Por ocasião do Dia Mundial do Turismo, que se assinala este domingo, o presidente da Confederação do Turismo de Portugal (CTP), Francisco Calheiros, defendeu num encontro com jornalistas que a prioridade estratégica de Portugal deve deixar de ser o volume de visitantes e passar a ser a criação de valor.
Apesar da desaceleração no ritmo de crescimento face à última década — período em que o número de turistas duplicou —, o setor continua a bater recordes. Os dados mais recentes do INE, referentes a julho, confirmam a tendência: as dormidas subiram 1,5% (46,5 milhões) e os proveitos totais dispararam 5,3%, ultrapassando os quatro mil milhões de euros.
Diante do esgotamento da capacidade do aeroporto de Lisboa e do aumento generalizado dos custos de produção, Francisco Calheiros é perentório: o país deve focar-se na captação de visitantes com maior poder de compra e que permaneçam mais tempo no território, apontando mercados como os Estados Unidos, Canadá, Brasil, Polónia e Coreia do Sul. O responsável defende que este ajuste nos planos estratégicos a dez anos é o único caminho sustentável numa altura em que a oferta e a procura já se encontram equilibradas.
A redefinição da estratégia de promoção surge também como resposta a uma conjuntura internacional altamente instável. Francisco Calheiros alertou para o impacto do contexto geopolítico global — dos conflitos na Ucrânia e no Médio Oriente à escalada de tensões entre os EUA e o Irão —, frisando que a instabilidade pressiona diretamente a aviação. O aumento do custo dos combustíveis pode encarecer as viagens de uma família em centenas de euros, condicionando a decisão de viajar num momento em que a segurança ultrapassou o preço como principal critério de escolha de um destino.
Perspetivando o próximo ano, o presidente da CTP adota uma postura prudente. Face à incerteza mundial, considera que replicar em 2027 os indicadores de 2026 — mantendo os fluxos e consolidando as receitas — seria já um excelente resultado para o turismo português.





