismo.

O sector deve unir-se num todo – Pedro Costa Ferreira no encerramento

Pedro Costa Ferreira, aquando do seu discurso de encerramento do 45º Congresso Nacional das Agências de Viagens de Portugal, apelou para que as associações dos vários segmentos do turismo se unam como um todo e se empenhem num trabalho de matriz comum.

O presidente da APAVT afirmou que o sector do Turismo, soube reagir como mais ninguém no último ciclo de crescimento, mas não é tão óbvio que esteja a saber agir com igual capacidade e efectividade, em direcção a uma estratégia vencedora.

Admitindo que o que o sector vive um fim de ciclo, Pedro Costa Ferreira defende que o turismo, como um todo, tem de se unir e fazer, em lugar de se desculpar nos erros dos outros, na inabilidade da gestão pública ou nas circunstâncias de todos.

Considerando ser este um dos grandes e prioritários desafios que todo sector terá de enfrentar para a escolha de uma estratégia comum para os próximos anos, razão da escolha do tema “Turismo: Opções Estratégicas” para este congresso.

Este é o espírito da nossa associação e este é, também, o grande desafio que se ergue perante todos nós. APAVT, AHRESP, APECATE, ALEP, AHP, CTP, entre tantas outras, não bastará mais focarmo-nos no que não está bem e nos penaliza, disse o presidente da APAVT, afirmando que a obrigação e o dever destas associações é organizarem-se e empenharem-se numa visão de conjunto e, sobretudo, num trabalho de matriz comum.

A terminar a sua intervenção, Pedro Costa Ferreira disse que é necessário pensar a oferta turística em lugar de nos focarmos apenas na sua promoção.

Mas tal só será possível, numa lógica de cooperação entre ‘stackholders’ e numa lógica de partilha de territórios. É necessário trazer o turismo para a centralidade da economia e espalhar os benefícios do turismo por todo o país.

E concluiu que o objectivo que só será atingível numa lógica de conjunto, em oposição aos egoísmos que proliferam nas quintas associativas e empresariais que abundam em Portugal.

APAVT elege novos sócios honorários

A Associação Portuguesa de Agências de Viagens e Turismo nomeou durante o seu 45º Congresso Nacional que se realizou na cidade do Funchal, Madeira, entre 14 e 17 de novembro, três novos sócios honorários, a saber:

Ana Mendes Godinho – O presidente da APAVT justificou a nomeação da antiga secretária de Estado do Turismo, porque trabalhou incansavelmente, tratou com os parceiros, nomeadamente a APAVT, construiu pontes e apresentou resultados.

Roberto Santa Clara – A excelente relação com os operadores turísticos portugueses que se verifica desde 2015 e o contributo dado para o destino na Madeira esteve em destaque o que levou o homenageado a ficar comprometido com o futuro do sector, ao qual continua ligado a através da ANA- Aeroportos.

Augusto Mateus – A APAVT homenageou Augusto Mateus, consultor estratégico da Ernest & Young Augusto Mateus & Associados e ex-ministro da Economia, atribuindo-lhe o estatuto de associado honorário.

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