O aumento substancial do preço do querosene de aviação, impulsionado pela escalada do conflito no Médio Oriente, está a forçar as companhias aéreas a rever drasticamente as suas estratégias para esta temporada de inverno e a abdicar de metas de crescimento que se tornaram incomportáveis. Perante este cenário, a alemã Condor confirmou que vai subir o preço dos bilhetes, enquanto a gigante de baixo custo Ryanair decidiu rever os seus planos de expansão até março de 2027, reduzindo a meta global de passageiros de 216 para 214 milhões.
“Voar vai ficar mais caro para todos”, alerta a Condor
Peter Gerber, CEO da Condor, traça um panorama incontornável de subida generalizada nas tarifas aéreas, perspetivando que o combustível permaneça em patamares elevados devido à instabilidade contínua no Golfo Pérsico. O responsável apela aos decisores políticos para que intervenham no sentido de reduzir os custos operacionais do setor, justificando que a transportadora não tem alternativa a não ser encarecer os bilhetes. “Voar está prestes a ficar mais caro para todos”, declarou.
Gerber fez ainda questão de recordar que as viagens de avião se tornaram, há muito, parte integrante do quotidiano das pessoas, devendo por isso ser salvaguardadas como qualquer outro serviço essencial. “Para o público, voar não é um bem de luxo, mas sim parte da sua infraestrutura. E precisamos de garantir que funcione de forma adequada”, sublinhou.
Ryanair joga pelo seguro e quer reduzir perdas
Por seu lado, a low-cost irlandesa Ryanair prepara-se para um inverno de ajustamentos nas estimativas de crescimento. Apesar de se encontrar numa posição altamente privilegiada quanto ao abastecimento de querosene — tendo garantido, através de contratos de cobertura (hedging), 80% das suas necessidades até ao final de 2027 ao preço fixo de 67 dólares por barril (cerca de 57 euros), num momento em que o mercado negoceia perto dos 140 dólares (120 euros) —, a companhia prefere jogar pelo seguro. O objetivo passa por reduzir as perdas sazonais típicas do inverno em até 100 milhões de euros.
Na prática, esta reestruturação traduz-se, para já, na eliminação de dois milhões de lugares da operação de inverno. A redução do objetivo de tráfego foi materializada com a retirada de cinco aeronaves da sua base belga em Charleroi (que a Ryanair opera sob a designação de Bruxelas Sul).





