A Binter condicionou desde o início o seu interesse na operação do Grupo SATA ao encaixe do seu modelo de transporte e à viabilidade económica do negócio. O modelo da transportadora espanhola exigia compatibilidade com a sua vasta experiência nas ligações inter-ilhas e com as suas conexões à Península Ibérica e às Ilhas Baleares. Como concluiu que a Azores Airlines não trazia valor estratégico nem sinergias ao seu projeto atual, a empresa canária optou por retirar-se voluntariamente do processo de seleção, deixando de competir com os restantes interessados.
Apesar da desistência da Binter, outros seis candidatos, cujos nomes permanecem em segredo, superaram a primeira fase ao cumprirem os requisitos de participação. O processo entra agora numa etapa de ofertas vinculativas, seguida da negociação final com os finalistas, com o objetivo de fechar a privatização ainda este ano.
Recorde-se que a SATA Air Açores, detida pelo Governo Regional dos Açores, avançou com este novo concurso depois de ter falhado, em 2025, a venda ao Grupo Atlantic Connect. A oferta de 17 milhões de euros por 85% do capital não convenceu a tutela regional. A reestruturação da companhia açoriana foi acordada com Bruxelas após o auxílio estatal português de 453,25 milhões de euros.
Um dos principais entraves à alienação da Azores Airlines continua a ser a sua frágil situação financeira. Embora tenha fechado o primeiro semestre do ano passado com um prejuízo de 2,1 milhões de euros — melhorando face aos 3,4 milhões registados em igual período do ano anterior —, a companhia encerrou o exercício de 2025 com perdas líquidas de 53,9 milhões de euros e uma dívida financeira líquida a roçar os 498,9 milhões de euros.
No primeiro semestre de 2026, os resultados voltaram a agravar-se, com perdas de 37,1 milhões de euros e uma quebra de 7,7% no tráfego de passageiros, que se fixou nos 701 mil passageiros.





