Apesar de os acidentes aéreos comerciais receberem uma enorme atenção mediática, viajar de avião é estatisticamente muito mais seguro do que dirigir um automóvel. Um relatório da Embry-Riddle Aeronautical University comparou diferentes meios de transporte nos Estados Unidos e estimou que, para a mesma distância percorrida, o risco de morrer num carro ou camião é cerca de 626 vezes superior ao de um voo comercial.
Muitas pessoas consideram o automóvel uma opção mais segura por ser familiar e por permitir que o próprio condutor mantenha o controlo sobre a viagem. No avião, pelo contrário, o passageiro depende inteiramente dos pilotos, de sistemas automáticos, do controlo de tráfego aéreo e de uma infraestrutura que opera fora do seu alcance.
Aviação comercial com baixo risco
O estudo analisou dados de 2016 a 2025 referentes às companhias aéreas comerciais americanas que operam sob a regulamentação Part 121. Os investigadores compararam a mortalidade da aviação com a de outros meios de transporte, atividades recreativas e riscos profissionais. Em todas as métricas de exposição ao risco, a aviação comercial figurou entre as atividades mais seguras. Considerando a distância percorrida, o risco de fatalidade em carros e camiões foi estimado em 626 vezes o registado na aviação comercial.
A discrepância aumenta ainda mais quando a comparação envolve motociclos, cujo risco associado é mais de 22 mil vezes superior ao da aviação comercial para a mesma distância. Nos autocarros de longo curso, considerados relativamente seguros, o risco revelou-se cerca de nove vezes maior.
Outra forma de analisar os números é pelo volume de viagens. Entre 2016 e 2024, os investigadores estimaram aproximadamente uma fatalidade por cada 97,7 milhões de embarques em companhias aéreas comerciais americanas. Ao longo dos dez anos analisados, registaram-se 73 mortes relacionadas com acidentes em viagens aéreas comerciais nos Estados Unidos.
Um acidente raro pode parecer mais perigoso
Um acidente aéreo comercial costuma ser um evento raro, grave e altamente visível. Quando ocorre, as imagens da tragédia são repetidas continuamente durante dias, enquanto as histórias dos passageiros ganham uma ampla exposição mediática. Os acidentes de viação apresentam uma dinâmica muito diferente: embora provoquem um número incomensuravelmente maior de vítimas mortais, estão pulverizados por milhares de ocorrências diárias e raramente são percecionados pelo público como parte de um único grande evento.
Esta diferença altera profundamente a perceção individual do perigo. Um desastre que vitima dezenas ou centenas de pessoas de uma só vez parece muito mais ameaçador do que milhares de acidentes isolados distribuídos ao longo do tempo.
Ao conduzir, o indivíduo segura o volante, controla a velocidade e decide quando travar ou parar. Esta sensação de autonomia faz com que a deslocação pareça menos arriscada. No avião, sucede o oposto: o passageiro não intervém em nenhuma etapa da operação, sendo forçado a confiar nos pilotos, nos equipamentos, nos procedimentos de segurança, nos controladores aéreos e na própria companhia. A investigação sobre a perceção do risco demonstra que esta ilusão de controlo influencia fortemente o comportamento, embora ter a sensação de controlo sobre uma situação não a torne, de todo, mais segura.
Evitar andar de avião não significa eliminar o risco
A principal conclusão do estudo é que nenhum meio de transporte está isento de risco. O ponto central destacado pelos investigadores é que os acidentes aéreos comerciais são tão raros que se torna necessário analisar dados ao longo de décadas e milhares de milhões de quilómetros para calcular a sua probabilidade real. O medo provocado por um acidente aéreo é psicologicamente real, mas a perceção individual não corresponde à realidade estatística.
Para quem precisa de escolher entre o carro e o avião numa viagem de longa distância, os dados confirmam que a alternativa que parece mais controlável está longe de ser a mais segura.




