Hotelaria e restauração foram os setores mais penalizados pelo aumento das insolvências em Portugal nos primeiros oito meses de 2026. O número de empresas insolventes nestas atividades cresceu 36,2% em comparação com o mesmo período do ano passado.
O tecido empresarial português registou um agravamento das insolvências até agosto, com particular impacto nas empresas ligadas à hotelaria e restauração. De acordo com os dados mais recentes da Iberinform, foram declaradas mais 55 insolvências do que no mesmo período de 2025, traduzindo-se num crescimento global de 5,1%.
A subida foi mais expressiva entre as empresas de hotelaria e restauração. Entre janeiro e agosto, o setor contabilizou um aumento de 36,2% nas insolvências declaradas, colocando-o no primeiro lugar entre as atividades analisadas.
A evolução contrasta com a registada noutros setores, embora também tenham sido observados aumentos relevantes. Os outros serviços registaram uma subida de 15%, enquanto a área da construção e obras públicas avançou 13%.
Pedidos de insolvência continuam a aumentar
A análise da Iberinform mostra que o agravamento não resulta apenas de processos iniciados pelas próprias empresas.
As insolvências requeridas por terceiros cresceram 7,1% nos primeiros oito meses do ano, enquanto os processos apresentados pelas próprias empresas aumentaram 3,1%.
Agosto, contudo, apresentou uma evolução bastante mais contida. Nesse mês foram declaradas 96 insolvências, apenas mais uma do que em agosto de 2025, o equivalente a um crescimento de 1,1%.
Lisboa e Porto concentram maior número de casos
A distribuição geográfica mantém uma forte concentração nos principais centros urbanos e empresariais do país.
Lisboa lidera o número de insolvências declaradas, com 271 casos, seguida pelo Porto, com 242, e por Braga, que contabilizou 154.
Quando se analisa a evolução percentual, destacam-se outros distritos. Aveiro registou um crescimento de 8,1%, enquanto Setúbal avançou 6,4%. Seguem-se Faro, com uma subida de 4%, e Leiria, com 3,5%.
Os números revelam, assim, uma realidade desigual entre regiões, apesar do crescimento global das insolvências no país.
Menos empresas estão a nascer
A dinâmica empresarial também apresenta sinais menos favoráveis. A criação de novas empresas recuou em agosto, com 3.151 sociedades constituídas, menos 8,8% do que no mesmo mês de 2025. Em termos absolutos, foram menos 303 constituições.
No acumulado de janeiro a agosto, foram criadas 36.047 empresas, número que representa uma redução de 1,7% face ao período homólogo.
Lisboa mantém-se como principal polo de criação de empresas, com 11.127 novas constituições, seguida pelo Porto, com 6.447, e Setúbal, com 2.904.
Entre os territórios com maior crescimento destacam-se Angra do Heroísmo, com uma subida de 27%, Santarém, com 6,1%, Vila Real, com 5,8%, e Coimbra, com 4,7%.
No extremo oposto, a constituição de empresas sofreu quebras mais acentuadas na Madeira (-21%), Ponta Delgada (-18%), Évora (-16%) e Faro (-8,8%).
O retrato traçado pelos dados da Iberinform aponta, desta forma, para um contexto empresarial marcado simultaneamente pelo aumento das insolvências e por um abrandamento na criação de novas empresas, com a hotelaria e restauração a surgirem como o setor mais afetado pela deterioração registada até agosto.





