Segurança e equilíbrio territorial entram no centro da estratégia turística de Portugal

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O turismo português entra numa nova fase de crescimento, marcada pela necessidade de conciliar competitividade, segurança, sustentabilidade e valorização do território. Na VIII Cimeira do Turismo Português, realizada esta segunda-feira, 28 de setembro, em Lisboa, o ministro da Economia e Coesão Territorial, Manuel Castro Almeida, destacou a segurança como um ativo económico para Portugal, enquanto o Presidente da República, António José Seguro, defendeu uma estratégia turística orientada para os próximos 10 a 20 anos.

Segurança ganha peso na competitividade turística

Num contexto internacional marcado pela guerra na Europa, conflitos noutras regiões e maior instabilidade económica e geopolítica, Castro Almeida considerou que a segurança constitui uma vantagem competitiva para Portugal e um fator que influencia diretamente as decisões dos turistas.

“O que escolhe realmente uma pessoa quando decide viajar para Portugal? Escolhe um hotel, uma cidade, uma praia ou uma paisagem, mas escolhe também aquilo que pensa saber sobre o país, a confiança que Portugal lhe inspira, a segurança que espera encontrar”, afirmou o ministro durante a cimeira promovida pela Confederação do Turismo de Portugal (CTP).

Para Castro Almeida, esta dimensão representa um “ativo económico” que não aparece diretamente no preço de um produto turístico, mas pesa na escolha do destino; “É por isso que a segurança é também um ativo económico, não aparece na fatura de um hotel, não consta de um menu ou restaurante, mas está presente quando uma família escolhe um destino”, continuou.

O governante alertou, contudo, que as vantagens competitivas de um destino não são permanentes. “Portugal tem aqui uma vantagem verdadeiramente extraordinária, e devemos ter a consciência de que vantagens como esta levam décadas a construir e podem perder-se muito mais depressa”, salientou.

A instabilidade internacional foi também apontada como um fator com impacto crescente sobre as decisões de viagem. “A guerra regressou à Europa, assistimos a conflitos de outras regiões, a tensões comerciais, alterações de rotas e períodos de grande incerteza internacional, naturalmente, tudo isto influencia as decisões de quem viaja”, afirmou.

Mais tecnologia, mas sem perder a hospitalidade

A transformação tecnológica foi outro dos temas abordados pelo ministro da Economia e Coesão Territorial, que antecipou um papel crescente da inteligência artificial e dos dados na atividade turística.

Estas ferramentas deverão permitir às empresas conhecer melhor os clientes, antecipar a procura, organizar recursos e prestar serviços de forma mais eficiente. Castro Almeida defendeu, contudo, que a digitalização não deve retirar centralidade à componente humana da atividade.

“A tecnologia deve tornar o turismo português mais produtivo, mas não deve torná-lo menos humano”, afirmou.

Nesse contexto, destacou elementos como a capacidade de receber, o conhecimento do território e a atenção dedicada ao visitante como componentes da experiência turística que não podem ser substituídas pela tecnologia.

António José Seguro pede estratégia para os próximos 10 a 20 anos

Na intervenção de encerramento da cimeira, o Presidente da República, António José Seguro, reconheceu o contributo do turismo para a economia portuguesa, destacando a criação de riqueza e emprego, o impacto nas contas externas e nas receitas públicas, bem como a capacidade do setor para dinamizar diferentes regiões do país.

“O turismo é uma história de sucesso da economia portuguesa nas últimas décadas. É justo reconhecê-lo. É justo valorizá-lo. E é justo agradecer a todos os que contribuíram para esse percurso”, afirmou.

António José Seguro considerou, contudo, que os resultados alcançados obrigam a uma reflexão sobre a próxima etapa de desenvolvimento do setor. Para o Presidente da República, a questão central passa por definir “que modelo de competitividade turística queremos para Portugal nos próximos 10 a 20 anos”.

A resposta, defendeu, não deverá passar simplesmente pela repetição do modelo que sustentou o crescimento das últimas décadas, mas pela preparação de novas condições de competitividade.

Entre as prioridades identificadas estão a qualidade da experiência turística, a inovação, a diferenciação face à concorrência e uma distribuição mais equilibrada da procura no território e ao longo do ano.

Interior e coesão territorial no centro da estratégia

A descentralização da atividade turística foi outra das prioridades defendidas pelo Presidente da República, que considerou necessário reforçar o contributo do turismo para o desenvolvimento do interior e para a criação de emprego fora dos destinos já consolidados.

“Portugal tem de ser capaz de atrair visitantes ao longo de todo o ano e de continuar a valorizar destinos que vão muito além dos grandes centros urbanos e dos locais tradicionalmente consolidados”, afirmou.

António José Seguro defendeu ainda que o desenvolvimento turístico deve respeitar os recursos naturais e culturais e contribuir para a coesão territorial, considerando que a sustentabilidade ambiental e económica devem ser trabalhadas em conjunto.

Qualificação e salários como parte da competitividade

A valorização dos profissionais do turismo foi igualmente colocada como uma componente essencial da competitividade futura do setor.

“O turismo é, acima de tudo, uma atividade de serviços. É uma atividade em que pessoas cuidam de pessoas”, afirmou António José Seguro, defendendo uma maior aposta na formação, progressão profissional, especialização e inovação.

O Presidente da República associou ainda o aumento da produtividade à necessidade de melhorar as remunerações no setor: “Não há competitividade duradoura sem empresas sustentáveis. Mas também não há competitividade duradoura sem profissionais valorizados, qualificados e justamente remunerados”, afirmou.

Na sua intervenção, António José Seguro concluiu que o principal desafio já não consiste em demonstrar que Portugal consegue fazer crescer o turismo, mas em assegurar que esse crescimento se traduz em prosperidade duradoura.

“Portugal não precisa de provar que o turismo pode crescer. Já o demonstrou”, afirmou. “O desafio que temos agora é diferente e mais exigente.”