Turismo português deverá atingir 30 mil milhões de euros em receitas este ano

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Portugal deverá fechar 2026 com cerca de 30 mil milhões de euros em receitas turísticas, mais 2,5% do que no ano anterior, segundo a projeção apresentada por Pedro Machado, secretário de Estado do Turismo, na VIII Cimeira do Turismo Português, em Lisboa. O governante estima ainda que o país ultrapasse os 32 milhões de turistas e 125 milhões de dormidas até ao final do ano.

Os valores foram avançados durante o debate dedicado ao turismo português no contexto da atual conjuntura internacional, num momento em que o setor enfrenta um cenário marcado pela instabilidade geopolítica, alterações climáticas e transformação tecnológica.

Apesar da desaceleração face aos ritmos de crescimento registados nos anos anteriores, Pedro Machado considera que Portugal mantém margem para aumentar a atividade turística, sobretudo através da diversificação territorial e da valorização da oferta.

“Portugal não tem turismo a mais, tem é alguns picos de concentração”, afirmou o secretário de Estado, defendendo que existem regiões com capacidade para receber mais procura. Como exemplo, apontou destinos onde as taxas médias anuais de ocupação ainda se situam em torno dos 50%.

O Alentejo e os Açores foram identificados pelo governante como duas das regiões com potencial de crescimento, numa estratégia que passa por distribuir melhor os fluxos turísticos pelo território e reduzir a concentração em destinos que já apresentam níveis elevados de procura.

Pedro Machado destacou também a evolução da oferta turística portuguesa, nomeadamente através da diversificação de produtos e da captação de investimento considerado mais qualificado. Na sua leitura, a transformação das preferências dos consumidores, com maior atenção às questões ambientais e maior disponibilidade para gastar no destino quando existe uma proposta de valor associada à sustentabilidade, constitui igualmente uma oportunidade para o setor.

A estratégia passa ainda por aproveitar produtos turísticos para além dos segmentos tradicionalmente associados a Portugal. O responsável apontou o desenvolvimento de áreas como o ecoturismo, turismo industrial e turismo desportivo como parte do esforço de diversificação da oferta e de atração de visitantes para regiões com menor pressão turística.

A evolução da posição internacional de Portugal foi outro dos pontos destacados na intervenção. O país subiu da 12.ª para a 11.ª posição no Travel & Tourism Development Index 2026, elaborado pelo World Economic Forum, ficando entre as economias avaliadas com melhores condições para o desenvolvimento do turismo. O índice considera fatores como o ambiente empresarial, infraestruturas, recursos e sustentabilidade.

Recorrendo a uma comparação com o futebol, Pedro Machado resumiu a subida de Portugal dizendo: “Saímos do banco e entrámos no 11 inicial. Estamos a disputar os 11 melhores destinos do mundo.”

Para o secretário de Estado, a posição alcançada resulta de um conjunto de fatores que ultrapassa a capacidade de atração turística propriamente dita, incluindo a conectividade, os recursos naturais, o património cultural, a gastronomia e o tecido empresarial.

A atual conjuntura internacional foi igualmente apresentada como um fator que Portugal deverá procurar transformar numa vantagem de longo prazo. Pedro Machado defendeu que a perceção do país enquanto destino seguro e estável deve deixar de ser apenas uma vantagem conjuntural e ser trabalhada de forma a consolidar a competitividade turística nacional.

Entre os desafios para os próximos anos, o governante colocou ainda a sustentabilidade e a inteligência artificial. No primeiro caso, destacou a necessidade de apoiar as empresas na adaptação às exigências ambientais; no segundo, defendeu uma maior utilização das novas tecnologias por empresas e organismos públicos.

A dispersão territorial da atividade turística permanece, neste contexto, uma das prioridades apontadas pelo Governo. A intenção é permitir que destinos com maior procura continuem a crescer sem agravar os níveis de concentração, enquanto regiões com capacidade disponível reforçam a sua participação no crescimento do setor.

A sessão ficou ainda marcada pela divulgação da subida de Portugal no TTDI e pela entrega das Medalhas de Mérito Turístico onde, como já noticiámos anteriormente, 19 personalidades e organizações foram distinguidas.