A ANA admite encurtar os prazos para o novo aeroporto de Lisboa caso sejam agilizados os processos das entidades envolvidas, enquanto a TAP aponta o aumento do preço do jet fuel como uma das principais pressões sobre a operação. As posições foram apresentadas na VIII Cimeira do Turismo Português, um dia depois de o Governo ter defendido a antecipação da abertura da infraestrutura para 2034.
ANA disponível para encurtar calendário
José Luís Arnaut, presidente da administração da ANA – Aeroportos de Portugal, afirmou que a concessionária está alinhada com o objetivo do Governo de acelerar o calendário do novo aeroporto, desde que os diferentes processos necessários à concretização do projeto possam também avançar mais rapidamente.
A posição surge depois de Miguel Pinto Luz, ministro das Infraestruturas e Habitação, ter revelado que o Governo pediu à ANA um esforço para antecipar para 2034 a entrada em funcionamento da infraestrutura de Alcochete, face ao calendário anteriormente apontado.
Arnaut sublinhou que a redução dos prazos dependerá também da tramitação junto das várias entidades envolvidas no projeto, incluindo nos processos de avaliação e decisão necessários antes do início da obra.
O responsável da ANA defendeu ainda que o financiamento da infraestrutura deverá assentar no investimento da concessionária, associado a uma eventual extensão do prazo da concessão dos aeroportos nacionais, que atualmente termina em 2062. A solução permitiria à empresa acomodar parte do investimento previsto no novo aeroporto, mantendo o risco associado ao tráfego do lado da concessionária.
O projeto apresentado em julho aponta para um investimento estimado entre 7,9 e 8,9 mil milhões de euros.
TAP mantém atenção no combustível
No mesmo debate, Carlos Oliveira, presidente da administração da TAP, identificou o preço do combustível para aviação como uma das principais preocupações atuais da companhia.
O responsável afastou, contudo, a ideia de que a evolução do preço do jet fuel esteja diretamente relacionada com o processo de venda da TAP, enquadrando a questão no contexto mais abrangente da indústria da aviação.
A companhia aérea registou um prejuízo líquido de 99,2 milhões de euros no primeiro semestre de 2026, período em que os custos com combustível aumentaram face ao ano anterior.
Quanto à transferência da operação para o novo aeroporto, Carlos Oliveira indicou que a TAP deverá tomar decisões mais concretas depois de conhecido o relatório final do projeto, previsto para o início de 2028.
Seguro coloca aeroporto e TAP entre decisões estruturais
A importância destas duas infraestruturas para o futuro do turismo português foi também sublinhada por António José Seguro, Presidente da República, na sessão de encerramento da Cimeira.
O chefe de Estado considerou o novo aeroporto de Lisboa determinante para a capacidade futura do país e destacou igualmente a relevância da TAP na ligação de Portugal aos mercados internacionais e na captação de visitantes.
Na sua intervenção, António José Seguro defendeu que estas decisões devem ser enquadradas numa estratégia de médio e longo prazo, considerando não apenas as necessidades imediatas, mas também os impactos do crescimento turístico sobre as infraestruturas, a mobilidade, a habitação, os serviços públicos e os recursos naturais.
Para o Presidente da República, o desafio passa por assegurar que a expansão da atividade turística se traduz em benefícios para o país sem comprometer a qualidade de vida das populações.





