A saída da companhia aérea low-cost Ryanair dos Açores, concretizada no final de março deste ano, traduziu-se numa perda superior a 100 mil passageiros desembarcados e mais de 70 mil dormidas no arquipélago nos primeiros seis meses sem a operação da operadora irlandesa. A decisão de abandonar o mercado açoriano foi fundamentada pela empresa com a subida das taxas aeroportuárias e o impacto da tributação ambiental europeia, deixando as ligações aéreas entre a região e o território continental sob a responsabilidade exclusiva da TAP e da Azores Airlines.
De acordo com o Serviço Regional de Estatística dos Açores (SREA), entre abril e agosto registaram-se 1.206.055 desembarques nos aeroportos da região, um recuo de 7,9% face ao período homólogo. No setor do alojamento — que engloba hotelaria, alojamento local e turismo no espaço rural —, os dados acumulados de abril a julho contabilizam 1.967.881 dormidas, correspondendo a uma quebra de 3,5%. A retração do mercado nacional foi particularmente visível, justificando a perda de cerca de 62 mil dormidas de residentes em Portugal continental no mesmo intervalo temporal.
O impacto económico da saída da transportadora havia sido antecipado por um estudo da consultora EY-Parthenon, solicitado pela Câmara de Comércio e Indústria de Ponta Delgada, que estimou uma perda anual entre 339 mil e 391 mil dormidas. O mesmo relatório prevê uma redução entre 1,5% e 1,7% no PIB açoriano, o que equivale a um impacto financeiro negativo estimado entre 90,1 e 104,5 milhões de euros por ano num setor que representa aproximadamente 20% da economia regional.
Em resposta à diminuição do tráfego aéreo e à pressão de associações do setor turístico e empresarial, o Parlamento dos Açores aprovou em maio a criação de um Fundo de Desenvolvimento de Rotas Aéreas. O executivo regional informou que se encontra a avaliar alternativas com outras companhias aéreas para o médio prazo, perspetivando eventuais novas ligações ao continente a partir do verão de 2027, enquanto finaliza a estruturação jurídica do fundo de acordo com as normas comunitárias.





